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Futebol Férias dos jogadores serão prorrogadas até dia 30, diz entidade

Férias dos jogadores serão prorrogadas até dia 30, diz entidade

Em entrevista ao R7, presidente da federação dos atletas conta que foi um erro o período de 20 dias de pausa. Conclusão dos Estaduais é prioridade

  • Futebol | Eugenio Goussinsky, do R7

Futebol está em férias desde o dia 1º de abril

Futebol está em férias desde o dia 1º de abril

Antonio Lacerda/EFE/14-03-20

O prazo estabelecido para o fim das férias coletivas dos jogadores do futebol brasileiro irá se encerrar no próximo dia 20, quando a pandemia causada pelo novo coronavírus ainda não terá sido vencida no País.

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Desta forma, o presidente da Fenapaf (Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol), Felipe Augusto Leite, de 50 anos, já adiantou que a posição da entidade, de haver férias de 30 dias, irá prevalecer e o prazo será estendido para até o dia 30 próximo.

Leite defende que a saúde do jogador é prioridade

Leite defende que a saúde do jogador é prioridade

Acervo pessoal

"Vão reparar um equívoco, apesar de que férias em quarentena não são a mesma coisa", diz.

Nesta entrevista ao R7, Leite, ex-goleiro de clubes como América-RN e Vasco da Gama, ressalta que a maior preocupação do momento não é definir o retorno das atividades no futebol brasileiro: "O mais importante é a vida dos atletas", disse. Além disso, não se deixou de lado uma nova ajuda financeira aos clubes.

R7 - Quais são as atribuições da Fenapaf em relação à postura dos atletas?

FAL - Damos a orientação aos atletas em relação aos seus deveres, quando no curso dos contratos. A nossa atuação é essa, com valorização dos sindicatos estaduais, que são a base de todo o trabalho da Fenapaf. Queremos consolidar a legislação específica do atleta profissional, buscar segurança de emprego para todos, não só das principais divisões, mas daqueles que disputam apenas estaduais

R7 - Com a pandemia, a Fenapaf ganhou mais visibilidade. E como a entidade está atuando neste momento, em que as cobranças também são maiores?

FAL - A grande preocupação da Fenapaf neste momento é manter toda categoria informada, fazer com que CBF, federações e clubes entendam a necessidade da paralisação em benefício da vida dos atletas, que é o mais importante. Já conseguimos isso com a concessão das férias coletivas e com a garantia de que sejam mantidos intactos postos de trabalho, sem demissão nem rescisão.

Anteriormente, já entendíamos que as férias deveriam ser integrais, de 30 dias, de 1º a 30 de abril. Em troca, haveria competições em dezembro. Mas fomos votos vencidos e os clubes quiseram estabelecer 20 dias.

Felipe Augusto Leite, presidente da Fenapaf

R7 - O dia 20 de abril, fim das férias coletivas estabelecidas, se aproxima e a pandemia ainda não terá sido controlada. Vocês pensam em estender o prazo?

FAL - Anteriormente, já entendíamos que as férias deveriam ser integrais, de 30 dias, de 1º a 30 de abril. Em troca, haveria competições em dezembro. Mas fomos votos vencidos e os clubes quiseram estabelecer 20 dias. Mas já está sendo finalizada uma nova determinação de se estender por mais 10 dias as férias. É uma posição que além de tudo encontra amparo legal na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Vão reparar um equívoco, apesar de que férias em quarentena não são a mesma coisa.

R7 - A preocupação com o calendário pode acelerar o reinício das competições?

FAL - Não concordamos com isso e não será isso que ocorrerá. Toda a futurologia neste momento é precipitada. Não se sabe ao certo quando isso vai acabar e nem quando o futebol vai voltar. Depois os departamentos de fisiologia ainda irão estabelecer planos, haverá uma intertemporada e só então as competições retornarão. Por enquanto não dá para se fechar um prazo, só quando todas as autoridades de saúde, municipais, estaduais e federais definirem que é possível o retorno. Nossa preocupação número 1 é salvaguardar a vida e a saúde dos atletas.

