Tóquio 2020

Olimpíadas Apresentada no São Paulo, Formiga aposta no ouro olímpico em Tóquio

Apresentada no São Paulo, Formiga aposta no ouro olímpico em Tóquio

Jogadora de 43 anos assinou contrato até 2022 e vai disputar a sua sétima olimpíada com a seleção brasileira feminina de futebol

Agência Estado - Esportes
Formiga foi apresentada como novo reforço do São Paulo

Formiga foi apresentada como novo reforço do São Paulo

Rubens Chiri/Divulgação/São Paulo FC

O São Paulo apresentou nesta terça-feira (22) sua maior contratação na temporada para o time feminino. Aos 43 anos, a meio-campista Formiga chega para dar mais experiência ao time e assinou contrato até o fim de 2022, talvez seu último vínculo na carreira. "Todo mundo sabe da minha luta, do meu desejo de ver o futebol feminino no auge. Quando estiver assim terá chegado meu momento de parar", disse a atleta, que aposta na medalha de ouro da seleção brasileira nos Jogos Olímpicos de Tóquio.

Formiga, ou Miraildes Maciel Mota, nasceu em Salvador e é uma das maiores jogadoras da história. "Minha história foi de superação e espero que isso sirva para muitas meninas. Precisa ter os pés no chão e buscar sempre o melhor, pois nada cai do céu", comentou a jogadora, que foi duas vezes medalha de prata nos Jogos Olímpicos, em 2004 e 2008, e ainda teve um terceiro lugar na Copa do Mundo de 1999, nos Estados Unidos, e um vice-campeonato na Copa da China, em 2007.

"É um projeto audacioso, então um dos motivos de vir também é o pós-carreira, para trabalhar na gestão ou como técnica ou auxiliar. As competições no Brasil estão se fortalecendo, não vemos tantos placares elásticos, o nível está melhorando", afirmou a atleta, que pretende fazer curso de treinadores. "Pretendo organizar minha vida quando voltar de Tóquio, mas já manifestei meu desejo para a CBF de fazer o curso de técnico. Quero fazer as coisas 100%. Sempre fico observando os treinadores, busco dicas, para me preparar para o futuro", explicou.

Formiga retorna ao São Paulo após 21 anos, já na reta final de sua carreira. Ela vestiu a camisa tricolor de 1997 a 2000, quando a modalidade ainda carecia de recursos e incentivos. "Estamos recebendo uma atleta de qualidade técnica indiscutível, que só foi possível graças ao patrocinador próprio do futebol feminino, o Tricolor Chip. É um momento histórico para o São Paulo, um dia de muita alegria para todos nós", disse o presidente Júlio Casares, antes de entregar a camisa 8 para a atleta.

A realidade estrutural é bem diferente agora do que quando ela começou a carreira décadas atrás. "Nosso centro de treinamento era em Indaiatuba, e era diferença incrível para outras equipes. O São Paulo era a base da seleção brasileira e espero agora trazer essa alegria para esse clube e trazer títulos novamente", comentou a jogadora.

No clube, ela terá um papel importante também para passar, dentro de campo, sua experiência para as jogadoras mais jovens. "Acredito que a visibilidade tem ajudado bastante a evolução do futebol feminino no Brasil. Hoje as pessoas têm oportunidade de saber onde estão as jogadoras. A gente tem que dar direção e ser espelho para essas meninas. Mas as jovens atletas precisam trabalhar seriamente porque foi duro o que passamos, nós carregamos o piano. Elas precisam ajudar a manter o futebol feminino em alta", avisou.

Agora, ela se prepara para talvez sua última Olimpíada - já esteve em outras seis edições e vai bater um recorde de participações junto com o velejador Robert Scheidt. "As chances são grandes de conseguir essa medalha. Eu sinto que desta vez o ouro vem para o Brasil", revelou a meio-campista, que brincou sobre o segredo de sua longevidade. "O meu segredo é água de coco. Meu corpo é minha ferramenta de trabalho, preciso cuidar dele e da minha mente. Tem atletas com 38 anos que já pensam em parar. Por isso me cuido. Não tenho restrições alimentares, mas procuro me alimentar bem e fazer as coisas por amor", concluiu.

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