'Grana carimbada' na pandemia entrega o Verdão ao 'Projeto Leila'

Em meio ao problema, que atingiu até Fla, dinheiro garantido da Crefisa salva, mas solidifica de vez o caminho da empresária até a presidência do clube

Palmeiras de Galiotte se torna mais dependente da grana de Leia Pereira

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Palmeiras

O Flamengo causou surpresa ao anunciar o atraso e a renegociação de prazos no pagamento de parcelas dos direitos federativos de dois jogadores incorporados recentemente ao elenco: o zagueiro Léo Pereira, contratado junto ao Athletico-PR, e o jovem atacante Thiago, vindo do Náutico.

O Náutico esperava receber 250 mil euros (aproximadamente R$ 1,5 milhão) em 1º de abril e o Furacão, cerca de R$ 3,5 milhões no último dia 14. Mas as duas parcelas não caíram.

O Flamengo alega que o rompimento de patrocínio de R$ 3 milhões da Azeite Royal, contestado na Justiça, e um atraso no recebimento de R$ 8,3 milhões da fornecedora de material esportivo Adidas impediram o acerto pontual.

O rubro-negro da Gávea diz estar com a situação financeira controlada. Pretendia quitar as prestações com parte desses R$ 11,3 milhões. Mas como a grana, ou ao menos a parte da Adidas, não caiu, a diretoria pegou uma linha de crédito bancário de R$ 40 milhões para formar um “colchão de reforço do caixa” e atravessar a pandemia sem sobressaltos. A promessa é pagar assim que as datas das próximas prestações forem redefinidas com os dois clubes.

E onde entra o Palmeiras nessa história?

Fla atrasa pagamento de parcela de Léo Pereira. Até os ricos sofrem com o vírus

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Alexandre Vidal/CRFlamengo

Os patrocínios do Verdão, de R$ 81 milhões anuais mais metas (o total, no início do contrato, poderia bater nos R$ 410 milhões até o final de 2021), todos bancados por empresas do grupo Crefisa, são altos, mas possuem a característica aparentemente incômoda de saírem da mesma torneira.

Em caso de um eventual rompimento da parceria, esse detalhe poderia causar problemas sérios durante o período de recomposição de patrocinadores, que não deverá ser pequeno para ninguém na nova realidade pós-pandemia.

Mas, nesses tempos de coronavírus, a exclusividade transformou-se, ao contrário, em um escudo de proteção forte como o de nenhum outro rival. Ela até continuaria a ser preocupante se não existissem dois fatores específicos e decisivos no caso: o amor de torcedor do dono do grupo, José Roberto Lamacchia, um homem de 76 anos que decidiu investir parte de sua fortuna na paixão após enfrentar um câncer, e o projeto pessoal de sua mulher, Leila Pereira, de presidir o clube - literalmente - a qualquer custo.

Lamacchia admite publicamente que paga ao Palmeiras mais do que os espaços valem no mercado. Mas que, ainda assim, considera um “ótimo negócio” porque suas marcas se tornaram conhecidas e lucrativas. A parceria, diz, teria gerado um ganho maior do que os gerados pelas campanhas publicitárias da Crefisa, Faculdade das Américas (FAM) e de seus outros negócios até o acordo com o Verdão, anunciado no final de janeiro de 2015.

O cenário permite uma conclusão direta: ao menos até Leila Pereira chegar à presidência, e mais ainda: enquanto durarem seus mandatos, e ainda mais: enquanto os sucessores forem parceiros políticos, a exemplo de Maurício Galiotte, o atual mandatário, é possível apostar com pouco risco de perder que a grana da Crefisa continuará a correr alta e solta para alívio dos palmeirenses.

O Flamengo teve faturamento bruto de R$ 970 milhões e lucro de R$ 122 milhões em 2019. Roçou a unha no título de primeiro clube brasileiro a cravar R$ 1 bilhão de faturamento anual. Ainda assim, acaba de provar que até mesmo os mais fortes sentem algo quando uma crise inesperada, a do coronavírus, se junta a outra, crônica e interminável, que é administrar grandes orçamentos vertiginosa montanha russa econômica e financeira do Brasil.

Nesse contexto, a grana carimbada da Crefisa sairá por muito tempo dos cofres do poderoso casal rumo aos do Palmeiras.

Como uma luva verde.

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