Corrupção na Fifa
Futebol Tudo o que você precisa saber sobre o escândalo de corrupção na Fifa

Tudo o que você precisa saber sobre o escândalo de corrupção na Fifa

Seis dirigentes foram presos nesta quarta-feira (27), entre eles o brasileiro José Maria Marin

Tudo o que você precisa saber sobre o escândalo de corrupção na Fifa

Fachada do prédio da Fifa, em Zurique, na Suíça

Fachada do prédio da Fifa, em Zurique, na Suíça

Getty Images

Seis dirigentes de futebol ligados à Fifa foram presos em um hotel em Zurique, na Suíça, na manhã desta quarta-feira (27), sob acusações de corrupção. Entre eles o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin. Os cartolas são suspeitos de lavagem de dinheiro, crime organizado e fraude eletrônica. A escolha das sedes das Copas de 2018 (Rússia) e 2022 (Qatar) também estão sob investigação.

Começo

As suspeitas de corrupção recaem sobre mais de R$ 476 milhões (US$ 150 milhões) que teriam sido movimentados nos últimos 24 anos e se referem a propinas, contratos de marketing, direitos televisivos e organização de torneios. O caso se tornou mais evidente após denúncias de compras de votos para a escolha das sedes dos próximos Mundiais.

No fim do ano passado, o advogado e ex-agente do FBI, Michael García, que conduziu o relatório do Comitê de Ética da Fifa na investigação das candidaturas de Qatar e Rússia, se demitiu do cargo ao questionar a transparência da própria entidade, que não divulgou o conteúdo completo do documento apresentado por ele. Na ocasião, a Fifa não apontou irregularidades na escolha das sedes e Garcia se demitiu do cargo.

Prisões

Os dirigentes da Fifa estavam reunidos em Zurique para o encontro anual da organização, marcado para sexta-feira (29), no qual o presidente Joseph Blatter buscaria um quinto mandato. Segundo o jornal The New York Times, policiais à paisana pegaram a chave dos quartos dos suspeitos na recepção do hotel Baur au Lac e, sem alarde, deram início às prisões. Marin foi visto deixando o local acompanhado por policiais, que carregavam sua mala e seus pertences em uma sacola plástica. A informação oficial das autoridades da Suíça é que os acusados detidos serão extraditados para os Estados Unidos.

Acusações

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos informou ter indiciado 14 pessoas por fraude, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha: nove dirigentes da Fifa e cinco executivos de empresas ligadas ao futebol.

Brasileiros

José Maria Marín, 83 anos, ex-presidente e atual vice-presidente da CBF. Também foi governador de São Paulo e defensor do regime militar.  

José Lázaro Margulies, 75 anos, chefe da empresa de transmissão de eventos esportivos Valente Corp. and Somerton Ltd. Ele é acusado de servir como intermediário para facilitar pagamentos ilícitos entre os executivos de marketing esportivo e autoridades do futebol.

José Hawilla, 71 anos, fundador e presidente do grupo Traffic. Jornalista, trocou as redações pelo mundo do empreendedorismo e fundou a maior empresa de marketing esportivo do Brasil. É proprietário de uma TV afiliada à Rede Globo no interior paulista. 

Teixeira e Del Nero

Presidente da CBF entre 1989 e 2012, Ricardo Teixeira não está entre os 14 indiciados pela Justiça. Contudo, a maior parte dos contratos investigados, assim como a escolha das sedes de 2018 e 2022 ocorreram durante a sua gestão. Atualmente o ex-dirigente reside em Miami, nos Estados Unidos.

Marco Polo Del Nero, à frente da CBF desde 16 de abril de 2015, quando Marín deixou o cargo, também não consta na lista de investigados. Del Nero se manifestou sobre o escândalo dizendo que os problemas vêm de “gestões anteriores”. Ele faz parte do Comitê Executivo da Fifa e presidiu a Federação Paulista de Futebol por 12 anos, de 2003 até o início de 2015.

Dirigentes

José Maria Marin: O vice-presidente da CBF era presidente da organização até o mês passado; tem fama de ter subido na carreira por ser “o homem certo no lugar certo”.

Eduardo Li: Presidente da Federação da Costa Rica de Futebol; ia integrar o comitê executivo da Fifa na sexta-feira (29).

Eugenio Figueiredo: Presidente da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol); o uruguaio também é membro do Comitê Executivo da Fifa.

Jeffrey Webb: Vice-presidente da Fifa e presidente da Confederação de Futebol da América do Norte e Caribe (Concacaf).

Julio Rocha: Presidente da Federação Nicaraguense de Futebol e membro do comitê de desenvolvimento da Fifa.

Costas Takkas: Ex-secretário-geral da Associação de Futebol das Ilhas Cayman e ligado à Concacaf.

Rafael Esquivel: Presidente da Federação Venezuelana de Futebol.

Pena

A pena para os executivos da Fifa e empresários de empresas de marketing esportivo acusados de corrupção pode chegar a 20 anos de detenção.

CBF

O Departamento de Justiça norte-americano cita a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no documento em que explica o motivo das prisões. As investigações incluem acusações sobre pagamento de suborno em relações ao contrato da CBF com uma grande marca esportiva americana (provavelmente a Nike) e também pagamentos em relação a contratos da Copa do Brasil.

E agora?

Segundo o porta-voz da Fifa, Walter De Gregorio, as prisões representam “um momento difícil” para a entidade. Contudo, os planos seguem como estão: o presidente Joseph Blatter, que não consta na lista de acusados, segue no cargo e as próximas Copas do Mundo vão continuar sendo na Rússia e no Qatar. De Gregorio confirmou também que a eleição presidencial da organização, na qual é esperado o quinto mandato de Blatter, vai ocorrer nesta semana.