Milton Cruz credita momento ruim do São Paulo à gestão de Leco

Hoje no Figueirense, ex-auxiliar são paulino diz que as fracas campanhas do clube nos últimos anos são reflexos do trabalho do atual presidente

Milton Cruz se diz feliz no Figueirense: "Quero permanecer muito tempo aqui"

Milton Cruz se diz feliz no Figueirense: "Quero permanecer muito tempo aqui"

Luiz Henrique/Figueirense FC - 9.2.2017

Milton Cruz deixou São Paulo o São Paulo no início de 2016, após 23 anos como funcionário do clube — mais outros sete como jogador do time. Hoje, ele é treinador do Figueirense, um dos dois times invictos neste início de temporada no País, juntamente com o Palmeiras.

Mas a sua saída da equipe tricolor paulista, determinada pelo presidente Carlos Augusto Barros e Silva, o Leco, expôs o desentendimento entre o ex-auxiliar e o mandatário são-paulino.

“Nunca quis deixar o São Paulo, porque estava há muito tempo, tinha estrutura, eles (dirigentes) não faziam nada sem me consultar. Nunca quis sair abandonar o clube. Aí, o Leco não quis que ficasse, é um direito dele. A gente tem que acatar”, revelou Milton Cruz.

Responsável pela descoberta de vários talentos da base — como o meia Kaká, que recentemente anunciou a aposentadoria dos gramados —, o técnico acredita que a forma como o presidente está gerindo o clube e é a causa dos fracassos em campo do São Paulo nas últimas temporadas.

“O São Paulo sempre foi um exemplo de clube. O time que todos queriam copiar. Agora não é um momento muito bom. Acho que as pessoas passam e o clube fica. Trabalhei com outros presidentes, treinadores, conselheiros, me dou bem com todos eles. O único problema que tive foi esse com o Leco. Ele tem um pouco de ciúme, inveja pela minha proximidade com os dirigentes”, declarou o técnico.

A forma como foi demitido do São Paulo deixou uma marca negativa em Milton Cruz. “O são Paulo sempre foi soberano, valorizou os profissionais. Foram 30 anos de história. Fui campeão brasileiro, da Libertadores, campeão do mundo. Revelei jogadores, dei um grande retorno para o clube. O Leco não vai apagar isso”, desabafou.

O R7 procurou o São Paulo, mas o clube, por meio de sua assessoria de imprensa, disse que não tem interesse em falar sobre as críticas feitas por Milton Cruz ao presidente Leco.

Desafios no Figueirense

Desde agosto de 2017, Milton Cruz comanda o Figueirense e frisa que está muito feliz no clube catarinense. Após um início difícil na segunda metade da temporada passada, o técnico engatou uma boa sequência neste início de ano e sonha com o acesso à Série A do Brasileirão.

“O intuito é esse. Fazer um trabalho para levar o Figueirense para a Série A. O clube é bem estruturado, a cidade (Florianópolis) é maravilhosa. O objetivo nosso é esse”, destacou.

Milton Cruz credita o sucesso deste início de ano à remodelagem do elenco, com a mescla entre jovens promessas e  nomes experientes — casos dos meias Jorge Henrique (ex-Botafogo e Corinthians), Marco Antônio (ex-Grêmio e São Paulo), do atacante Maikon Leite (ex-Santos e Palmeiras) e do goleiro Denis (ex-São Paulo).

O técnico faz boa campanha com a equipe catarinense neste início de temporada

O técnico faz boa campanha com a equipe catarinense neste início de temporada

Divulgação/Figueirense FC

Outro ponto fundamental para o bom rendimento do time, de acordo com Milton Cruz, é o sistema de rodízio de jogadores, estratégia semelhante à utilizada por Juan Carlos Osório no São Paulo, em 2015.

Milton admite que a influência do mexicano na tática (ele chegou a receber um convite para trabalhar com o treinador no México), mas enfatiza que o desgaste físico pelo calendário do futebol brasileiro teve mais peso na decisão de "rodar" o elenco.

“Em 17 dias, fizemos seis jogos. É muito pouco tempo. Tem as viagens. É um desgaste e, em cima disso, temos feito esse rodízio. O time mantém o mesmo padrão, não cai. Jogamos com atletas descansados. Até porque os campos aqui não são muito bons. Estamos em primeiro lugar, seis pontos à frente da Chapecoense. Tem dado resultado”, frisou.