Tóquio 2020

Olimpíadas Mulheres podem liderar quadro de medalhas do Brasil em Tóquio 2020

Mulheres podem liderar quadro de medalhas do Brasil em Tóquio 2020

Delegação feminina representa 46,5% do time verde-amarelo e sonha inclusive com pódio triplo no skate dos Jogos Olímpicos

  • Olimpíadas | André Avelar, do R7, em Tóquio, no Japão

Letícia Bufoni é uma das favoritas na estreia do skate no programa dos Jogos Olímpicos

Letícia Bufoni é uma das favoritas na estreia do skate no programa dos Jogos Olímpicos

Gáspar Nobrega/Divulgação/COB - 20/7/2021

Na mesma Tóquio que recebe esta edição dos Jogos Olímpicos, uma única mulher integrou a delegação brasileira em 1964. Cinquenta e sete anos depois, elas são 140, tiveram uma porta-bandeira na cerimônia de abertura e podem liderar o Time Brasil no quadro de medalhas.

Naquela primeira oportunidade, Aída dos Santos sequer tinha uniforme para a viagem, treinamento adequado ou qualquer orientação sobre a competição. Ainda assim, conquistou o quarto lugar no salto em altura, o melhor resultado feminino brasileiro até Atlanta 1996.

Em Tóquio 2020, o número de mulheres representa 46,5% da delegação com 162 homens. A atual marca fica atrás apenas dos 49,39% de Atenas 2004. Se o primeiro dia de medalhas não foi dos melhores, para ambos os gêneros, ainda é possível acreditar em bons resultados.

Mulheres da ginástica artística, vôlei de praia, boxe, judô, maratona aquática, vela, skate e surfe estão em uma lista com medalhas esperadas para o Brasil. Competidoras do atletismo, futebol e handebol podem surpreender.

Porta-bandeira na tímida festa no Estádio Olímpico, Ketleyn Quadros está nesse rol de apostas do time verde-amarelo. A judoca da categoria até 63 kg, que também celebrou os números do esporte brasileiro, foi bronze em Pequim 2008 e sonha em subir mais uma vez no pódio olímpico.

“A questão das mulheres no esporte é um ponto muito importante. Estamos demonstrando o que a gente vem conquistando, não só no esporte. O número de homens e mulheres hoje está praticamente igual na delegação e isso é um sinônimo de igualdade”, disse Ketleyn, de 33 anos, apenas a terceira porta-bandeira do Brasil, ao lado de Sandra Pires (Sydney 2000) e Yane Marques (Rio 2016).

A história de Ketleyn se repetiu com Ana Sátila. A canoísta slalom do Brasil lembrou que o seu começo no esporte foi recheado de preconceitos. Hoje, aos 25 anos, ela celebra a companhia de mais mulheres e garante que torce para todas elas.

“Fico muito feliz de ver as mulheres aqui em Tóquio. Fui para muitos campeonatos sozinha, sem nenhuma menina, cercado de meninos e ver o tanto que já conquistamos é muito gratificante. Torço para todas elas”, disse.

Ketleyn, ao lado de Bruninho, foi apenas a terceira porta-bandeira da história do Brasil

Ketleyn, ao lado de Bruninho, foi apenas a terceira porta-bandeira da história do Brasil

Julio Cesar Guimarãoes/Divulgação/COB - 23/7/2021

Os números do Brasil acompanham aquela que é chamada de mais feminina Olimpíada da história. Em porcentagem geral divulgada antes do início dos Jogos (ainda sem os atletas alternativos, substitutos para os casos de covid-19), 48,8% dos competidores eram mulheres.

Mais do que isso, pela primeira vez desde Atenas 2004 que Michael Phelps ou Usain Bolt não serão os protagonistas. Os principais nomes na capital japonesa são as norte-americanas Simone Biles, da ginástica, e Katie Ledeck, da natação. A japonesa Naomi Osaka, que inclusive acendeu a pira olímpica, também terá seu protagonismo no tênis.

Pódio 100% brasileiro?

Dentre todas as campanhas femininas, a que mais chama a atenção é para o skate street park. A modalidade que foi incluída neste ano para o programa olímpico pode ter um pódio 100% brasileiro. Evidentemente, que tudo pode acontecer em uma competição de tão alto nível. Mesmo assim, as atletas brasileiras estão empolgadas com o feito inédito.

Leticia Bufoni, Raysa Leal e Pamela Rosa estão entre as dez melhores do ranking. Com o cuidado para não cair em uma pressão desnecessária para a estreia do evento, elas se mostram confiante no resultado.

“Só de estarmos aqui já é uma vitória. Só de participarmos da primeira Olimpíada do skate, já é uma vitória e tanto. A gente quer a medalha, eu pessoalmente quero muito, mas vai ser só um bônus. Esse pódio triplo é um sonho, ainda não aconteceu, mas a gente sabe que temos grandes chances e assim representarmos todas as mulheres do Brasil”, disse a atleta, de 28 anos.

Na Rio 2016, o Brasil conquistou 19 medalhas (sete de ouro, seis de prata e sete de bronze). Dessas, Rafaela Silva (ouro no judô), Kahena Kunze e Martine Grael (ouro na vela), Bárbara e Ágatha (prata no vôlei de praia), Mayra Aguiar (bronze no judô) e Poliana Okimoto (bronze na maratona aquática) foram as brasileiras que subiram ao pódio.

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