Tóquio 2020

Olimpíadas Alison recomeça do zero na busca do bi olímpico: 'Responsabilidade'

Alison recomeça do zero na busca do bi olímpico: 'Responsabilidade'

Agora com parceiro Álvaro no vôlei de praia, dupla saiu da 46ª posição para se classificar e vê Jogos Olímpicos como divisor de águas

Alison e Álvaro comemoram vitória na preparação para os Jogos

Alison e Álvaro comemoram vitória na preparação para os Jogos

Twitter Time Brasil/26-04-21

Um campeão olímpico nunca tem sossego. Se ele prossegue competindo, a pressão por conquistas ganha ainda mais força. E a glória só vai se eternizar e trazer tranquilidade, quando a carreira se encerrar. É o caso de Alison Cerutti, 35 anos, campeão olímpico de vôlei de praia no Rio de Janeiro, em 2016, ao lado de Bruno Schmidt.

Antes da pandemia, ele encontrou um novo parceiro, Álvaro Morais, 30 anos, para um desafio tão grande quanto a conquista de uma medalha: sair da 46ª colocação do ranking (totalmente fora da zona de classificação), superar uma pré-classificação no país (country cota), se classificar no qualifying e, superadas essas fases, em que uma derrota elimina, disputar 10 etapas até conseguir a vaga, obtida em outubro de 2019, quando a etapa do México foi cancelada e eles já não poderiam mais ser alcançados por duplas brasileiras.

Foi como uma maratona. Ou uma escalada. Ou, em se tratando da pandemia, uma corrida com barreiras. Diante do feito, em entrevista ao R7, Alison se mostrou animado. Mesmo com o fato de seu parceiro nunca ter disputado uma Olimpíada.

"Meu parceiro não tem experiência olímpica que eu tenho, mas me vejo muito nele", conta Alison, de 35 anos, nascido em Vitória (ES).

Até agora, a dupla já foi campeã da etapa de Cuiabá (MT) e vice-campeã da etapa de Ribeirão Preto (SP) do Circuito Brasileiro 2019/2020; campeã das etapas de Kuala Lampur (Malásia) e Espinho (Portugal), e vice-campeã das etapas de Viena (Áustria) e Moscou (Rússia) do Circuito Mundial 2019.

Alison se lembra do momento em que, em 2012, se juntou ao experiente Emmanuel, que já vinha de quatro Olimpíadas e duas medalhas.

"Chegando ali ao lado dele eu também não tinha medalha nenhuma, mas a força de vontade, o querer, o foco eram muito grandes, assim como o Álvaro tem comigo. Ele não tem experiência olímpica, mas a gente troca muitas experiências e ele pergunta algumas coisas sobre Olimpíada, diz o que pensa e acha que vai encontrar, o que ele está lendo, mas tudo bem tranquilo. É um menino que quer muito, que tem um ouvido muito aberto, que está com muita fome e isso é o mais importante", afirma.

Alison considera que cada ciclo olímpico tem sido um recomeço. Mas ele procura se distanciar da pressão por resultados, mesmo tendo como parâmetro e desafio a sua medalha de ouro.

"Ser campeão olímpico é uma responsabilidade em todos os torneios que eu jogo, da Federação Internacional, do Circuito Brasileiro, na Olimpíada. O favoritismo traz essa responsabilidade, mas estou consciente e bem tranquilo em relação a isso. Vivo novo momento de carreira, em um novo time, diferente, com um parceiro mais jovem, lido bem com a pressão. Ela sempre existiu na minha carreira, desde o início. Antes de ser campeão olímpico, joguei com atletas renomados como Emmanuel e depois conseguimos a medalha de prata. A pressão existe e a gente sempre foca no trabalho e em olhar para a frente", ressalta.

Mundo depois da Olimpíada

Como um dos nomes fortes da delegação brasileira para Tóquio 2020, Alison vê com entusiasmo a realização da Olimpíada, mesmo com a pandemia ainda presente em vários países.

"Os Jogos Olímpicos são a união dos povos e, mesmo com tudo isso acontecendo no mundo, com esse coronavírus que foi uma fatalidade, atingindo todos os países todos os povos, independente de classe social, de cor, eu vejo a realização desses Jogos Olímpicos como a união dos povos vencendo esse vírus, mesmo com alguns países ainda passando por alguns momentos difíceis, mas a vacinação vem crescendo cada dia mais", diz.
Para ele, será um evento histórico.

"A maioria dos países está vacinando, a gente joga o Circuito Mundial existe a presença de público já, na Olimpíada não sabemos como que vai ser, mas acho que algumas modalidades vão ter presença de público japonês. Vejo isso de uma maneira muito feliz. Fico muito contente em saber que o mundo todo se uniu pra a realização destes Jogos, eu acho que, como já existe um mundo antes e pós-pandemia, vai existir também um mundo antes e pós-Olimpíada. Acredito muito nisso", observa.

Para Álvaro, nascido em João Pessoa (PB), será um momento em que a experiência pessoal de disputar a primeira Olimpíada irá se misturar à própria atmosferia inédita que irá cercar o evento.

"Vejo essa Olimpíada como uma vitória da humanidade muito grande em relação a toda essa pandemia, com a vacinação. Acho vai ter um antes mundo da Olimpíada e um depois da Olimpíada, pode ser um divisor de águas", acredita.

Do ponto de vista pessoal, jogar ao lado de um campeão olímpico não deverá ser um peso para ele.

"Tudo na vida tem dois lados. O fato de eu jogar ao lado de um campeão olímpico, o Alison, a gente pode encarar pelo lado da pressão, mas também posso ver como a parceria com um atleta experiente que já participou de duas edições de Jogos e que entende muito como é que funciona uma competição dessa magnitude. Prefiro ficar com a segundo opção", diz.

Antes do vôlei de praia, Álvaro jogou futebol. Atuou no futsal, pelo seu colégio Marista, e depois no futebol de campo, tendo jogado como lateral-esquerdo no Botafogo da Paraíba. Mas a superfície que mais o atraiu foi a areia branca das praias de João Pessoa. Primeiro no futebol de praia e, depois, já com 14 ou 15 anos, no vôlei de praia, quando se aproximou do esporte, influenciado por seu pai, que era um praticante.

"A relação entre o vôlei de areia o futebol de praia é realmente a questão do terreno, o terreno é o mesmo e é o que mais aproxima e influencia um esporte para o outro", conta, sabendo que, em contraste com a maciez da superfície, terá uma dura missão pela frente. Mais uma, mas o terreno ajuda.

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