Luxemburgo sobre volta do futebol: 'Minha preocupação é com saúde'

Palmeiras voltou aos treinos nesta semana respeitando o isolamento e o treinador falou pela primeira vez desde a parada do esporte em março

Luxemburgo prega respeito às determinações que quem cuida da saúde

Luxemburgo prega respeito às determinações que quem cuida da saúde

Divulgação Agência Palmeiras - 14.3.2020

Em meio à pandemia do novo coronavírus, a discussão sobre a volta ou não do futebol virou um dos assuntos mais comentados do momento. O técnico do Palmeiras, Vanderlei Luxemburgo foi muito claro sobre o que pensa, em entrevista coletiva realizada nesta quarta-feira, via vídeo conferência.

“As pessoas estão muito preocupadas com futebol, como se fosse a máquina que fosse mover o mundo. A minha preocupação é com o momento mundial, com a saúde, com óbito de pessoas, a letalidade do vírus. O que temos de pensar é como vai acabar com o vírus e o futebol só está dentro desse esquema”, afirma o treinador.

Luxemburgo fez questão de falar que o momento é de respeitar as determinações dos profissionais que entendem do assunto. Opiniões só criam discussões e não levam a lugar nenhum. “Sou uma pessoa que se posiciona. Mas não vejo o momento certo. O maior posicionamento é o número de mortes. A medida é isolamento. Não tem outra solução. Tem que se posicionar quando tem uma solução, se não só vira discussão. ”

Adaptação de treinos

O elenco do Palmeiras voltou das férias na última segunda-feira, mas cada um nas suas casas. As sacadas e quintais dos atletas viraram o campo de treinamento e tudo acompanhado pela comissão técnica. Atividades com horários regrados e com determinações a serem seguidas.

“Durante as férias passamos um planejamento para os atletas. Mas eram férias. A partir de agora não. Então, criamos uma ferramenta que fomos na casa do atleta. Todos treinando ao mesmo tempo. O olho-no-olho faz falta. Mas temos de nos adaptar. Estamos cada um em sua casa, mas juntos. Todos têm de cumprir as determinações do grupo, como se fosse no CT”, explica Luxemburgo.

No período de afastamento, o técnico falava com os jogadores de duas a três vezes por semana. Com a preocupação de manter o contato e saber como todos estavam. “Falamos muito entre nós. Todos estavam preocupados com pais, avós. Mas também falamos das crianças para que ninguém precisasse de hospital nesse momento tão difícil. Foi importante esse contato direto”, diz o treinador.

Além dessa conversa com os atletas, Luxemburgo trabalhou analisando jogos e como mudar o time. Mas não quis contar para os jornalistas o que descobriu em todo esse estudo. “O resultado da análise é nosso. Não tem como passar para vocês, né?”, brinca o palmeirense.

Mudança de vida

Além de trabalhar, Luxemburgo acredita que o momento em que ficou em casa também está o ajudando a repensar a vida.

“Me sinto triste e incomodado em ver como somos vulneráveis. Como nos preocupamos com coisas desnecessárias e quando chega um momento desse não sabemos o que fazer. Estou acostumado com tudo na mão. É um reaprendizado de como devemos viver quando tudo isso acabar”, desabafa.

Ele está em isolamento com a mulher e uma das filhas. As outras ficaram cada uma em suas casas, com filhos e maridos.

“Temos uma preocupação muito grande com a higienização de tudo e com sair pouco de casa. Desde o começo converso com minha família sobre isso. Porque jovem acha que nada acontece com ele. Minha família está aprendendo a se reunir. Repensamos a nossa vida. O quanto é gostoso você se sentar numa mesa, conversar e ficar juntos”, conta Luxamburgo.

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