Tóquio 2020

Olimpíadas Às lágrimas, Paulo André promete lutar pela medalha até os 80 anos

Às lágrimas, Paulo André promete lutar pela medalha até os 80 anos

Após ter ficado de fora das finais dos 100 m rasos, velocista protestou pelo corte do treinador e pai pela comissão de atletismo

  • Olimpíadas | André Avelar, do R7, em Tóquio, no Japão

Paulo André ficou em último lugar na sua série e ficou de fora das finais dos 100 m rasos

Paulo André ficou em último lugar na sua série e ficou de fora das finais dos 100 m rasos

Javier SORIANO/AFP - 01.08.2021

Logo após a eliminação na semifinal dos 100 m rasos nos Jogos de Tóquio, o velocista mais rápido do país na prova do atletismo, Paulo André, foi às lágrimas e não escondeu a mágoa com a comissão técnica do Brasil por não ter convocado seu treinador e pai, Carlos Camilo, para acompanhá-lo na jornada por um lugar ao pódio. Apesar da frustração, o atleta de 22 anos promete que, se preciso for, passará a vida inteira lutando para realizar o sonho da medalha olímpica.

"É difícil porque a gente trabalha muito para estar aqui. E eu faleique eu não me permito um dia [não] lutar por essa medalha. Eu tenho 22 anos, nem que eu faça isso até os 80, mas eu vou brigar por essa medalha um dia, dos 100 metros", desabafou, chorando.

O paulista de Santo André, na Grande São Paulo, marcou 10s31, ficando em último na sua série. Nas eliminatórias da prova mais nobre do atletismo, ele havia cravado 10s17. O melhor tempo na semifinal ficou com o chinês Su Bingtian, que correu os 100 metros em 9s83. A final, realizada horas depois, foi vencida pelo italiano Lamont Marcell Jacobs, que anotou 9s80.

Ele reconhece ter cometido erros, embora ainda não saiba exatamente quais. Fato é que aos 18 anos, segundo ele, já fez marcas melhores, o que o fez acreditar que estaria na final disputando uma medalha com os homens mais rápidos do mundo. "[Foi] Minha primeira olimpíada. Eu ainda tenho que avaliar o que eu errei aqui. É obvio que houve erro sim", afirmou ao R7.

"Essa pressão está em mim desde os meus 19 anos que eu corri, 18 anos que eu corri do 10s06, eu cheguei muito perto lá nos meus 18 anos. De lá para cá, eu corri 4 vezes a base de 10s05, cinco vezes a base de 10s05. Então essa pressão já não é de hoje. Lógico, a olimpíada tem uma atmosfera diferente, né, mas eu consigo me conectar muito rápido com o ambiente", explicou.

Segundo o paulista, o sucesso na prova dos 100 m rasos exige a perfeição. "Em nenhum momento o erro é permitido. Os 100 metros já não permitem erros, junto com a olimpíada, então, é algo que multiplica mil vezes. Porque é tudo muito rápido e tudo muito intenso, então, um passo que você dá errado pode ser fatal."

Paulo André revelou que a ausência do pai pode ter influenciado em seu desempenho e disparou contra a comissão técnica de atletismo brasileiro.

"O fato de o meu treinador não estar comigo também, pode ser que influencia muita coisa. Eu hoje no aquecimento vi todos os atletas da semifinal com um treinador pregado do lado, e eu era o único que não tinha alguém do lado, nenhum treinador do lado", desabafou. "[...] Mas agora é trabalhar e calar a boca de todos esses que cortaram meu pai."

Apesar disso, o velocista não quer que a ausência do mentor seja entendida como desculpa pelo insucesso na prova deste domingo. "A responsabilidade é toda minha, não é nem do meu treinador, é toda minha. E é isso, agora bola pra frente."

Revezamento

Paulo André destaca ainda que vai trabalhar o emocional para "virar a página" e concentrar sua energia no revezamento 4 x 100 m. "A gente tem três anos, dois anos, vencendo muito. Já virei a página, é dessa linha para cá. Até porque a nossa realidade é o revezamento", disse.

"Não tem como fugir disso não tem como a gente escapar disso, não tem como a gente chorar pelo leite derramado. Agora é o revezamento 4 x100 m. Nossa equipe é muito qualificada e a gente vai fazer de tudo pra trazer essa medalha para a gente.

As eliminatórias para a prova ocorrerão na quarta-feira (4), e a final, dois dias depois.

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