Lance COB pressiona e repara 'injustiça histórica' com medalha a brasileiro

COB pressiona e repara 'injustiça histórica' com medalha a brasileiro

Cláudio Roberto de Sousa correu a eliminatória do 4x100m rasos nos Jogos de Sydney-2000, mas nunca recebeu o prêmio; COI acata pedido do COB 

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O brasileiro Cláudio Roberto de Sousa celebra o fim de uma espera de 20 anos. Na semana passada, ele recebeu a informação do COI (Comitê Olímpico Internacional) de que receberá sua medalha olímpica de prata, conquistada no revezamento 4x100m rasos do Brasil nos Jogos Olímpicos de Sydney-2000. Após pedido de reavaliação do caso por parte do COB (Comitê Olímpico do Brasil), ele ganhará o prêmio que não lhe foi entregue há duas décadas por causa de uma falha da organização do evento.

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À época, o velocista piauiense disputou as eliminatórias da prova, mas acabou não sendo premiado pelo Comitê Organizador. Na final, Vicente Lenílson, Edson Luciano, André Domingos e Claudinei Quirino conquistaram a prata, atrás dos Estados Unidos e à frente de Cuba.

"Vamos reparar uma injustiça histórica. Sempre o consideramos medalhista olímpico, mas faltava ao Cláudio receber a medalha que lhe é de direito. Sua participação naquele revezamento foi fundamental para o Brasil chegar à decisão e depois conquistar a medalha de prata," afirma o presidente do COB, Paulo Wanderley.

Cláudio, hoje com 46 anos, contou que nunca desistiu de receber a medalha.

"Eu tenho orgulho daquele time ter ganhado a medalha. Eu fiz parte dele, corri com eles. São vinte anos a espera dessa carta. Eu só tenho a agradecer," disse Cláudio Roberto.

E completou.

"Não posso deixar de ressaltar a importância do COB que foi o mediador dessa situação, em contato com o Comitê Olímpico Internacional, reivindicando essa medalha. O COB foi fundamental para que essa medalha chegasse até a mim. Agradeço ao nosso presidente, Paulo Wanderley, que me ligou para dar os parabéns, ao diretor Jorge Bichara, que foi muito resiliente na busca dessa medalha, e a todos que de alguma maneira contribuíram para esse momento. Agradeço muito pelo interesse de todos em resolver essa história".

O presidente da Confederação Brasileira de Atletismo, Warlindo Carneiro Filho, elogiou a postura de Cláudio até que a história chegasse ao desfecho positivo.

"Parabenizo o Claudinho, uma pessoa sensacional, pela tranquilidade com que esperou. Parabenizo o André Domingos, que fez uma homenagem ao Cláudio com a réplica da medalha entregue em 2017, na assembleia da CBAt. Parabenizo o COB pelo trabalho. Claudinho, que momento espetacular! Estamos todos felizes e emocionados com mais essa vitória do atletismo brasileiro", disse Warlindo Carneiro.

A busca pelo reconhecimento recomeçou em 2019, quando o vice-presidente do COB, Marco Antônio La Porta, se encontrou com Cláudio em Teresina, terra natal do atleta. O COB, através de carta da presidência, fez uma nova consulta sobre o assunto junto ao Comitê Olímpico Internacional. Depois de uma troca de mensagens, apresentação e análise de provas e documentos, o COI comunicou ao COB que concordava com o pedido e enviará a medalha até o fim do verão europeu desde ano, em setembro.

"Assim que o COB receber a medalha enviada pelo COI, providenciaremos uma cerimônia de entrega da medalha à altura do feito do Cláudio Roberto. O Comitê tem trabalhado para valorizar a memória do esporte olímpico brasileiro e, sem dúvidas, essa homenagem fará jus a um dos grandes velocistas do Brasil", completou Paulo Wanderley.

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Cláudio foi o responsável por fechar o revezamento brasileiro nas eliminatórias, ao lado de Vicente Lenilson, Edson Luciano e André Domingos, com o tempo de 38s32, segunda melhor marca daquela fase. A partir da semifinal, ele foi substituído por Claudinei Quirino, que manteve o alto nível do quarteto brasileiro até a decisão, quando foi superado o recorde brasileiro da prova (37s90). Agora, depois de 20 anos de espera, Cláudio terá a honra de colocar a medalha no peito, em cerimônia ainda sem data e local definido devido à pandemia da covid-19.

"A sensação de receber a medalha é maravilhosa. Eu busquei essa medalha durante anos e, de repente, ela vai chegar no meu peito. Nunca perdi a esperança, mas sempre conduzi de uma maneira tranquila. Esse é o meu jeito. Confesso que quando o André Domingos me deu uma réplica da medalha, parei de ir atrás, mas ao mesmo tempo com a esperança, acreditando que de alguma forma esse momento iria acontecer. Agora é esperar mais uns meses até essa medalha chegar até mim. Já tá confirmado, já é oficial e eu estou numa felicidade bem grande", comentou Claudinho.

A medalha olímpica será a coroação da carreira deste velocista piauiense, de 46 anos, que ainda tem no currículo a prata no Mundial de Atletismo, em Paris (França), e o ouro nos Jogos Pan-americanos de Santo Domingo (República Dominicana), ambas conquistadas em 2003. Atualmente, Cláudio Roberto integra o projeto Heróis do Atletismo, da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo), e busca formar novos talentos no projeto esportivo da Fundação Nossa Senhora da Paz, em Teresina (Piauí).

"O Cláudio foi um excelente atleta que sofreu com algumas lesões que atrapalharam a sua carreira, mas, sempre que esteve presente em grandes competições, se apresentou muito bem. Uma pessoa muito simples, do bem e querido por todos. Essa decisão faz justiça e traz uma felicidade a todo mundo que conhece o grande atleta que foi Cláudio Roberto de Sousa", disse o diretor de esportes do COB, Jorge Bichara.

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