Futebol Palmeiras e São Paulo apostam em estrangeiros para vencer Paulista

Palmeiras e São Paulo apostam em estrangeiros para vencer Paulista

Abel Ferreira e Hernán Crespo comandam equipes na decisão, que terá pela primeira vez dois técnicos de fora do Brasil

  • Futebol | Eugenio Goussinsky, do R7

Crespo chegou ao São Paulo em fevereiro último

Crespo chegou ao São Paulo em fevereiro último

Marcello Zambrano/Agência Estado/29-04-21

A final do Campeonato Paulista de 2021 mostrou que o futebol é mesmo surpreendente. Não pelo fato de os dois finalistas serem São Paulo e Palmeiras, que fazem o primeiro jogo nesta quinta-feira (20), às 21h30, no Allianz Parque.

Abel está no Palmeiras desde novembro de 2020

Abel está no Palmeiras desde novembro de 2020

Fábio Moraes/Agência Estado/14-05-21

A final surpreende dois técnicos estrangeiros à frente das equipes: Abel Ferreira, contratado em novembro de 2020 pelo Verdão, e Hernán Crespo, que chegou em fevereiro de 2021 ao Tricolor.

Por todo o clima de rivalidade histórica que o clássico carrega, trazendo boa parte da formação cultural da cidade de São Paulo, o jogo deixou pequena, nesta situação, até a tão badalada Copa Libertadores da América, que viu as duas equipes entrarem com times considerados reservas na última rodada.

No clássico desta quinta, denominado, Choque Rei, o Palmeiras venceu seis decisões do Paulista e um de Brasileiro em confronto com o São Paulo. No Paulista, os títulos vieram em 1933, 1942, 1944, 1950 e 1972. E o do Brasileirão ocorreu em 1973.

Já o São Paulo superou o São Paulo nos Paulistas de 1943, 1971 e de 1992, quando ocorreu a única final de campeonato entre as duas equipes, realizada em dois jogos. Esta, portanto, será a segunda final e a nona decisão entre ambos.

O São Paulo moderno foi fundado em 1935, em homenagem à cidade de São Paulo. Daí as suas três cores, relativas à bandeira paulista: vermelho, preto e branco. Sete anos após sua fundação, se impôs como uma das forças do futebol no Estado ao conquistar o Paulista de 1943, campeonato em que se falava que a moeda cairia em um dos lados, Corinthians ou Palmeiras.

E, ao empatar com o Palmeiras, em uma das decisões (não era uma final), por 0 a 0, evitou que o rival conquistasse o bicampeonato, já que, com o resultado, permaneceu na terceira colocação da classificação geral. E o São Paulo terminou como líder e campeão, com o craque argentino Sastre, ídolo do Independiente, atuando só para fazer número, após se contundir no início do jogo. Os são-paulinos, com o título, ironizaram a frase sobre a moeda e passaram a dizer que naquela vez a "moeda tinha caído em pé".

Foi o início da rivalidade mais intensa entre São Paulo e Palmeiras.

Desde que passou a ser chamado de Palmeiras, em 1942, o clube paulista se tornou um símbolo da colônia italiana, mesmo depois tendo adquirido adeptos de todos os segmentos sociais. Passou a ter o uniforme formado apenas pelo verde e branco, naquele ano, quando alterou suas cores originais, colocadas para homenagear a bandeira italiana que, além do verde e do branco, tem uma faixa vermelha.

A ideia, naquele momento, era desvincular o clube de sua ligação única com a Itália, com os dirigentes buscando mostrar que se tratava de uma agremiação brasileira, naquele momento em que o fascismo começava a ser combatido, antes do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

E, desde a sua fundação, em 1914, o Palmeiras teve 23 estrangeiros como técnicos. São eles:

Adriano Merlo (Itália, 1920, 1926 e 1929); Attilio Fresia (Itália, 1921); Dante Vagnotti (Itália, 1922 e 1927); Renzo Mangiante (Itália, 1926 e 1927); Emeric Hirchel (Hungria, 1929); Humberto Cabelli (Uruguai, 1930, 1932 a 1933 e 1934 a 1935); Eugênio Medgyessy, o Marinetti (Hungria, 1929 a 1930 e 1932); Ramon Platero (Uruguai, 1934 e 1938 a 1939); Carlos Viola (Uruguai, 1935); Ventura Cambón (Uruguai, entre 1935 e 1957); Caetano de Domenico (Itália, 1940 a 1941); Conrado Ross (Uruguai, 1946); Felix Magno (Uruguai, 1948); Segundo Villadoniga (Uruguai, 1949); Jim Lopes (Argentina, 1950); Abel Picabéa (Argentina, 1952); Ondino Vieira (Uruguai, 1953); Armando Renganeschi (Argentina, 1961); Filpo Núñez (Argentina, 1964 a 1979); Fleitas Solich (Paraguai, 1966); Alfredo Gonzalez (Argentina, 1968); Ricardo Gareca (Argentina, 2014) e Abel Ferreira (Portugal, desde 2020).

No São Paulo, os técnicos estrangeiros foram os seguintes, contando com os da época do São Paulo da Floresta, antes de 1935.

Ramón Platero (Uruguai, 1930 e 1940); Tito Rodrigues (Argentina, 1938); Eugênio Medgyessy, o Marinetti (Hungria, 1932-1933); Ignác Amsel (Hungria, 1939); Conrado Ross (Uruguai, 1942-1943); Joreca (Portugal, 1943–1947); Jim López (Argentina, 1953–1954); Armando Renganeschi (Argentina, 1958–1959); José Poy (Argentina de 1964 a 1983); Pablo Forlán (Uruguai, 1990); Darío Pereyra (Uruguai, 1997–1998); Roberto Rojas (Chile, 2003); Juan Carlos Osorio (Colômbia, 2015); Edgardo Bauza (Argentina 2016); Diego Aguirre (Uruguai, 2018) e Hernán Crespo (Argentina, desde 2021).

Nesta final, com Abel Ferreira e Hernan Crespo, no banco, será a primeira vez, depois de 46 anos, que um estrangeiro será camepeão paulista. O último havia sido o argentino José Poy, que se sagrou campeão estadual em 1975, comandando o São Paulo nas finais contra a Portuguesa, pouco mais de um mês depois do nascimento de Crespo.

Antes de Poy, apenas seis estrangeiros haviam sido campeões paulistas como técnico: Humberto Cabelli (Uruguai, 1933-1934); Caetano de Domenico (Itália, 1940); Joreca (Portugal, 1943-1945-1946); Ventura Cambón (1944); Jim López (1953) e Béla Guttmann (1957). Todos eles, curiosamente, pertenciam ao São Paulo ou ao Palmeiras.

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