Seleção brasileira

Futebol Clodoaldo atuou para evitar que crise afetasse seleção em campo

Clodoaldo atuou para evitar que crise afetasse seleção em campo

Como chefe da delegação, tricampeão de 70 conversou muito com jogadores e comissão técnica, para contornar a turbulência

  • Futebol | Eugenio Goussinsky, do R7

Clodoaldo conversa com o volante Casemiro

Clodoaldo conversa com o volante Casemiro

Lucas Figueiredo/CBF/31-05-21

Tricampeão mundial, Clodoaldo Tavares de Santana, de 71 anos, assumiu o cargo de chefe da delegação da seleção brasileira em meio a um momento de turbulência. Logo de cara, o presidente da CBF, Rogério Caboclo, acusado de assédio moral e sexual a uma funcionária e os jogadores insatisfeitos com a realização da Copa América no Brasil.

Foi quando uma vivência bem distante de Clodoaldo, desde seus tempos de seleção nos anos 70, ressurgiu com força, mostrando nunca ter desaparecido.

Jogar na seleção, para ele, continuava sendo o desafio maior de um futebolista e, em sua função, ele procurou evitar que a crise, que de alguma maneira lembrou a pressão sofrida pela equipe antes da Copa de 70, entrasse para dentro de campo e afetasse o rendimento da equipe. Neste sentido, ele considera que pôde ajudar o técnico Tite.

"Me lembrei dos meus tempos de seleção, na Copa de 1970. Percebi muita semelhança do atual momento com aquela época. Seleção é seleção sempre. Em ambas as ocasiões houve muita união entre o grupo de jogadores e a comissão técnica. Fiz questão de falar isso para eles, que tudo começa com a união", disse o ex-jogador, que já retornou a Santos, onde mora.

Clodoaldo conversou muito com os jogadores e com a comissão técnica nesta sua passagem, direcionada aos dois jogos do Brasil nas Eliminatórias, contra o Equador e contra o Paraguai.

No momento da turbulência, quando os jogadores preparavam um manifesto e mostravam um descontentamento, até agora pouco claro, em relação à Copa América, o ex-jogador procurou acalmar a atual geração, com conselhos e contando sobre sua própria experiência.

"Claro que acompanhei tudo o que aconteceu, mas sempre procurei orientar os jogadores a viverem os jogos, o ambiente das partidas. Quando era solicitado, procurava focar nas Eliminatórias, sabia do que ocorria, mas não se pode perder o foco nestes momentos, e o foco eram as Eliminatórias. Tudo na vida precisa deste foco e, assim como experimentei uma sensação semelhante na Copa de 70, não prevaleceram as vaidades individuais", ressaltou.

AFP

Para Clodoaldo, Tite foi o maior responsável pela união do grupo.

"O Tite iniciou todo esse trabalho, os jogadores confiam nele. Há um pleno entendimento entre grupo de atletas e comissão técnica. Isso foi fundamental para os bons resultados, inclusive a vitória sobre o Paraguai após 35 anos sem vencer no Defensores del Chaco", observou.

Uma de suas funções foi a de conselheiro.

"Costumo falar pouco, com objetividade. Não sou de discursos longos. Mas falei aos jogadores que eles não podem nunca perder a emoção de contribuir com a seleção", disse.

Clodoaldo conta que essa emoção ainda está presente nele. Ele percebeu isso com clareza no momento em que foi convidado a chefiar a delegação, experiência que já havia tido em 2015, quando Dunga era o técnico. A sensação, desta vez, também foi inesquecível.

"Quando recebi o telefonema do presidente Rogério Caboclo para chefiar a delegação foi surpreendente. Aceitei, fui jantar, dormir e então fui percebendo como estava emocionado. Foi como uma convocação pela primeira vez. Não conseguia dormir, pensando: 'Vou chefiar a delegação, que baita responsabilidade, que reconhecimento bacana'. Essa emoção não deve terminar nunca, agora a senti como chefe da delegação. Nunca podemos deixar de sonhar, a vida não tem sentido sem isso", observou.

O ex-craque conta que também teve boas conversas com Neymar.

"Na apresentação, ele logo falou em um vídeo, ao me cumprimentar, 'Sou cria do Peixe'. Ele foi simplesmente espetacular comigo, sempre tive admiração por ele, desde que ele era menino. E agora conversamos muito, o acompanhei de perto. Achei que ele jogou demais, principalmente no segundo jogo, contra o Paraguai, mesmo com marcação forte, jogadas desleais dos adversários, ele respondeu à altura. Gostei muito", analisou.

Em Santos, Clodoaldo já voltou a ter contato com os velhos amigos na cidade. E, durante uma visita a um quartel, para encontrar o comandante local do Exército, ele precisa interromper a entrevista para um cafezinho. Além do gosto doce da bebida, sentirá também um gosto de saudade de mais um momento vivido com a seleção.

"Dever cumprido. Desembarquei em São Paulo e já me despedi de todo mundo. Agora, vou acompanhar a Copa América, desejando muito a vitória da nossa seleção, destes meninos que me acolheram tão bem. Eles vão usar a competição também como uma preparação para as Eliminatórias, que são parte da Copa do Mundo."

À distância, Clodoaldo deixa de lado a função de ex-jogador e de ex-chefe da delegação. Mas, como ele mesmo diz, não deixará de servir a seleção. Desta vez, como todo brasileiro, no papel de torcedor.

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