Futebol de várzea
Futebol Lazer, comércio e ações sociais: como a várzea ajuda bairros de SP

Lazer, comércio e ações sociais: como a várzea ajuda bairros de SP

Além de movimentar dinheiro entre principais equipes e competições, futebol amador agrega outros valores a bairros periféricos paulistanos

Futebol de várzea

Jogos nas principais copas da várzea são garantia de lazer nas comunidades paulistanas

Jogos nas principais copas da várzea são garantia de lazer nas comunidades paulistanas

Edu Garcia/R7

Parte viva das metrópoles brasileiras há décadas, o futebol de várzea é uma ferramenta cultural importante para os bairros e comunidades das capitais brasileiras.

“Quando você pensa nos extremos, numa comunidade onde não existe lazer, o time de várzea acaba sendo importante, porque é a diversão do fim de semana”, afirma Lucas Ribeiro, jornalista que acompanha o futebol de várzea há cinco anos.

Veja também: Várzea? ‘Liga’ do futebol amador desembolsa R$ 1,5 milhão em 2018

“Os times do futebol de várzea estão muito conectados com sua comunidade”, diz Ribeiro.

“Para a maioria [das pessoas ligadas à várzea], [o time] não é nem a segunda paixão, é a primeira”, garante Sérgio ‘Pioneer’, organizador da Super Copa Pioneer, um dos mais importantes campeonatos amadores de São Paulo.

“É importante para o bairro, para os jogadores, para toda a comunidade. É uma alegria que tem em todo final de semana. Isso ajuda muito [a comunidade], principalmente as partes mais carentes, que não têm como se divertir aos finais de semana”, diz Sérgio.

Importância para o comércio dos bairros

Além de movimentar dinheiro entre os principais clubes e competições, o futebol de várzea ajuda o comércio das comunidades.

Com centenas e muitas vezes até milhares de pessoas acompanhando os mais diversos campeonatos na Grande SP, os jogos fazem o faturamento de bares e outros estabelecimentos subirem aos finais de semana.

"Mais que futebol, um time de várzea é quase uma ONG"
Lucas Ribeiro

Funcionária de uma lanchonete em frente à Arena Palmeirinha, em Paraisópolis, onde ocorre a tradicional Copa da Paz, Amanda, 18, diz que “o movimento é ‘da hora’. Fica melhor para o comércio, para a gente. Faz bem para o bairro. Temos muito a agradecer à Copa da Paz”. 

Ribeiro ainda destaca uma das razões para os grandes públicos da várzea: do próprio bolso, os times levam suas torcidas e delegações em ônibus para as partidas e, em confrontos importantes, lotam as arquibancadas dos bairros periféricos de São Paulo.

“Os torcedores saem pra conhecer outros bairros e regiões através do futebol de várzea. O time que vai jogar fora disponibiliza os ônibus. Você conhece outras pessoas, outros campos, e isso é motivo de orgulho pras pessoas que acompanham os times de várzea”, diz ele.

Ações dos times

O valor do futebol amador para as comunidades não se estende apenas ao lazer e comércio, como conta Ribeiro.

O que o poder público não fez, nós fizemos no campo
Sérgio 'Pioneer'

“Quando chegam dias festivos (dias das mães, dia das crianças), as diretorias dos times correm atrás de recursos para organizar as festas, distribuição de brinquedos. Ao longo do ano muitos times fazem ações como distribuição de agasalhos e cestas básicas”, afirma Ribeiro.

Ação do Dia das Crianças de 2017, realizada pelo Palmeirinha

Ação do Dia das Crianças de 2017, realizada pelo Palmeirinha

Arquivo pessoal

“No caso do Pioneer, temos nosso projeto social. Temos uma escolinha com 400 crianças e um projeto que se chama 12 de outubro, onde entregamos de 3.000 a 4.000 brinquedos por ano”, diz Sérgio ‘Pioneer’.

“Há outro projeto social nosso, onde construímos um parquinho, um playground para as crianças, uma pista de caminhada e um pesqueiro. A gente mesmo que organiza. O que o poder público não fez, nós fizemos no campo”, diz.

Bruno Melo, organizador da Copa da Paz e diretor do Palmeirinha de Paraisópolis, conta que, todo ano, a equipe faz festas de dia das crianças na Arena Palmeirinha, casa do time da zona sul paulistana.

“Damos brinquedos para as crianças do bairro. Tem várias brincadeiras, cachorro-quente, pipoca, refrigerante, algodão doce, damos tudo”, diz Melo.

No campo do Negritude, crianças brincam em data destiva

No campo do Negritude, crianças brincam em data destiva

Arquivo pessoal

Assim como em Paraisópolis, o time do Negritude também faz gincanas e doação de brinquedos no seu campo, em Itaquera. O clube da zona leste também realiza anualmente o Natal Solidário, evento para presentear as crianças do bairro e comunidades nos arredores.

“Mais que futebol, um time de várzea é quase uma ONG. São ações sociais que a comunidade precisa e o futebol de várzea valoriza isso”, diz Ribeiro.

É decisão! Saiba como é um dia de final no futebol de várzea em SP