Lance O caso Tifanny reacendeu o debate sobre transgêneros no esporte

O caso Tifanny reacendeu o debate sobre transgêneros no esporte

O que é transgênero? LANCE! ouve médicos, atletas, pesquisadores, militantes da causa LGBT sobre o tema, que estará em debate em Tóquio-2020

Além da quadra: entenda como o caso Tifanny reacendeu o debate sobre transgêneros no esporte

Neide Carlos/Vôlei Bauru

Sexta-feira, 16 de março de 2018, a ponteira Ellen Braga sobe para a cortada, a bola bate no bloqueio, volta para a rede e cai na quadra do Vôlei Bauru. Do banco de reservas, Tifanny Abreu vê a comemoração das adversárias do Praia Clube, em Uberlândia, que fechavam ali o terceiro set e garantiam a classificação às semifinais da Superliga feminina de vôlei após ganhar os dois confrontos da série melhor de três. Guardem bem essa informação: “do banco de reservas”. Ela terá papel importante ao longo desta reportagem.

Em pouco mais de três meses, Tifanny fez o Brasil prestar atenção a um tema até então pouco explorado por aqui: a presença de atletas transgêneros no esporte de alto rendimento. Ela, uma mulher trans com 1,92m de altura e potência notável nos ataques, entrou na esteira de algo que se tornou frequente, especialmente em tempos de redes sociais: a polarização.

De um lado, gente se dizendo contra a presença dela na liga feminina, em virtude dos benefícios atléticos herdados de seu gênero anterior. De outro, pessoas relativizando a suposta vantagem e tentando mostrar que ela é tão falível quanto as demais competidoras.

Em busca de repostas, o LANCE! foi atrás de especialistas: médicos, atletas, pesquisadores, militantes da causa LGBT, gente que já lida com o assunto em todas as suas vertentes, não apenas esportivas, mas também sociais... A meta não era criticar nem defender a ponteira do Vôlei Bauru, mas trazer à tona o debate de forma mais aprofundada.

Afinal de contas, estamos a aproximadamente dois anos da Olimpíada de Tóquio, talvez, a primeira edição dos Jogos com a presença de atletas transgêneros. Uma delas, inclusive, pode ser a própria Tifanny.

Mas o que é transgênero, afinal?

O termo ainda causa bastante confusão. De acordo com o médico Alexandre Saadeh, professor da PUC-SP e coordenador do Amtigos (Ambulatório Transdisciplinar de Identidade de Gênero e Orientação Sexual) do Hospital das Clínicas de São Paulo, o termo diz respeito à incongruência entre a identidade de gênero – se você se percebe homem, mulher ou algo entre esses polos – e o sexo no qual nasceu.

"Ou seja, você se percebe diferente do que o seu corpo mostra," explica.

É diferente de homossexualidade (“diz respeito a ter desejo e querer manter atividade sexual com pessoa do mesmo sexo que o seu”) e de pessoas intersexo, antigamente chamadas de hermafroditas.

"Intersexualidade diz respeito à conformação anatômica de sua genitália, que não segue os padrões costumeiros de vulva para fêmeas e pênis e escroto para machos. O desenvolvimento embrionário se dá de maneira incomum," comenta Saadeh.

Tifanny fez o que no meio costuma se chamar de “transicionar”, ou seja, ela realizou a transição do gênero masculino, com o qual nunca se identificou, para o feminino. Além de se submeter a tratamento hormonal, cujo objetivo principal para mulheres trans é bloquear a produção de testosterona, ela passou por duas cirurgias de redesignação sexual.

Gênero e esporte: uma velha discussão

Discutir gênero no esporte de alto rendimento é falar de algo tão antigo quanto a própria história das Olimpíadas. As mulheres, vetadas da primeira edição da Era Moderna, em Atenas-1896, passaram a ter participação periférica a partir de 1900, em Paris.

Mesmo quando já estavam inseridas no contexto competitivo, sofriam outros tipos de discriminação. Em Berlim-1936, por exemplo, a polonesa Stella Walsh e a americana Helen Stephens, destaques nos 100m rasos do atletismo, conviviam com boatos de que eram homens competindo entre mulheres (basicamente, em função da aparência física atrelada aos bons resultados nas pistas). Walsh, derrotada por Stephens na final, acusou publicamente a rival de estar burlando a regra. Pela primeira vez na história, o COI (Comitê Olímpico Internacional) interveio, examinou a americana e, comprovando a genitália feminina dela, encerrou a disputa.

Nos anos 1960, o COI implementou de vez o exame clínico como regra para autorizar a participação das mulheres. Nas chamadas “nude parades”, as atletas eram obrigadas a ficar nuas perante médicos homens que atestavam se, de fato, elas tinham órgãos sexuais femininos. Feito o certificado, eram liberadas a participar das competições.

A partir de 1968, no México, o Comitê abandonou o exame físico a passou a adotar o teste cromossômico como critério principal para diferenciar o gênero biológico de atletas. Basicamente, cromossomos XX (mulheres) e XY (homens) distinguiam os atletas. Tal regulamentação valeu ate o fim dos anos 1990, quando se passou a considerar o nível de testosterona para determinar o gênero, parâmetro utilizado até hoje. E é aí onde começa a polêmica do caso Tifanny.

O que diz a regra

De acordo com a mais recente regulamentação do COI, do fim de 2015, homens trans podem participar dos eventos da entidade sem nenhuma restrição. Há um consenso médico-esportivo de que a mulher que fez a transição para o gênero masculino não possui nenhum tipo de vantagem para competir entre homens cisgêneros (termo utilizado para se referir ao indivíduo que se identifica, em todos os aspectos, com o seu gênero de nascença).

Já as mulheres que transicionaram, como Tifanny, precisam se declarar sob o novo gênero (reconhecimento civil) e ter a quantidade de testosterona controlada para poder competir em equipes femininas. O nível permitido é de até 10 nanomol por litro (unidade de medida que indica a quantidade da substância por litro de sangue) nos 12 meses anteriores à competição. Os testes da jogadora de Bauru, por exemplo, costumam apontar 0,2 nanomol/l.

A maioria das federações segue a recomendação do COI. A FIVB (Federação Internacional de Vôlei), por exemplo, reuniu-se este ano para discutir o tema e decidiu deixar a cargo das entidades de cada país acatar ou não a norma. No Brasil, a CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) acompanhou o voto do relator, utilizando um jargão político, e liberou a participação de Tifanny na Superliga feminina.

Outros esportes também vêm dando abertura à inclusão de transgêneros. A reportagem entrou em contato com a Fifa, e a entidade que rege o futebol disse seguir orientação de um documento de 2011 intitulado “Gender Verification” (“Verificação de Gênero”, na tradução). Em linhas gerais, o atleta precisa solicitar formalmente a autorização. Um corpo médico vai analisar, então, se o gênero indicado pelo solicitante é aplicável, de acordo com histórico clínico, níveis hormonais, tratamentos feitos e resultados atuais.

Levam ou não vantagem?

Tifanny, atualmente com 33 anos, fez o que se chama de transição tardia – no caso dela, quando tinha 30. O período foi suficiente para, em termos clínicos, completar-se o procedimento.

"Em geral, colocamos um tempo de dois anos para que todas as modificações corporais se desenvolvam. Os níveis hormonais do novo gênero são atingidos de forma mais rápida, mas isso não significa que as alterações corporais já estejam desenvolvidas", explica a doutora Karen de Marca Seidel, membro da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia).

O principal argumento de quem é contra a presença da ponteira em competições femininas é justamente o seu chamado “benefício pregresso”, ou seja, as características masculinas herdadas do período anterior à mudança de gênero, como desenvolvimento muscular e aptidão cardiorrespiratória. O próprio coordenador da comissão médica da CBV que liberou a atleta para atuar na Superliga acredita que ela não deveria jogar entre as mulheres.

A verdade é que ainda faltam estudos, principalmente envolvendo atletas trans de elite. Um dos poucos feitos até hoje reuniu corredores amadores e semiamadores e foi conduzido pela médica pesquisadora do Providence Portland Medical Center, Joanna Harper, que também é consultora do COI. Ela quantificou dados de performance antes e depois das transições de gênero e concluiu que sete dos oito participantes, incluindo ela, tiveram redução na velocidade.

Em entrevista ao LANCE!, Joanna diz que é muito difícil colocar sob a mesma ótica esportes que requerem força, como salto em altura e arremesso de peso, e outros em que o tamanho da atleta será uma desvantagem, como ginástica artística.

"Cada esporte deve ser livre para fazer suas próprias regras sobre atletas transgêneros. O COI precisa considerar todos os esportes por causa das Olimpíadas, mas esportes individuais podem fazer regras diferentes, tendo em mente que eles precisam considerar todas as mulheres trans e cis. Por exemplo, não seria despropositado para a Superliga feminina colocar uma regra limitando um atleta transgênero por equipe", sugere a pesquisadora, que vê vantagens e desvantagens em jogadoras como Tifanny.

"As mulheres trans terão vantagens em estatura e força, mas também desvantagens. Mulheres trans perdem massa muscular e capacidade aeróbica quando fazem a transição, mas sua estrutura esquelética permanece igual. Isso significa que estarão em desvantagem em áreas como agilidade e resistência", analisa a médica americana.

"No caso específico da Tifanny, ela ataca muito bem na rede, em parte por causa de suas vantagens, mas vai mal defensivamente, devido às desvantagens" - observa Joanna, que segue em busca de novos dados:

"Existem muitas barreiras para mais estudos. Agora tenho dados de desempenho de vários outros atletas, incluindo Tifanny, que costumava ter uma altura de pico de 3,45 metros e, agora, pula 3,13 metros, uma perda de 32 centímetros. Também estou coletando dados de dois atletas durante a transição, um triatleta e um corredor. Espere por mais resultados publicados nos próximos meses", promete.

Avanços além do esporte

Por mais que ainda não haja consenso em relação ao assunto, o fato de ele ter vindo à tona com tamanha força em 2018 já é um avanço em tanto, especialmente para quem milita há mais tempo na área. É o caso de Amara Moira, primeira travesti doutora pela Unicamp, ativista LGBT e autora do livro “E Se Eu Fosse Puta”.

Amara Moira

Amara Moira

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Amara Moira, primeira travesti doutora pela Unicamp

- O caso Tifanny, por exemplo, o jeito como a mídia está cobrindo, seria impensável quatro anos atrás. Basta lembrar como foi a cobertura da Edinanci, que nem era uma atleta trans, mas para pensarmos o quanto a mídia sabe ser perversa - lembra-se Amara, referindo-se ao caso da judoca brasileira Edinanci Silva, que se descobriu intersexual aos 19 anos e conviveu a carreira toda sob desconfiança e preconceito por se parecer fisicamente com um homem (ela participou dos Jogos Olímpicos de 1996, em Atenas, na Grécia).

Outra conquista recente se deu no STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou aos transgêneros a mudança de nome sem a necessidade de realização de cirurgia de mudança de sexo. Além disso, não é mais preciso recorrer à Justiça em um processo longo que, na maioria das vezes, terminava com decisões desfavoráveis por puro preconceito. A solicitação pode ser feita em cartório.

- O Supremo simplificou muito. Antigamente, a pessoa que gostaria de mudar de nome juntava certidões negativas de cartório de protesto, de processo de execução civil, criminal, da Justiça Federal, da Receita, do TRE... Porque precisava demonstrar que era uma pessoa íntegra, não devia nada para a Justiça. Além do laudo psiquiátrico que atestava que era portadora da patologia, uma declaração do psicólogo de que fazia acompanhamento. Mesmo de posse de tudo isso, havia juiz que dizia que não. Muitos processos eram negados - conta a advogada Raquel Rocha, vice-presidente da Comissão da Diversidade Sexual da OAB-SP.

Claro que o caso Tifanny ainda é exceção. O próprio tratamento hormonal, procedimento necessário a quem almeja seguir carreira esportiva profissional, custa caro e é quase restrito a clínicas particulares, dado o atendimento precário no sistema público.

- A fila de espera no SUS para quem deseja fazer a cirurgia de mudança de gênero é de 20 anos! Já a fila para consulta, para dar início à hormonoterapia, é de aproximadamente seis meses - afirma Renan Lucena, médico generalista pela Faculdade Pernambucana de Saúde, que trabalha e pesquisa sexualidade humana e a inserção da pauta de saúde LGBT no SUS.

O que muitos transgêneros acabam fazendo é se medicarem por conta, o que traz sérios riscos à saúde.

- Os tratamentos são caros. Sem contar que, além do tratamento em si, também é necessário um acompanhamento laboratorial, de consulta de rotina e avaliação dos efeitos do ponto de vista médico e também multiprofissional - elenca Lucena.

Futuro a passos tímidos

A carência de atletas trans de elite tem razões históricas, de preconceito e medo da exposição. Porém, casos como o da atleta do Vôlei Bauru podem inspirar uma geração mais jovem que cresce ainda cheia de receios, mas tendo agora alguém em quem se espelhar.

Neste ano, por exemplo, pela primeira vez, o JUCA (Jogos Universitários de Comunicação e Artes), uma das competições universitárias mais tradicionais de São Paulo, incluiu em seu regulamento a possibilidade de participação de transgêneros.

- Isso é uma demanda que surgiu já para a edição anterior, em 2017, porque a Belas Artes tem um homem trans que joga no time de handebol. Ele estava treinando já, mas para a edição de 2017 não deu tempo de discutir mais a fundo a questão - explica Yuri Zveibil, diretor de esportes da LAACA (Liga Atlética Acadêmica de Comunicação e Artes), organizadora do evento. A Liga é composta por oito atléticas: Anhembi Morumbi, Belas Artes, Cásper Líbero, ECA-USP, Mackenzie, Metodista, PUC-Campinas e PUC-SP.

A participação está sujeita à declaração simples do atleta, sem a necessidade de comprovação por meio de testes de testosterona ou algo do tipo.
Mesmo assim, ainda é difícil encarar a questão sem ficar com um pé atrás. Thomas Fernandes, por exemplo, estudante de letras e professor de inglês, fez a transição de gênero há quatro anos, quando tinha 20. Atualmente, pratica esportes individuais, como duatlo e triatlo, e joga rúgbi em um time LGBT. Questionado se teria facilidade de ser aceito em um time que não fosse do movimento, ele faz algumas ponderações.

- Tenho facilidade de misturar nos ambientes aonde vou. Os homens trans têm essa facilidade. Quando estão no ponto mais avançado da transição, não precisam sair do armário para as pessoas. Acho que não teria tanto problema quanto a isso. Tenho homens gays no meu time que jogam em outros times que não são LGBT. Mas sempre tem uma barreira. No meu caso, teria medo de violência - conta Thomas, que não toma banho junto com os colegas de time no vestiário justamente por conta desse receio.

Apesar disso, ele reconhece que falar sobre transexualidade se tornou bem mais acessível recentemente. E acredita em uma evolução do esporte de alto nível para atletas que fazem a transição.

- As pessoas trans em épocas anteriores à minha tinham preocupações muito mais emergenciais do que fazer esporte. Hoje em dia, elas têm mais acesso à cidadania, então, há mais atletas jovens. Acho que quando outras questões sociais forem avançando, haverá mais atletas trans de alta performance. Por enquanto, são poucos.

Nos vemos em Tóquio!

Para a pesquisadora Joanna Harper, é bem provável que o Japão seja palco da inédita participação de um atleta transgênero em Jogos Olímpicos. Ela aposta na levantadora de peso neozelandesa Laurel Hubbard, medalhista de prata no Mundial de 2017. Também acredita em Tifanny (“desde que a equipe tenha a mente aberta o suficiente para aceitá-la”).

Mas há outra jogadora de vôlei traçando jornada semelhante à da brasileira. A norte-americana Tia Thompson, que recebeu no ano passado autorização da federação local para participar de competições do circuito feminino. Ela se tornou a primeira atleta feminina abertamente transgênero reconhecida pela entidade. Coincidentemente, ela tem 33 anos, como Tifanny.

