Futebol Transparência ou continuidade: o que esperar de Caboclo na CBF?

Transparência ou continuidade: o que esperar de Caboclo na CBF?

Mandatário será empossado nesta terça-feira, no Rio de Janeiro. O LANCE! mostra o que esperar do novo 'homem forte' da confederação

caboclo, presidente, cbf, posse

A Confederação Brasileira de Futebol estará sob nova gestão a partir desta terça-feira. O paulista Rogério Langanke Caboclo, advogado e administrador de empresas de 46 anos, toma posse no Rio de Janeiro como presidente da máxima entidade do futebol brasileiro. O novo comandante terá pela frente o desafio de superar as desconfianças geradas pelos escândalos de corrupção das gestões anteriores e dar mais transparência aos atos decisórios do órgão.

Eleito para um mandato de quatro anos, Caboclo promete eficiência e integridade como pilares de seu trabalho na presidência. Para isso terá de provar que não é a figura da continuidade das gestões anteriores de Ricardo Teixeira, Jose Maria Marin e Marco Polo Del Nero, envolvidos no escândalo do Fifagate. O LANCE! mostra o que esperar da 'Gestão Caboclo'.

IMAGEM

Caboclo terá pela frente a difícil missão de mudar a imagem arranhada da CBF pelas trapalhadas na alta cúpula. Uma das figuras mais polêmicas da história recente foi o Antônio Carlos Nunes de Lima. Em janeiro de 2016, Coronel Nunes se tornou presidente interino após pedido de licença de Marco Polo Del Nero, investigado e posteriormente banido do futebol, após o escândalo de corrupção da Fifa. Apesar do cargo, rapidamente começou a chamar mais atenção pelas gafes nos bastidores do que pelo desempenho no comando do futebol brasileiro.

CAMPO MINADO

Caboclo terá de passar por um verdadeiro campo minado deixado pelas administrações anteriores. Envolvidas em escândalos de corrupção no Fifagate e em problemas com a Justiça brasileira, José Maria Marin foi condenado pela Justiça americana e banido do futebol. Marco Polo Del Nero não viaja para não ser preso fora do país e, posteriormente, também foi banido de qualquer atividade ligada ao esporte. Ricardo Teixeira renunciou em 2012, também acusado de corrupção. O presidente eleito jamais teve seu nome citado em qualquer investigação, mas terá de superar a desconfiança de ser o candidato da situação.

MORAL

Rogério Caboclo foi o responsável por controlar a crise gerada pelo voto de coronel Nunes que, contrariando o acordo das confederações filiadas à Conmebol, votou na candidatura do Marrocos à sede da Copa de 2026 e não no trio Estados Unidos/México/Canadá. Apesar disso, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, e o da Conmebol, Alejandro Dominguez, confirmaram participação na cerimônia de posse do dirigente brasileiro.

RESISTÊNCIA

O novo presidente da CBF teve início de atritos na entidade pela fama de negar pedidos de ajuda financeira vindos de clubes e federações. A vitória no último pleito teve grande ajuda do modelo de eleição, que só permite registro de chapas que tenham o aval de oito federações e cinco clubes. Além disso, uma mudança no estatuto da CBF que estabeleceu pesos diferentes nos votos do colégio eleitoral.

ROMÁRIO

O senador Romário é crítico declarado do presidente eleito da CBF. O Baixinho tentou impedir a posse de Caboclo através de uma liminar. Para o ex-atacante, o mandatário representa uma forma de manter no poder a "quadrilha" do ex-presidente Marco Polo Del Nero, que foi banido do futebol. A CBF se mantém tranquila e acredita que, devido aos pedidos anteriores terem sido desfavoráveis, a posse acontecerá normalmente.

CLUBES

A candidatura de Caboclo foi a única registrada nas últimas eleições da CBF com o aval de 25 federações e 37 clubes. Dos 60 votantes no pleito, houve uma ausência (Athletico-PR), uma abstenção (Flamengo) e um voto em branco (Corinthians). No discurso da vitória, o presidente declarou que "está plenamente comprometido com quem apoiou", irritando Andrés Sanchez, representante do Corinthians. A frase deixou os três clubes que não apoiaram o novo comandante da entidade preocupados com o futuro.

TRANSPARÊNCIA

Diante de tantos escândalos de corrupção recentes, Rogério Caboclo tem o desafio de comprovar que tem um perfil mais técnico e empresarial que seus antecessores. Apesar de não ter apresentado propostas publicamente, ele afirma que o diálogo será uma das portas para a evolução da relação dos clubes e federações com a entidade.

- Nossa gestão será marcada por dois pilares: eficiência e integridade. Acredito em processos e sou cumpridor de regras. Ser eleito presidente da CBF é uma honra e garanto que vou dialogar com todos e aplicar soluções com eficiência - declarou o novo presidente no dia em que foi eleito.

DESCONFIANÇA COM DINASTIA

Outro grande desafio de Caboclo é mostrar que não é mais do mesmo no comando da entidade. Da chapa eleita de vice-presidentes, quatro já estavam na casa: Fernando Sarney, coronel Nunes, Gustavo Feijó e Marcus Vicente. A eles se juntam Castellar Neto, Ednaldo Rodrigues, Francisco Novelletto e Antônio Aquino. Os males causados pela dinastia Teixeira-Marin-Del Nero também contaram com envolvimento de parte dos citados.

Negócio fechado! Veja as contratações do mercado da bola