Mais Esportes Evento de airsoft reúne mil adeptos de vários países em São Paulo

Evento de airsoft reúne mil adeptos de vários países em São Paulo

1º WarZone Brasil, disputado em Arujá, na Grande São Paulo, atraiu jogadores brasileiros e de países da América Latina, EUA, França e China

Competidores posam para foto durante disputa do WarZone Brasil, em Arujá (SP)

Competidores posam para foto durante disputa do WarZone Brasil, em Arujá (SP)

Márcio Neves/R7

Um evento de airsoft, esporte ainda pouco divulgado no Brasil, reuniu — durante o feriado prolongado da Independência — foram 1.072 competidores de praticamente toda a federação (somente o Acre não teve inscritos), Argentina, Uruguai, Chile, Colômbia, México, Estados Unidos, França e China. O WarZone Brasil, em sua primeira edição, é um dos três maiores torneios do mundo na modalidade.

Os jogadores utilizam armas de pressão como pistolas e fuzis a gás, elétricos ou por molas (AEGs), equipamentos regulamentados e que disparam bolinhas de plástico (BBs) de seis milímetros de diâmetro. As BBs são rígidas e sem tinta.

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O fardamento é livre, mas a maioria utiliza roupas e aparatos militares, como gandolas, calças, coturnos, coletes e capacetes. Entretanto, o uso de óculos de proteção é obrigatório para entrar nas zonas de combate.

Durante os três dias de competição, os participantes tinham como objetivo cumprir missões em um jogo de simulação militar (MilSim). No entanto. Os jogadores foram divididos em três exércitos de acordo com um roteiro criado pelos organizadores.

O enredo

A história, batizada de "Gênesis, o início de tudo", é baseada em uma disputa pela vila fictícia de Domus Dei, situada na Península de Theodônia. Após uma trégua de 24 horas para o "Festival das Luzes", os exércitos das nações vizinhas de Santa Ana e Leogrado tentam recuperar o controle da nação independente. No entanto, um mistério faz com que o povoado seja praticamente impatível nas batalhas.

Regras

O torneio não oferece premiações ou troféus. O único objetivo é completar as missões designadas pelos comandantes dos exércitos. Como as munições não possuem qualquer tipo de marcação, como no paintball, é fundamental que o competidor se acuse ferido (em "hit", na expressão em inglês) e coloque um pano vermelho sobre a cabeça para sair do jogo.

"É um jogo de honra", frisa Caio Paulino, um dos organizadores do WarZone e praticante de airsoft. "Na guerra, nunca há um vencedor. Morrer, ser resgatado e observar são consequências do jogo", complementa.

Jogadores se embrenham na floresta para cumprir missões durante o combate

Jogadores se embrenham na floresta para cumprir missões durante o combate

Márcio Neves/R7

Realismo

Os produtores investiram em uma cenografia cinematográfica para deixar o jogo com o máximo de realismo possível. Foram utilizados jipes militares e missões aéreas com apoio de um helicóptero (modelo Robinson 44). 

Houve ainda a participação de figurantes para os papeis de moradores da Vila de Domus Dei, onde se desenrola a história. Os jogadores se depararam com enfermeiras, médicos e até um padre durante as missões.

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 O evento teve ainda um corpo médico e o apoio de ambulâncias para atender os participantes em caso de necessidade.

Perfil dos jogadores

Os adeptos do airsoft são pessoas dos mais variados setores profissionais. Há médicos, empresários, advogados, professores, pedagogos, viligantes e também militares.

Schimidt pratica airsoft há anos

Schimidt pratica airsoft há anos

Arquivo Pessoal/Sérgio Schimidt

Mas todos são veementes em reforçar que o fato de simular ações de guerra e ter armas como ponto importante do jogo não significa que o esporte seja violento.

"Às vezes, as pessoas entendem que quem joga airsoft pode ser mais violento. E é exatamente o contrário", ressalta o professor de História Sérgio Schimidt, de 47 anos, líder do exército de Domus Dei.

Sérgio é praticante do esporte há cerca de dez anos e já esteve em eventos de airsoft em países como Panamá, Rússia, República Checa e Finlândia.

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Com os ingressos esgotados em 48 horas — os pacotes para os três dias de disputas, mais alojamentos custaram entre R$ 190 e R$ 230 —, os organizadores já iniciaram o projeto para a próxima edição do WarZone, que deverá ser realizada no mesmo local.

"A história será uma continuidade do enredo deste ano", antecipa Caio Paulino, organizador do WarZone Brasil.

Simulação ou realidade? Veja imagens de um combate de airsoft: