Futebol de várzea
Futebol Celeiro, várzea é lembrada com carinho por craques da bola

Celeiro, várzea é lembrada com carinho por craques da bola

Várzea paulistana revelou inúmeros campeões ao longo das décadas. Ricardo Oliveira, Paulinho e Cesar Sampaio estão entre as joias do ‘terrão’

Os campos de terra marcaram o início para muitos ídolos do futebol brasileiro

Os campos de terra marcaram o início para muitos ídolos do futebol brasileiro

Edu Garcia/R7

O futebol de várzea de São Paulo já foi um celeiro de craques em décadas passadas — ainda revela vários talentos, mas em menor escala, devido ao crescimento do papel dos empresários no esporte. É bastante grande o número de jogadores bem-sucedidos que deram os primeiros passos nos campos de terra espalhados pela cidade.

São muitos os nomes conhecidos dos torcedores brasileiros que passaram pela várzea antes de ingressarem nas categorias de base de clubes profissionais.

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Por exemplo, os volantes Elias (Atlético Mineiro), Paulinho (Guangzhou Evergrande), além dos atacantes Gabriel Jesus (Manchester City), Leandro Damião (Internacional) e Ricardo Oliveira (Atlético Mineiro).

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“Não dá nem para mensurar o valor, tendo em vista que vários atletas importantes saíram da várzea. E, hoje em dia, está cada vez melhor e organizada” elogia Ricardo Oliveira, de 38 anos, que disputou torneios por times da zona norte paulistana antes de surgir na Portuguesa e se consolidar como um dos grandes nomes do futebol nacional, com passagens vitoriosas por São Paulo, Santos, Milan, Valencia e Betis, além da seleção brasileira.

Ricardo Oliveira no Galo

Ricardo Oliveira no Galo

Lance

Dona Érica, mãe de Paulinho, ídolo dos corintianos — onde foi campeão da Copa Libertadores e do Mundial Interclubes de 2012, entre outros títulos conquistados —, com duas Copas do Mundo no currículo, passagens por Tottenham, Barcelona e atualmente no futebol chinês, não tem dúvida em afirmar que a experiência na várzea foi essencial para a formação do filho como atleta.

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“Acredito que ele não imaginava que teria sucesso como tem hoje. Ele ia jogar porque gostava mesmo. E jogar na várzea ajudou muito para ele se tornar o jogador que é”, contou a mãe do craque que jogou pelo Boa Vista e Serra Morena, agremiações da zona norte paulistana.

Futuro promissor

O jovem atacante Junior Santos, de 23 anos, que disputa a Série B do Campeonato Brasileiro pela Ponte Preta — e já marcou seis gols —, também iniciou no futebol de várzea. Primeiro, na Bahia, seu estado natal. Depois, migrou para São Paulo e, no ano passado, se destacou no Oswaldo Cruz, time da quarta divisão paulista.

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Junior Santos já marcou seis gols na Série B, em 2018

Junior Santos já marcou seis gols na Série B, em 2018

Reprodução/Facebook AA Ponte Preta

“Tinha que saber jogar num campeonato de várzea. Era muito pegada, com entradas mais duras, já que não haviam suspensões. Era um futebol mais desleal do que leal. Você recebia cotoveladas, etc. Era um jogo muito duro. Isso ajudou bastante na minha postura. Não tinha medo de receber pancada, de trombar e uso muito no futebol profissional”, revelou Junior, que tem sido sondado por grandes clubes do Brasil e outros do exterior.

Várzea: início “cascudo”

O ex-volante Cesar Sampaio, que atualmente é dirigente, empresário e comentarista esportivo, também cita as lições aprendidas nos tempos várzea para o sucesso na carreira como jogador profissional.

Criado no Jardim Guarani, bairro da zona sul de São Paulo, Sampaio atuou pelo Moleque travesso, time tradicional e vencedor desde a década de 1980. O craque, que brilhou por Santos, Palmeiras e disputou a Copa do Mundo de 1998, demonstra gratidão pelos ex-companheiros da várzea.

Sampaio também defendeu a seleção brasileira na Copa de 1998, na França

Sampaio também defendeu a seleção brasileira na Copa de 1998, na França

Getty Images

“Foi uma plataforma de iniciação. Havia dois quadros e eu jogava de lateral-esquerdo no segundo quadro, porque era novinho e o primeiro quadro era formado pelos mais cascudos. No início dos anos 1980, os grandes nomes iniciavam na várzea e sou muito grato às orientações dentro e fora de campo que essas pessoas me deram”, destacou.

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