Copa das Confederações 2013 Valcke: "Não estamos ganhando dinheiro para circular em carrões"

Valcke: "Não estamos ganhando dinheiro para circular em carrões"

Cartola diz que a Fifa "investiu dinheiro na Copa 2014" e nega que Mundial será em outro País

Valcke: "Não estamos ganhando dinheiro para circular em carrões"

Valcke: "Somos uma das organizações mais transparentes do mundo"

Valcke: "Somos uma das organizações mais transparentes do mundo"

Vincenzo Pinto/AFP

Em meio a questionamentos da população brasileira sobre os benefícios da Copa do Mundo, a Fifa lançou uma ofensiva para abafar as críticas e reverter a crise que afeta a imagem do governo de Dilma Rousseff e da instituição. Foi Jérôme Valcke, secretário-geral da entidade, quem saiu em defesa da Fifa:

— A Fifa é a uma instituição não-lucrativa e "faz bem" ao País e o governo não deu dinheiro para a Copa. Estamos fazendo muitas coisas boas para o Brasil. Somos uma entidade não-lucrativa. Não estamos ganhando dinheiro para circular em grandes Mercedes.

O cartola francês se contradisse ao explicar a natureza financeira da Fifa. Primeiro, indicou que a entidade era uma "empresa" e que está lucrando com a Copa. Mas emendou apontando que esse dinheiro é usado para bancar os outros eventos da Fifa pelo mundo.

— Temos a responsabilidade de desenvolver o futebol. Somos uma das organizações esportivas mais transparentes do mundo.

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Valcke confirmou que a receita da Copa deve chegar a US$ 4 bilhões (R$ 8,4 bilhões) e que será gasto US$ 1,5 bilhão (R$ 3,15 bilhões) na organização. O restante será distribuído para "desenvolver o futebol" e pagar as demais competições.

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Valcke insistiu ainda que a Copa das Confederações está indo "muito bem". Mas evitou dar uma nota para a organização. Segundo ele, a competição vai até o final e não existe plano B nem mesmo para a Copa do Mundo de 2014.

Valcke assegurou que a entidade não havia recebido ofertas de outros países para sediar a Copa do Mundo de 2014 no lugar do Brasil, desmentindo o ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, que poucos minutos antes — na mesma entrevista coletiva concedida nesta segunda-feira (24) — havia feito referência a candidaturas.

— Nunca recebi ofertas oficiais por parte de outros países para organizar a Copa do Mundo de 2014. Quero deixar bem claro que a final da Copa das Confederações será disputada no Maracanã e que a Copa do Mundo será no Brasil.

Rebelo havia afirmado que "a simples notícia, a especulação de que os organizadores (o Brasil) poderiam perder a Copa havia causado o surgimento de candidaturas" de países como Estados Unidos, Inglaterra e Japão, explicando que tinha visto essas informações no noticiário.

O ministro também avaliou que o Brasil havia "superado o desafio de oferecer a estrutura e a logística para que as partidas fossem realizadas de acordo com as exigências (da Fifa). Em 2014, o país oferecerá uma Copa do Mundo de acordo com as expectativas".

— O Brasil assumiu estes encargos e responsabilidades que incluíam, além dos 12 estádios, obras nos setores de acessibilidade, hotéis e aeroportos, mas o governo também criou uma matriz de responsabilidade, que inclui obras que não eram obrigação, que consideramos importantes para facilitar a realização da Copa do Mundo.

A Copa das Confederações, considerada um ensaio geral para o Mundial, foi ofuscada nas mídias nacional e internacional pelas manifestações que chegaram a reunir mais de um milhão de pessoas nas ruas na última quinta-feira e contam com milhares todos os dias desde a semana retrasada.

Os manifestantes protestam contra a má qualidade dos serviços públicos, a corrupção e os bilhões de reais gastos na construção de estádios, em um País que enfrenta graves problemas em saúde e educação.

A Fifa deixou claro que não julgaria a situação política no Brasil e se negou a responder perguntas sobre o tema na coletiva de imprensa. Walter de Gregorio, diretor de comunicação da entidade, disse antes da entrevista coletiva:

— A nossa situação é difícil, porque se não dissermos nada, vamos ser criticados, vão falar que a Fifa só pensa em futebol, mas, se fizermos um comentário, vão nos acusar de interferência.