Corrupção na Fifa
Futebol Ex-executivo tinha procuração da Globo para negociar com CBF e Fifa

Ex-executivo tinha procuração da Globo para negociar com CBF e Fifa

Marcelo Campos Pinto era um homem de confiança da família Marinho

Ex-executivo tinha procuração da Globo para negociar com CBF e Fifa

Campos Pinto comandava a área de esportes na Globo

Campos Pinto comandava a área de esportes na Globo

Divulgação

Marcelo Campos Pinto, responsável pela aquisição dos eventos esportivos da Rede Globo nas últimas décadas, tinha procuração para negociar os contratos no Brasil e no exterior em nome da família Marinho, dona da emissora (assista à reportagem completa abaixo).

O documento, obtido pelo Jornal da Record, é datado de 12 de março de 2013. No mesmo mês da procuração, a Rede Globo, a Televisa e a Torneos concordaram em pagar US$ 15 milhões de propina para garantir os direitos de transmissão das Copas do Mundo de 2026 e 2030, segundo o ex-presidente da empresa Torneos Y Competencias, Alejandro Burzaco.

A revelação foi feita nesta quarta-feira (15) na audiência de julgamento do ex-presidente da CBF José Maria Marin, em Nova York.

A operação do FBI para investigar a FIFA, deflagrada em maio de 2015, tirou o executivo das sombras e colocou os negócios dele no foco do FBI. A procuração, para tratar exclusivamente da negociação dos direitos de transmissão dos torneios da entidade máxima do futebol, demonstra o poder e a autonomia de que gozava Campos Pinto, então diretor de esportes da Globo.

Nos bastidores, Marcelo Campos Pinto era o poderoso chefe de esportes da Rede Globo com acesso direto aos dirigentes da CBF e da FIFA. Com a eclosão do escândalo, foi exposta a relação próxima do executivo com cartolas investigados e presos. O ex-diretor da Globo deixou a emissora dias depois da extradição de Marin para os Estados Unidos.

Foto com integrantes da Traffic, Campos Pinto e Teixeira foi tirada na Argentina

Foto com integrantes da Traffic, Campos Pinto e Teixeira foi tirada na Argentina

Reprodução/RecordTV

Durante duas décadas, Marcelo Campos Pinto teve uma relação íntima com o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira. Quando o cartola se afastou, em meio a denúncias de corrupção, o executivo tratou de se aproximar dos sucessores.

Em outro depoimento prestado em Nova York, o delator Alejandro Burzaco disse que o ex-diretor da Globo teria garantido que as propinas antes pagas a Teixeira passariam a ser divididas entre Marin e o atual presidente da CBF Marco Polo Del Nero.

Uma mensagem de e-mail apreendida pela Polícia Federal em uma operação não relacionada ao futebol mostra a relação entre o executivo da Globo e os cartolas. Treze dias depois de Ricardo Teixeira se afastar da CBF, em 2012, Marcelo Campos Pinto escreveu mensagem a Del Nero em termos muito amigáveis. A mensagem foi anexada ao relatório alternativo da CPI do Futebol no Senado encerrada em 2016.

A Rede Globo divulgou nota em que nega as alegações do delator de que teria pago propina para conseguir a exclusividade no direito de transmissão da Copa do Mundo e outros campeonatos organizados pela Fifa. Os outros acusados em diversas ocasiões disseram que eram inocentes e negam as acusações. Marcelo Campos Pinto não foi localizado para comentar as acusações.

Assista à reportagem do Jornal da Record abaixo: