Federação do Rio lança regras para clubes voltarem aos treinamentos

Orientações incluem pedido para que jogadores se desloquem em carros próprios e não se encontrem com pessoas em outras partes dos CTs

Jogo Seguro orienta atletas a saírem de casa com a roupa a ser usada nos treinos

Jogo Seguro orienta atletas a saírem de casa com a roupa a ser usada nos treinos

Alexandre Vidal/CRF

A Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) acaba de concluir o texto final do protocolo Jogo Seguro – Recomendações Médicas para o Retorno ao Futebol. O documento traz orientações sobre procedimentos a serem adotados pelos clubes fluminenses na volta dos jogadores aos treinamentos para o reinício do Campeonato Estadual, interrompido pela pandemia de coronavírus, quando os jogos voltarem a ser permitidos pelas autoridades.


O conteúdo foi produzido após consultas a representantes dos departamentos médicos dos clubes que disputam a Série A do Estadual: América, Bangu, Boavista, Botafogo, Cabofriense, Macaé, Resende, Volta Redonda, Flamengo, Fluminense, Portuguesa, Friburguense, Madureira e Vasco. O presidente do Vasco, Alexandre Campello, que é médico, participou do debate.

As 12 páginas do documento são ricas em detalhes sobre pré-requisitos para a volta aos treinos, testes diagnósticos, transporte, uso de vestiários, fisioterapia, departamento médico, nutrição, trabalho de rouparia e lavanderia, academia e rotina de treinamento.

Uma análise dos principais pontos proposto é oportuna:

Jogador deve chegar ao treinamento em veículo particular, de preferência sozinho – A orientação é sensata, e no mundo ideal o desejável seria que todo brasileiro em atividade neste período tivesse condição de fazer isso no descolamento casa/trabalho/casa, o que infelizmente não é possível. Os transportes públicos são grandes vetores intermediários de ampliação do contágio. Em Nova York, as linhas de metrô funcionaram como os principais “vasos” de disseminação do vírus. A situação não deve ser diferente em São Paulo e, em menor escala, no Rio de Janeiro.


O local de estacionamento dos atletas deverá ser definido para que não existam dúvidas sobre o deslocamento dentro da unidade de treino – Outra medida acertada. Nada de beijar a cozinheira ou dar abraço e trocar piada com o roupeiro antes do treino. Esses batalhadores merecem todo o reconhecimento, mas as regras sanitárias recomendam que se deixe esse carinho para depois, quando o mundo ressuscitar saudável.

Atleta deverá chegar de casa vestido com o uniforme de treinamento e cuidar de suas chuteiras e equipamentos – Boa. Diminui a possibilidade de contaminação cruzada pelo vestuário. Os brasileiros se livram das roupas ao voltar para casa. Seria imprudente acumular tudo isso nas mãos de profissionais ou do próprio grupo.

Nos jogos oficiais, quando liberados, o ideal é cada jogador se deslocar para o local da partida em veículo particular – Perfeito, pelos mesmos motivos enumerados em relação aos treinos.

Atletas machucados em treinamentos e jogos devem ser atendidos em macas individualizadas – Seria o ideal, mas é certo que todos os clubes, incluindo os do interior do estado, não terão condição de cumprir a meta. Há soluções baratas para a questão. É possível ter macas cobertas por materiais que podem ser limpos rapidamente com álcool e bactericidas, e depois cobertos com toalhas de papel descartável após cada uso. Por sinal, um procedimento adotado em vários hospitais brasileiros mesmo antes da pandemia.

A Ferj espera a chegada de 700 testes de coronavírus até o final de semana para serem aplicados nos jogadores. Os cartolas garantem que o Jogo Seguro foi elaborado “com planejamento seguro, responsável e alinhado aos órgãos governamentais” e “fundamentado em conceitos da Organização Mundial de Saúde (OMS), Ministério da Saúde, Conselho Federal de Medicina (CFM), Associação Médica Brasileira (AMB) e Sociedades Médicas Especializadas”.

Se for verdade - e o documento não servir como instrumento de pressão para o adiantamento de prazos de retorno considerados ideais pelas autoridades sanitárias -, vale o reconhecimento. De qualquer forma, as medidas propostas nas 12 páginas devem ser pautadas pela interseção da possibilidade.

O que for possível ser feito em termos financeiros por Flamengo, Vasco,  Fluminense e Botafogo deverá ser viável também para o restante dos clubes do campeonato, incluindo os batalhadores pobres do interior do estado.

Mais do que nunca, aqui pau que dá em Chico terá de dar também em Francisco.

E vice-versa.