Presidente do COI: 'Não estamos vivendo em outro planeta'

Thomas Bach admite ao 'The New York Times' que entidade estuda cenários diferentes diante da crise, mas reafirma que faltam quatro meses os Jogos

Thomas Bach admite que COI não vive em uma bolha

Thomas Bach admite que COI não vive em uma bolha

Lance

O Comitê Olímpico Internacional convive diariamente com a pressão pública e dos atletas para o adiamento dos Jogos Olímpicos diante da pandemia global de coronavírus. Contudo, o presidente da entidade Thomas Bach disse, em entrevista ao jornal 'The New York Times', que o comitê considera cenários diferentes diante da crise, mas reafirmou que faltam quatro meses para o início dos Jogos. O alemão, de 66 anos, também comentou que a intenção é de realizar a Olimpíada de Tóquio na data prevista, entre 24 de julho e 9 de agosto deste ano.

- Somos afetados por esta crise como todo mundo e estamos preocupados como todo mundo. Não estamos vivendo em uma bolha ou em outro planeta. Estamos no meio de nossas sociedades. Não sabemos qual será a situação. É claro que estamos considerando cenários diferentes, mas somos diferentes de muitas outras organizações esportivas ou ligas profissionais (que adiaram grandes eventos), pois estamos a quatro meses e meio de distância dos Jogos. Eles são ainda mais otimistas do que nós, porque a maioria deles adiou seus eventos para abril ou final de maio. Estamos falando do final de julho - ressaltou Bach.

Além disso, Thomas Bach destacou que a entidade tomará suas decisões de acordo com as evidências científicas da força-tarefa criada em fevereiro. Ela é composta por membros do COI, do Comitê Organizador de Tóquio 2020, do Governo do Japão e da Organização Mundial de Saúde (OMS).

- Temos nossas políticas de gerenciamento de riscos em vigor e nosso seguro, o que nos permitirá continuar nossas operações e organizar futuros Jogos Olímpicos. O COI não tem problema de fluxo de caixa. Para nós, não seria responsável agora e seria prematuro iniciar especulações ou tomar uma decisão em um momento em que não tenhamos nenhuma recomendação da força-tarefa. Não vou especular, mas devemos isso a todos os atletas e a toda a metade do mundo que assiste às Olimpíadas dizendo que não estamos colocando o cancelamento dos Jogos na agenda - salientou Bach.

O cenário é de pressão total. Em todo mundo, atletas estão em regime forçado de quarentena, sem sair de suas residências, sem a possibilidade de treinar de maneira adequada para os jogos. Outro ponto problemático é que muitos pré-olímpicos foram cancelados ou adiados, o que afeta diretamente a realização e a previsão de início do evento.

- Posso me identificar com esses atletas por causa da minha experiência. Eu tive uma situação semelhante antes dos Jogos em Moscou em 1980, quando também havia muita incerteza. Os jogos aconteceriam em Moscou? Podemos ir? Seríamos autorizados a ir, sob quais circunstâncias? Para um atleta, a pior coisa para a preparação é a incerteza que distrai o treinamento e os preparativos. Eu disse aos 220 atletas na reunião de quarta-feira que não podemos fingir que temos respostas para todas as suas perguntas. Estamos na mesma situação que você e o resto do mundo - disse.

Por fim, Thomas Bach comentou que a entidade espera utilizar a Olimpíada de Tóquio com um símbolo de esperança e de vitória sobre o coronavírus. Ele também ressaltou a força da mensagem da tocha olímpica e que apoia os atletas.

- Os 206 comitês olímpicos nacionais e as federações internacionais de esportes expressaram que o mundo nesta situação extremamente difícil e preocupante precisa de um símbolo de esperança. Portanto, para nós, sem saber quanto tempo durará esse túnel, gostaríamos que a chama olímpica fosse uma luz no fim do túnel e enviasse a mensagem de paz, o que sempre fazemos, mas nessas circunstâncias muito difíceis uma mensagem de esperança e comunidade da humanidade. - finalizou.

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