Tóquio 2020

Olimpíadas 'Ginástica no Brasil vai explodir', diz coordenadora da equipe de Rebeca

'Ginástica no Brasil vai explodir', diz coordenadora da equipe de Rebeca

Adri, ex-técnica de Daiane dos Santos, vê conquista como um alívio e diz que número de praticantes de ginástica irá crescer muito

Conquista de Rebeca estava engasgada para coordenadora da CBG

Conquista de Rebeca estava engasgada para coordenadora da CBG

Alberto Estévez/EFE/29-07-21

Além da alegria, a conquista de Rebeca Andrade trouxe muito alívio para os dirigentes da CBG (Confederação Brasileira de Ginástica). A coordenadora técnica da CBG, Adriana Rita Alves, a Adri, trabalhou em toda a preparação da equipe, mas permaneceu no Brasil durante as disputas. Para ela, o momento servirá como um divisor de águas.

"Essa conquista, em relação a Jogos Olímpicos, impulsiona o esporte como um todo. É para o Brasil. Mas, em relação à ginástica, também será especial. Essa medalha estava engasgada. A Daiane, em 2004, só não ganhou por causa do passinho para trás, a Flavinha também já ficou perto do título, a Jade, a Dani, a Laís, todas elas foram precurssoras deste momento", disse.

Adri foi técnica de Daiane dos Santos, a primeira ginasta brasileira campeã mundial. Ela considera que Rebeca Andrade tem características semelhantes às de Daiane.

"A Rebeca tem um talento muito grande, se assemelha à Daiane em relação à impulsão. E também à Simone Biles, na questão da potência. Isso faz com que ela seja diferenciada".

A coordenadora ressalta ainda o trabalho específico feito para a recuperação e o treinamento de Rebeca, após ela ter passado por três cirurgias (2015, 2017 e 2019) no joelho direito, devido a rompimento do ligamento cruzado anterior.

"Foi um trabalho da CBG e do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), o atendimento foi de primeiro mundo, já conseguimos isso. Antigamente não havia investimento, hoje já temos, assim como patrocínio, que foram facilitadores. Além disso, tivemos um trabalho científico de ponta. Em relação aos treinos, procuramos trabalhar de acordo com a situação dela, como fazemos com cada atleta. Fizemos um trabalho medido, tivemos cautela para ir superando etapas", afirmou.

Pela experiência que teve em relação a Daiane, Adri acredita que haverá uma explosão no número de meninas agora querendo praticar ginástica. Afinal, Rebeca conquistou uma medalha de prata oilímpica inédita, atingindo o ponto mais alto da históra da ginástica artística feminina brasileira.

"Para Paris em 2024, iremos trabalhar com o que temos, inclusive com a Rebeca. E já estamos bem. Mas para os Jogos de 2028 e 2032 o número de meninas que entrarão para a ginástica irá crescer muito, haverá uma explosão. O carisma de Rebeca e essa conquista trazem isso. E o Brasil é um país de imensa diversidade, temos estrutura para trabalhar com características diferentes em cada região", ressalta.

Adri já está atuando como técnica da menina Andressa de Lima, que veio de Belém (PA) para treinar com ela em Porto Alegre (RS). Andressa treina com Adri desde os 11 anos.

"Ela é novinha, mas tem ótimas perspectivas. Trata-se de outro exemplo da riqueza do Brasil, já que ela é do Pará, estado que antes tinha pouco acesso à ginástica, e está treinando para competir em alto rendimento", afirma.

Na opinião de Adri, o Brasil começou a se desenvolver mais tarde na ginástica, em comparação com os grandes centros, por exemplo, o leste europeu nos anos 70 e os Estados Unidos.

"Eles eram mais evoluídos do que nós na Ciência. E a ginástica lá, principalmente em países do leste europeu, é como o futebol para nós. Havia um investimento de anos, um acúmulo de conhecimento. Lá, já se havia profisisonais para cada área. Só agora passamos a ter aqui especialistas em biomecânica, nutricionistas, psicólogos, médicos, etc. Antes, o técnico no Brasil era psicólogo, médico, acumulava funções. Nós demoramos para ter isso", observa.

Ela também aponta a dificuldade que o esporte brasileiro ainda tem de obter investimentos já na sua base.

"No Brasil, primeiro precisa vir o resultado, para depois chegar o investimento. Deveria ser o contrário, já se investir na base para depois se chegar ao resultado", diz.

Neste sentido, Adri considera que os grandes vencedores brasileiros, em geral, acabam sendo desbravadores, levantando títulos inéditos com grandes dificuldades.

"O que temos de fama, e que o mundo inteiro quer, é uma mão de obra acima da média. O brasileiro é trabalhador e guerreiro, com um mínimo de infraestrutura já se destaca. Isso é que manteve a chama acesa e, com títulos de superação, chama investimentos", completa.

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