Volta de torcida no Brasil causa preocupação entre especialistas

Infectologista Jean Gorinchteyn, do Emílio Ribas e do Albert Einstein, acredita que mesmo com 50% da capacidade o retorno de torcida exige estudo sério

Arena Corinthians cheia com torcdores no fim de 2019

Arena Corinthians cheia com torcdores no fim de 2019

Sidnei Sales/Folhapress - 16.11.2019

Dentre as incertezas sobre o que será do futebol brasileiro nos próximos meses, em razão do novo coronavírus, a situação dos torcedores é algo que vale um capítulo especial. Enquanto os especialistas alertam para os riscos, mas não chegam a demonstrar tanta preocupação com a saúde dos atletas, o mesmo não se pode dizer sobre os torcedores.

A visão é que estamos muito distantes de termos condições de receber fãs nos jogos. É preciso uma organização que ainda não foi demonstrada no futebol brasileiro. "Torcedor no estádio é um problema. Por mais que se reduza, por exemplo, em 50% a capacidade dos estádios, teremos que estudar uma logística de entrada e saída para evitar aglomeração. É natural existir um afunilamento nos portões e isso é extremamente perigoso", alertou o infectologista Jean Gorinchteyn, que trabalha no hospital Emílio Ribas e no hospital Albert Einstein, ambos em São Paulo.

Já Eliseu Alves Waldman, epidemiologista e professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), lembra que há relatos de jogos disputados antes da pandemia que se tornaram propagadores do vírus. O mais lembrado é o duelo entre Atalanta e Valencia, pela Liga dos Campeões da Europa, realizado no dia 19 de fevereiro, em Milão. O prefeito de Bérgamo, na Itália, chegou a dizer que a partida foi uma "bomba biológica", pois muitos presentes no estádio San Siro foram diagnosticados com a covid-19 pouco tempo depois.

"Há vários casos de pessoas que se contaminaram em grandes eventos. O torcedor pode se sentar dois metros de distância um do outro, algo que reduz drasticamente a contaminação, mas é preciso uma rígida disciplina nas entradas e saídas", alertou o epidemiologista, que entretanto lamenta não existir tal preocupação em outros setores.

"A preocupação com o distanciamento, infelizmente, não tem sido como deveria em vários lugares. É só ir ao mercado ou em feira livre para perceber isso", lamentou. Por enquanto, todas as federações estaduais e a Confederação Brasileira de Futebol, a CBF, estudam o retorno dos jogos, mas sem a presença de torcedores e não há nem projeção de quando eles poderão retornar aos estádios.

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