R7 - Mas há algum risco de os estaduais terminarem sem definição?

FAL - Como disse, depois que as autoridades permitirem, começaremos a fazer as contas. Insisto apenas que é fundamental a garantia do término dos estaduais. E a CBF me garantiu que essas competições irão até o fim. Os estaduais são a base da pirâmide no futebol brasileiro. Quem disputa somente os estaduais é que possui essa base e esses clubes precisam ter garantida a possibilidade de honrar contratos e não deixarem seus jogadores sem receber salários.

R7 - O que ainda pode ser feito para a proteção dos direitos dos jogadores neste momento?

FAL - Temos de aguardar ainda o cenário, vislumbrar uma mudança positiva em relação a essa pandemia (para pensar em retorno das atividades) e acima de tudo fazer com que os clubes honrem os contratos, honrem os salários atrasados, que façam pelo menos um parcelamento dos pagamentos, mas que não deixem o jogador de futebol sem o sustento dele e da família neste momento tão difícil. 

É fundamental a garantia do término dos estaduais. E a CBF me garantiu que essas competições irão até o fim

Felipe Augusto Leite, presidente da Fenapaf

R7 - O que teve de ser feito no momento em que as competições foram interrompidas?

FAL - Acionamos tanto a Comissão Nacional de Futebol quanto a CBF, apresentando aquela relação de iniciativas, como ajuda financeira a clubes menores, abertura de linha de crédito aos maiores (aqueles que precisam e pagar os salários atrasados), para pagarem as férias o salário de abril. Todas essas medidas foram absorvidas pela CBF nos últimos dias, estamos dioturnamente em contato com a comissão.

R7 - Como os clubes que não participam nem das séries C e D, que são muitos, podem ser ajudados?

FAL - A ajuda vai para as federações estaduais e, ajudando essas federações, elas certamente chegarão aos clubes que não fazem parte das séries C e D. 

R7 - Os atletas passaram a ser mais ouvidos neste momento?

FAL - A negociação coletiva que iniciamos com a comissão foi feita ouvindo todos os sindicatos e os atletas. A grande maioria dos atletas se pronunciou ou com a Fenapaf ou diretamente com os sindicatos. Foi uma atuação conjunta, sob a observação da CBF.

R7 - Como a Fenapaf vê essa discussão sobre a redução dos salários dos jogadores neste momento?

FAL - A Fenapaf  vê com absoluta naturalidade, nada que desabone. O desejo do atleta reduzir ou não é um direito personalíssimo. As individualidades devem ser respeitadas, cada um sabe o valor, o suor desempenhado naquele exercício. Para um 5% tem um valor, para outro que reduzir 10% também, ele sabe que essa quantia tem um sofrimento tem um desempenho, uma valorização diferente.

R7 - E em relação àqueles que se recusam a ter seus salários reduzidos?

FAL - Também temos que entender os que não permitem. É algo pertinente, justo, pois se essa redução ocorresse como foi proposta, há clubes que não pagam desde janeiro. Como se pode entrar em uma negociação coletiva nacional e aceitar que um clube que não paga há três meses ainda vai reduzir o seu salário? Essa questão tem de ser individualizada conforme propusemos e conforme foi definido.

R7 - Isso vale para todos os jogadores, inclusive os que recebem menos?

FAL - Os que só ganham salário mínimo, como vai reduzir? Tem até uma questão de inconstitucionalidade. 90% dos jogadores do Brasil ganham até 2 salários mínimos e não acho justo reduzirem salários tão baixos, ainda mais em um momento tão imediato como este. A situação é para acalmar, pensar com equilíbrio. A situação estava tão açodada que veio medida provisória prevendo que não haja redução de salário quando o trabalhador ganhar até R$ 3.135,00. A maioria esmagadora dos jogadores ganha isso ou menos. Aqueles que ganham mais, que se acertem individualmente com os clubes ou por meio de uma negociação coletiva estadual.

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