Medina tenta se aproximar do tri mundial na etapa da França do WCT

A três etapas do fim da temporada, ranking é dominado pelo paulista, que subiu três posições com o título em Lemoore. Ele travará disputa acirrada com Filipe Toledo (2º)

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Embalado pela conquista do título na piscina de ondas de Kelly Slater, em Lemoore, Gabriel Medina tentará se aproximar do tricampeonato mundial na etapa de Hossegor, na França, do Circuito Mundial. O evento tem início nesta quinta-feira. A primeira chamada acontecerá às 4h (de Brasília).

Restam apenas três etapas para o fim da temporada e o Brasil tem grandes perspectivas de encerrar o ano no topo. O bicampeão mundial subiu três posições após o feito nos Estados Unidos e lidera o ranking, com 44,695 pontos. Filipe Toledo é o segundo, com 44,400. Ambos abriram vantagem na dianteira da corrida e apenas dois surfistas brigarão pela ponta com eles na França: o sul-africano Jordy Smith (3º) e o americano Kolohe Andino (4º).

Medina volta a vestir a lycra amarela que só usou na primeira etapa do ano, quando a passou para o potiguar Italo Ferreira, campeão em Gold Coast, na Austrália. Assim como nos temidos tubos de Teahupoo, no Taiti, Gabriel tem ótimo retrospecto em um dos beach breaks mais poderosos do mundo. Foi na França que ele surgiu em uma competição paralela à etapa francesa e chamou a atenção de Kelly Slater, impressionado com os aéreos que ganharam várias notas 10 na bateria final.

Naquele mesmo ano de 2009, o novo fenômeno do surfe mundial se tornou o mais jovem da história do WQS (divisão de acesso ao WCT) a vencer uma etapa, com apenas 15 anos, batendo o ídolo da época, Neco Padaratz, na casa dele na Praia Mole de Florianópolis (SC). Com 17, Medina entrou na elite mundial no meio da temporada 2011 e já conquistou sua primeira vitória em seu segundo evento competindo contra os melhores surfistas do mundo. Foi lá mesmo em Hossegor, derrotando o australiano Julian Wilson na final.

Depois, ele decidiu o título na França mais quatro vezes, quase ano sim, ano não. Em 2013, perdeu para Mick Fanning, mas em 2015 iniciou uma série de três finais seguidas. Ela começa com Medina bicampeão contra outro australiano, Bede Durbidge. Em 2016, era o favorito contra Keanu Asing, só que o havaiano conseguiu sua única vitória no CT, mas em 2017 festejou o tricampeonato contra outro havaiano, Sebastian Zietz. No ano passado, Julian Wilson vingou aquela derrota de 2011, barrando o fenômeno nas semifinais. E nos outros dois anos, 2012 e 2014, ficou em quinto lugar nas quartas de final.

Filipe Toledo entrou no CT dois anos depois do bicampeão mundial e seu melhor resultado em Hossegor foi logo em sua primeira temporada na elite em 2013, quando ficou em terceiro lugar, caindo nas semifinais para o próprio Medina. Em 2014, perdeu outro duelo brasileiro para o potiguar Jadson André e terminou em nono lugar. Depois, não passou nenhuma bateria em 2015, em 2016 ficou em quinto nas quartas de final, em 2017 terminou em último de novo e em 2018 só venceu uma bateria, acabando em 17º lugar.

BRIGA PELA LIDERANÇA

Entre os quatro concorrentes pela ponta do ranking na etapa francesa, o primeiro a competir será o californiano Kolohe Andino, que ocupa a quarta posição e já necessita da vitória em Hossegor para ultrapassar a pontuação de Medina. Ele está na terceira bateria com o catarinense Yago Dora e o italiano Leonardo Fioravanti voltando de contusão.

O sul-africano Jordy Smith, terceiro do ranking, entra na seguinte com o havaiano Jordy Smith e um dos franceses convidados para esta etapa, Jorgann Couzinet. Para superar Medina, Jordy precisa no mínimo de um quinto lugar, ou seja, chegar nas quartas de final.

Já a disputa entre o líder e Filipe Toledo é fase a fase, então ficará na frente quem obtiver o melhor resultado na França. O vice-líder do ranking estreia na quinta bateria contra dois franceses, Joan Duru e Marc Lacomare. Já Medina volta a competir com a lycra amarela no confronto seguinte, contra o cearense Michael Rodrigues e outro convidado da França, o jovem Marco Mignot.

Mineirinho está fora da temporada

A Seleção Brasileira não terá mais o seu capitão nesta temporada. O campeão mundial Adriano de Souza voltou a sentir a contusão no joelho sofrida no ano passado e já anunciou em suas redes sociais, que só voltará ao Circuito em 2020. Com isso, o também paulista Caio Ibelli, vai substituir Mineirinho no time verde-amarelo nestas três últimas etapas do ano. Caio será o primeiro brasileiro a competir na França, junto com Italo Ferreira na segunda bateria, completada pelo português Frederico Morais.

Na rodada inicial, os dois primeiros colocados de cada confronto avançam direto para a terceira fase, enquanto os últimos terão outra chance de classificação também em baterias com três competidores na segunda fase. É assim também na categoria feminina, com a diferença de que, as meninas que passarem pela primeira fase, já estarão nas oitavas de final. Assim como no masculino, apenas as quatro primeiras colocadas no ranking vão brigar pela liderança na França.

Carissa Moore sobra

No feminino, a tricampeã mundial Carissa Moore conseguiu boa vantagem sobre a vice-líder nesta reta final da temporada. A californiana Lakey Peterson tem que passar uma fase a mais do que a havaiana para assumir a ponta, ou seja, começa o evento na França precisando chegar nas quartas de final. Isso desde que Carissa fique em último, o que é bastante improvável de acontecer para a havaiana, que chegou nas semifinais em todos os oito anos que competiu em Hossegor.

É um retrospecto ainda mais impressionante do que o de Gabriel Medina. Em sua estreia em 2011, já chegou na decisão do título, vencida pelo furacão australiano da época, Stephanie Gilmore. Depois, Carissa parou nas semifinais em 2012, 2013, 2014, 2015, até conseguir sua primeira vitória em 2016 e já emendar um bicampeonato em 2017. No ano passado, voltou a parar nas semifinais, perdendo apenas para a campeã, a americana Courtney Conlogue. A havaiana estreia na terceira bateria, com a australiana Nikki Van Dijk e a taitiana Vahine Fierro.

Peterson, que assumiu a vice-liderança com a vitória espetacular no Surf Ranch, entra antes dela, na segunda bateria com as australianas Bronte Macaulay e Macy Callaghan. A terceira colocada, Sally Fitzgibbons, já precisa chegar na final para superar a pontuação atual da líder Carissa. A australiana foi escalada na primeira bateria, com a costa-ricense Brisa Hennessy e a neozelandesa Paige Hareb.

A outra concorrente pela lycra amarela na França é a heptacampeã Stephanie Gilmore. Ela ocupa a quarta posição no ranking e sua única chance é a vitória na etapa. Além disso, Carissa terá que ficar em último lugar, pois se passar uma bateria apenas, já tira a recordista de títulos mundiais da briga em Hossegor.

As brasileiras estão em outra batalha, para ficar entre as dez primeiras colocadas no ranking que são mantidas na elite das top-17 que participam do CT. A gaúcha Tatiana Weston-Webb defende a oitava posição, enquanto a cearense Silvana Lima está em 13º lugar, fora da zona de classificação no momento. As duas também travam uma disputa particular contra a neozelandesa Paige Hareb, 16ª do ranking, pelas vagas para as Olimpíadas de Tóquio-2020 no Japão. Tatiana está praticamente garantida, mas Silvana não.

O ranking feminino do WCT 2019 vai classificar oito surfistas, mas só duas de cada país. No momento, as indicadas estão sendo Carissa Moore e Lakey Peterson pelos Estados Unidos, Sally Fitzgibbons e Stephanie Gilmore pela Austrália, Tatiana Weston-Webb e Silvana Lima pelo Brasil, Johanne Defay pela França e Brisa Hennessy pela Costa Rica.

Entre os homens, são dez indicados e os que estão se classificando para brigar por medalhas na estreia do surfe como esporte olímpico, são os líderes do ranking, Gabriel Medina e Filipe Toledo pelo Brasil, Jordy Smith pela África do Sul, Kolohe Andino e John John Florence pelos Estados Unidos, Kanoa Igarashi pelo Japão, Owen Wright e Julian Wilson pela Austrália e Michel Bourez e Jeremy Flores pela França. A disputa ainda está aberta e essas três últimas etapas da temporada irão definir a relação final dos classificados para Tóquio-2020.