Tragédia no Flamengo
Futebol Flamengo e MP iniciam cálculos das indenizações de vítimas do incêndio

Flamengo e MP iniciam cálculos das indenizações de vítimas do incêndio

Departamento jurídico do clube reúne apresenta proposta de indenização, para famílias de vítimas de incêndio do CT Ninho do Urubu

tragédia no flamengo

Direção de Rodolfo Landim definiu prioridade: apoio às vítimas e famílias do incêndio

Direção de Rodolfo Landim definiu prioridade: apoio às vítimas e famílias do incêndio

Matheus Dantas

Representantes de Flamengo e Ministério Público estiveram reunidos nesta segunda (18) e deram o pontapé inicial no processo de indenização das vítimas do incêndio que atingiu o alojamentos das divisões de base do clube, no dia 8, no Ninho do Urubu.

O departamento jurídico da Gávea reuniu documentos, incluindo os contratos de formação dos dez jovens mortos e dos 16 atletas sobreviventes, e apresentou à Defensoria Pública cálculo inicial do valor a ser pago.

Além do MP, outros órgãos públicos, como Defesa Civil e Ministério do Trabalho, estiveram presentes no encontro desta segunda-feira. A idade das vítimas, o tempo da carreira e salário de jogadores de futebol foram pontos levados em consideração. Os valores são sigilosos.

Caminho da indenização

Depois do cálculo inicial, caberá ao clube e MP prepararem as indenizações de acordo com as consequências sofridas por determinada vítima. Ou seja, um valor para os familiares dos dez mortos, outro valor para sobreviventes com sequelas permanentes e um terceiro valor para sobreviventes sem lesões. Com essa definição entre Flamengo e Ministério Público, as respectivas propostas são apresentadas às partes envolvidas, podendo ou não serem aceitas.

O apoio aos sobreviventes e familiares foi colocado como prioridade pela direção do Fla desde a tragédia. Um comitê de gestão de crise foi instaurado na sede da Gávea. Os custos de traslado das famílias para o Rio, assim como a hospedagem e as despesas do transporte de todos os corpos das vítimas para as cidades natais, foram pagas pelo clube.

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Tragédia no CT

O incêndio no alojamento nas divisões de base aconteceu no dia 8 de fevereiro e vitimou dez atletas do Flamengo, de 14 a 16 anos. Três jogadores precisaram ser internados - Cauan Emanuel e Francisco Dyogo já receberam alta médica -, sendo que Jhonata Ventura segue aos cuidados do Centro de Tratamento de Queimados do Hospital Municipal Pedro II. O quadro do jovem é estável. Além deles, 13 jovens escaparam do incêndio sem qualquer tipo de ferimento.

Interdição

No dia 13, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro determinou a suspensão de todas as atividades das categorias de base no CT George Helal, o Ninho do Urubu, proibindo a entrada, permanência ou participação de qualquer criança ou adolescente no local até julgamento do mérito. A decisão é do juiz Pedro Henrique Alves, da 1ª Vara da Infância da Juventude e do Idoso.

Em caso de descumprimento, está prevista multa única no valor de R$ 10 milhões em relação ao Flamengo e multa única e concomitante no valor de R$ 1 milhão ao presidente Rodolfo Landim. A decisão do TJ-RJ foi liminar parcial em ação civil publica do MPRJ que corre desde 1 de abril de 2015. Cabe recurso ao Flamengo em segunda instância.

A decisão está sendo respeitada. Após o incêndio, as atividades da base foram paralisadas no local. A expectativa é que os jogadores se reapresentem na quinta-feira, dia 21. Contudo, sem a estrutura do Ninho do Urubu, a operação com atletas de fora do Rio de Janeiro deve permanecer suspensa. O clube entende que não há condições de receber centenas de atletas da base em outro local que não o CT.

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Adultos treinam

No dia 15, após a segunda reunião entre Flamengo e autoridades, a Prefeitura do Rio de Janeiro reforçou o o pedido de interdição do local, já feito em 2017. Apesar disso, o elenco profissional treinou no Ninho do Urubu no próprio dia 15, no dia 16 e voltou a trabalhar no CT nesta segunda, dia 18. O clube entende que a utilização diurna dos campos não "representa qualquer risco" e reforça que não está havendo utilização noturna de nenhuma estrutura do local.

O Flamengo se pronunciou em três momentos desde o trágico episódio. No dia do incêndio, o presidente Rodolfo Landim fez curto  pronunciamento à imprensa na entrada do CT. O mandatário classificou o caso como "a maior tragédia nos 123 anos do Clube de Regatas do Flamengo".

No dia seguinte, na sede da Gávea, quem falou foi o CEO Reinaldo Belotti, que coordenou o comitê de gestão de crise desde o início. O executivo reforçou a prioridade do clube no suporte às vítimas e familiares e, com base em documentos, afirmou que o incêndio nada teve a ver com as condições da estrutura do alojamento das divisões da base no CT George Helal.

Nestes dois primeiros momentos, o clube não abriu espaço para perguntas. No dia 15, Rodrigo Dunshee, vice-presidente e vice-jurídico do Rubro-Negro, falou rapidamente após a reunião com os órgãos públicos e ressaltou que a atual gestão assumiu o poder apenas no começo de 2019. Após o pronunciamento, porém, Dunshee se irritou com as perguntas e retirou-se, dando fim à coletiva.

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