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Futebol Caso Daniel: 'Mexeu com mulher de bandido e vai morrer'

Caso Daniel: 'Mexeu com mulher de bandido e vai morrer'

Testemunha do caso da morte do jogador Daniel conta o que viu na noite do assassinato e afirma que estava sendo coagido para mudar versão dos fatos

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Testemunha afirma que Daniel Corrêa foi espancado e levado quase inconsciente

Testemunha afirma que Daniel Corrêa foi espancado e levado quase inconsciente

Reprodução/Facebook Daniel Corrêa

Uma das principais testemunhas da morte do jogador Daniel falou com a imprensa na manhã desta quinta-feira (01), em São Paulo. Ela estava na casa em que o atleta foi espancado e levado para à morte. 

De acordo com a testemunha, o acusado gritou para Daniel: "Mexeu com mulher de bandido, vai morrer".

Além disso, ela afirmou que estava sendo coagida pelo acusado para mudar a versão dos fatos que aconteceram na noite do assassinato. “Sai daqui c..., você não me ajudou, você vai ser o próximo.”

Confira a íntegra da declaração da testemunha à imprensa:

"Na noite de sexta-feira para sábado, fomos até a casa noturna de Curitiba comemorar o aniversário da menina.

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Chegando lá, tudo certo.

Havia dois camarotes lá, tudo certo, comemoramos.

Na saída da casa noturna, no momento em que estávamos saindo, estávamos em sete, aguardando um Uber.

Nesse momento, havíamos pedido dois Uber.

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Nesse momento, quando nosso Uber chegou, o rapaz em questão (Daniel) surgiu pedindo uma carona para ir até a casa da responsável (da aniversariante). Chegando lá, na hora do Uber, ele perguntou para a outra menina, que estava no Uber, se a gente iria para a casa dela (da menina em questão).

A menina confirmou e aí ele falou: “Tá, então vou junto. Beleza, não sei o quê”. E já entrou no Uber.

Chegando lá, ficamos lá bebendo mais, comemorando mais, porque era um after (pós-balada). O pai dela que havia chamado para fazer o after lá, porque era aniversário dela de 18 anos.

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No momento em que estávamos lá, passou um tempo e o rapaz em questão sumiu do lugar. Saiu dali. E eu não sei por qual motivo, o pai dela e um outro menino entraram na residência e, a partir daí, eu não acompanhei mais o fato.

Mas passado uns 10 minutos, 5 minutos, ouvi muita gritaria, pedidos de socorro para que acudissem, para que não acontecesse uma tragédia.

Nisso eu fui, fui pela janela porque a porta estava trancada. Fui pelo lado de fora e avistei o que estava acontecendo.

O rapaz que veio a óbito estava sendo enforcado, apanhando muito, muito, muito.

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Nisso, entraram mais dois rapazes que ajudaram a bater nele. Após isso, veio mais um rapaz. Daí, arrancaram ele do quarto, bem debilitado.

No que tiraram ele do quarto, jogaram ele para fora, um pouquinho para fora da garagem e ali continuaram a espancar ele.

Espancaram, espancaram, falaram palavras de baixo calão, falaram coisas muito pesadas e espancaram ele.

“Mexeu com mulher de bandido, vai morrer”, falaram.

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Depois, tiraram a cueca dele e ele ficou nu.

Naquele momento, somente com a camiseta. A partir daí eu não vi mais.

Eu entro na residência, querendo ir embora. Minha amiga está desesperada, chorando muito. Eu não sei o que fazer. Eles ficam me pedindo para eu acudir, para não acontecer a tragédia.

Mas não tem o que eu fazer.

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No momento em que eu tento separar, o rapaz em questão olha para mim e fala: “Sai daqui c..., você não me ajudou, você vai ser o próximo”.

Nisso, eu entro de volta na residência e peço para chamar um Uber.

Ele entra, vai até o quarto e eu vou saindo da residência. No momento em que eu vou saindo da residência, minha amiga que está virada para o lado de fora da casa, do lado de fora da garagem, vê ele saindo por trás de mim e com uma faca na mão.

Nesse momento ela olha pra mim e diz: “Meu Deus, ele está com uma faca”.

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Eu vou até ela, a gente de abraça e a partir daí a gente não vê mais nada. Esperamos eles saírem da residência pra daí conseguir pegar um Uber e sair de lá e não presenciar mais nada.

A partir daí começamos a receber ligações, mensagens, pedindo para que nos encontrassem. Para que pudéssemos conversar. Tentaram me encontrar no sábado e eu não quis me encontrar.

No sábado, encontraram duas meninas, as outras duas testemunhas e combinaram com ela uma história, de que o rapaz havia chegado na residência e que ele havia ficado lá de canto, mexendo no celular. E aí o portão estava aberto e ele simplesmente saiu e ninguém viu para onde ele foi. Mas não foi assim.

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No domingo, tentaram novamente me contatar. Mas não contatei, não fui vê-los.

Na segunda-feira à tarde, ela me pediu para que eu fosse à residência dela. Eu falei que não teria como. Daí ela combina com outros duas testemunhas, que também estavam presentes como testemunhas oculares de tudo.

Ela combina com essas dois meninos no shopping em São José dos Pinhas. Eu me atraso um pouco, mas vou até lá.

Nesse momento eu chego, estão os três familiares, os dois meninos aguardando e ali então ele começa a falar exatamente essa história.

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Para que se fosse falado, pois era um elo. Não iria constar uma das meninas testemunhas e não iria constar os dois meninos que estavam ali sentados e que eram testemunhas também.

E nesse elo a história deveria ser de que o menino chegou lá, ficou de canto, mas que ali, de repente, do nada, com o portão aberto, ele estava mexendo no celular, ele foi embora e sumiu.

Mas aí ele olha pra mim e diz: “O elo está fechado. Se esse elo abrir, foi uma das pessoas do elo, porque já tiramos três, então só tem esse elo. Então, só tem esses três. Se o elo abrir, vou saber quem foi”. Então, a partir desse momento, me levanto e saio da conversa."

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