Tia Thompson

Tia Thompson

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Tia Thompson Divulgação

Confira abaixo a entrevista que a jogadora, que mora em Hauula, no Havaí, concedeu ao LANCE!:

Primeiro, fale um pouco sobre sua história. Desde quando você pratica esporte e quando decidiu que gostaria de competir entre as mulheres?
Aloha! Comecei a jogar vôlei com 5 anos de idade. Comecei a fazer a transição aos 18 anos, iniciando a terapia hormonal aos 20. Faz mais de 12 anos que faço terapia hormonal. Comecei a competir na divisão feminina há quatro anos, em 2014, e amei essa mudança.

Como os homens costumavam vê-la na quadra? Eles achavam que você era gay, algo muito comum entre os atletas trans? Você sofreu de algum tipo de preconceito?
Quando eu joguei na divisão masculina, antes de 2014, as equipes contra quem jogava já me viam como uma mulher, não como um homem gay, porque eu já havia feito a transição, com cabelo comprido, seios... Eu já tinha características muito femininas. Todos usavam pronomes femininos quando se dirigiam a mim (ela, dela, etc). Meus companheiros de equipe também me respeitavam como mulher porque eu era capitã da equipe. Se você é um homem e se sente atraído por homens, você é gay. Quando você é uma mulher transgênero e se sente atraída por homens, você é considerada heterossexual. Morando no Havaí, sofri um pouco de preconceito na divisão feminina porque essas pessoas não foram educadas sobre questões de transgêneros. No entanto, acompanhei o protocolo da federação e passei pelas etapas e pelos procedimentos necessários, e acredito que isso ajudou muito a manter o foco nos meus objetivos.

E quando foi a primeira vez que você entrou em uma quadra de vôlei como uma mulher trans? Qual foi o sentimento, a reação do público? Poderia falar um pouco sobre esse dia?
Meu primeiro torneio oficial como jogadora feminina trans foi em julho de 2014, no maior torneio de vôlei do Havaí. Conseguimos o primeiro lugar nas eliminatórias, mas ficamos em terceiro lugar na classificação geral, perdendo na semifinal. A reação do público foi bem favorável. Na maioria das vezes, todos estavam muito animados comigo, me dando os parabéns pelo esforço da equipe no torneio. Aqui no Havaí, as atletas mulheres trans parecem atletas biológicas do sexo feminino. Não nos parecemos com homens jogando na divisão feminina e acho que isso é um fato importante para sermos aceitos no vôlei feminino.

No caso de Tifanny, ela fez a transição de gênero aos 30 anos, razão pela qual muitas pessoas a acusam de se beneficiar de uma história de desenvolvimento masculina.
Eu entendo por que as pessoas estão reclamando dela, que iniciou sua transição relativamente tarde. No entanto, se ela seguiu o protocolo adequado e preencheu todos os requisitos para uma atleta trans, deveria poder competir na divisão feminina sem preconceitos. Para mim, comecei a fazer a transição aos 18 anos, mais de 15 anos atrás. Além disso, nunca joguei em uma liga profissional masculina, como a Tifanny. Essa é a diferença entre nós duas.

Que diferenças do ponto de vista atlético você notou após a transição? Você poderia me dar um exemplo do que você acha que melhorou ou piorou no seu jogo?
Eu sempre fui um indivíduo atlético. Após a transição, não conseguia me mover tão rapidamente e pular tão alto quanto fazia antes da terapia hormonal. Isso realmente fez meu corpo pagar um preço no desempenho na quadra de vôlei.

Você joga vôlei indoor e de praia. Mas o seu desejo é estar nos Jogos Olímpicos de 2020 na quadra, certo?
Eu jogo principalmente vôlei de quadra. Tentei a praia duas vezes e não consegui me adaptar. Então, sim, meu objetivo é estar com a equipe olímpica feminina dos EUA em Tóquio-2020. Também espero que a Tifanny esteja na equipe do Brasil. Seria incrível competir contra ela.

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