Clubes da Série A cortam salários para reduzir prejuízos na pandemia

Representantes da elite do futebol brasileiro adotam medidas para manter a saúde financeira enquanto temporada segue parada devido à covid-19

Suspensão do futebol provoca redução de salários e demissões nos clubes

Suspensão do futebol provoca redução de salários e demissões nos clubes

Reprodução/Instagram @maracana

Clubes que integram a elite do futebol brasileiro na temporada 2020 anunciaram acordos para reduzir salários de atletas, comissões técnicas e funcionários como forma de amenizar os prejuízos causados pela parada do esporte durante a pandemia do novo coronavírus. Alguns times voltaram aos treinos, mas ainda não há definição sobre a retomada das competições no país, apesar de haver pressão para tal.

Leia também: Ameaças, cortes de salários. Jogadores pagam pelo coronavírus

Palmeiras anunciou um ajuste salarial com a redução de 25% dos vencimentos registrados em carteira nos meses de maio e junho - os direitos de imagem de abril e maio serão parcelados até junho de 2021.  O acordo abrange os jogadores do time principal masculino, o técnico Vanderlei Luxemburgo, o gerente Cícero Souza e o diretor Anderson Barros

Os pagamentos dos atletas amadores e do futebol feminino do Palmeiras foram mantidos. Porém, os demais funcionários do clube alviverde farão parte de outro acordo, ainda em fase de elaboração.

"Vivemos um momento de uma crise de grandes proporções no mundo. Vários segmentos estão sendo afetados e com o futebol não é diferente. Existem situações em que disposição e comprometimento são imprescindíveis para se chegar a um bom termo. Temos que pensar no todo para conseguirmos avançar em direção a um benefício maior. A maturidade do nosso elenco foi fundamental para que chegássemos a uma solução boa para todos", disse o presidente Maurício Galiotte.

Leia também: São Paulo apresenta balanço com déficit de R$ 156 milhões em 2019

O Corinthians já anunciou a redução de até 70% nos pagamentos dos funcionários do clube e a diminuição de 25% dos salários registrados em carteira dos jogadores, entre as medidas adotadas para se ajustar economicamente ao momento. O clube alvinegro também cortou a ajuda de custo a atletas que não são profissionais. A medida atinge, entre outros, o time sub-20 de futsal.

Na semana passada, a diretoria corintiana teve que acertar o atraso no pagamento de contas de energia com a Enel, fornecedora de energia para o estado de São Paulo, após passar todo o final de semana às escuras, para ter novamente iluminado o Parque São Jorge, sede social do clube.

No Flamengo, os cortes não atingiram o elenco do técnico Jorge Jesus. A diretoria preferiu não reduzir os vencimentos de atletas e da comissão técnica, valores estimados em cinco vezes maior - somados carteira de trabalho e direitos de imagem - do que folha salarial de funcionários da Gávea e do departamento de futebol.

No entanto, o preço pago pela cúpula do clube rubro-negro carioca foi, ao término das férias coletivas, no dia 30 de abril, anunciar o processo de desligamento de cerca de 60 colaboradores.

Cerca de dez funcionários das divisões de base, no Ninho do Urubu, foram demitidos. Entre eles: motoristas, roupeiros, fisiologistas e analistas de mercado. O clube garante que as demissões não alcançarão 10% do quadro de funcionários, formado por aproximadamente mil pessoas.

A diretoria e o elenco do Fluminense também acertaram a proposta de redução de 15% a 25% nos salários, conforme o valor recebido pelos atletas. O acordo passaria pela homologação do Saferj (Sindicato dos Atletas de Futebol do Rio de Janeiro).

O Grêmio foi o primeiro clube a ter a proposta de readequação salarial aceita pelos jogadores e comissão técnica, feita no fim de março. Assim, o elenco receberá menos sem a realização dos jogos, situação que a Federação Nacional de Atletas Profissionais de Futebol havia avisado que não seria tolerada.

Outros clubes que integram a elite do Brasileirão também estudam cortes - alguns mais profundos e outros com porcentagens menores -  nos salários dos seus elencos e demais funcionários para contornar o rombo nos cofres provocado pela interrupção das atividades. Para piorar, a incerteza causa ainda mais dúvidas em relação o futuro.

No Internacional, o presidente Marcelo Medeiros, de 59 anos, que fez teste por suspeita de ter sido contaminado pelo novo coronavírus e teve o resultado positivo, enfatizou que "jogador que não quiser jogar pode pedir demissão". O time colorado está atolado em dívidas.

O Atlético Mineiro já havia cortado os holerites de quem ganha acima de R$ 5 mil, incluindo jogadores e a comissão técnica. A diminuição de 25% nos salários foi bem aceita pelo grupo, segundo o diretor de futebol Alexandre Mattos.

O rival Cruzeiro, rebaixado para a Série B na edição passada do Campeonato Brasileiro, também aderiu ao programa de redução salarial. A diretoria do clube celeste, mergulhada em uma crise financeira que precedia a pandemia, divulgou um plano que prevê o corte de 25% dos vencimentos do time de futebol.