Futebol Paulistão: Torcedores madrugam para levar cores às arquibancadas

Paulistão: Torcedores madrugam para levar cores às arquibancadas

Pequenos grupos de são-paulinos e palmeirenses entram nos estádios antes das partidas da final para colocar faixas e bandeiras

  • Futebol | Kaique Dalapola, do R7

Materiais das torcidas nas arquibancadas do Morumbi e do Allianz Parque

Materiais das torcidas nas arquibancadas do Morumbi e do Allianz Parque

Divulgação/Dragões da Real/TUP

Levantar de madrugada, organizar dezenas de faixas e bandeiras e, antes mesmo do dia amanhecer, chegar no estádio para enfeitar as arquibancadas para o jogo decisivo. Foi isso que aconteceu com um pequeno grupo de palmeisenses na última quinta-feira e se repetirá com são-paulinos neste domingo (23), no segundo e decisivo jogo da final do Paulistão 2021.

Há mais de um ano sem público, o que ainda sobrevive nos estádios de futebol são os materiais preparados pelas torcidas organizadas horas antes das partidas. E quanto mais decisivo for o jogo, mais faixas e bandeiras se fazem presentes representando os milhares de torcedores que queriam, mas, devido à pandemia, não podem acompanhar o time de perto.

"É o que restou para nós que vivemos a torcida organizada. É uma forma de matar a saudade. A faixa e a bandeira, quando a gente vê na televisão, nos sentimos representados no estádio. Sentimos que um pedaço da gente está lá dentro", disse Walace Alves do Nascimento, o Neguinho, vice-presidente da torcida Dragões da Real, do São Paulo.

Este domingo é o dia dele passar a madrugada acordado. A previsão é chegar antes das 5h com cerca de 60 bandeiras, 15 faixas, além de dois bandeirões da torcida organizada que vão levar ainda mais cores para avivar a aquibancada do Morumbi. O segundo e decisivo jogo entre São Paulo e Palmeiras começa só às 16h.

Materiais da TUP na primeira partida da final do Campeonato Paulista

Materiais da TUP na primeira partida da final do Campeonato Paulista

Divulgação/TUP

Na primeira partida da final, no Allianz Parque, foi Welington Sales de Oliveira, o Jackson, integrante da TUP (Torcida Uniformizada do Palmeiras), o responsável por ajudar a dar vida às arquibancadas do estádio. Para final do Campeonato Paulista, cada torcida teve a liberação de 15 pessoas para entrar no estádio e organizar os materiais.

Jackson conta que também conhece "muitos torcedores que se sentem representados com esse trabalho de amor, festa e incentivo ao verde que a TUP sempre tenta passar nas arquibancadas". Ele diz que a responsabilidade de levar o material ao Allianz gera um "sentimento de compromisso e lealdade com todos os demais torcedores da nossa Sociedade Esportiva Palmeiras".

O palmeirense destaca que todos esses materiais levados aos estádios neste período da pandemia podem demonstar ao poder público o quanto é importante, quando o público estiver novamente liberado, a liberação da festa completa nas arquibancadas, com bandeiras nos mastros liberadas.

"Com a pandemia, conseguimos demonstrar um pouco de como seriam as festas se muitos outros materiais fossem autorizados a entrar nos estádios. Em tempos normais, não poderíamos esticar tantas bandeiras assim como acontece hoje", disse Jackson.

Faixas da Dragões da Real em um dos jogos do São Paulo na pandemia

Faixas da Dragões da Real em um dos jogos do São Paulo na pandemia

Divulgação/Dragões da Real

As tradicionais bandeiras tremulando entre os torcedores são proibidas pela Lei 9.470, de 1996. Essa lei foi criada um ano depois da briga generalizada envolvendo torcedores justamente de São Paulo e Palmeiras, no episódio que ficou conhecido como a Batalha do Pacaembu.

O confronto dentro do campo, depois de um clássico pela final da Supercopa São Paulo de Juniores, deixou 101 feridos e um morto, e mudou definitivamente os rumos das torcidas organizadas paulistas.

Nos anos seguintes, as organizadas do Estado de São Paulo passaram por duras proibições, que abalaram a estrutura de muitas, ocasionou o fim de algumas agremiações e as arquibancadas nunca mais puderam ter todos materiais necessários para festa completa. Para Jackson, esse foi o momento mais duro para sobrevivência das torcidas paulistas.

Já o vice-presidente da organizada são-paulina acredita que o atual período de pandemia é o mais desafiador para as torcidas. "Hoje é o momento mais difícil da história da Dragões e acredito que da maioria das torcidas organizadas do país. Sem jogo não tem o que fazer. Está mais difícil do que quando as torcidas organizadas foram banidas, em 1995".

Por outro lado, o integrante da TUP avalia que, embora estejamos vivendo os momentos mais duros como sociedade, "cada torcida se manteve viva mesmo com fechamento de sede, das atividades que era acostumada a fazer diariamente, e serviu ainda para fazer eventos solidários ajudando as quebradas em geral".

Sendo ou não a pior fase para as torcidas organizadas, o fato é que as bandeiras ainda não podem ser tremuladas e as arquibancadas seguem em silêncio por causa do coronavírus. No entanto, "cada material levado traz uma história de velhos e novos torcedores", conforme disse o Jackson. Além disso, "os jogadores veem as faixas, associam que os torcedores passaram por ali, e sabem que aquele material é um pedaço de nós que não pode estar lá", de acordo com Neguinho.

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