Futebol Badalação sobre Boca e River despreza força do futebol brasileiro

Badalação sobre Boca e River despreza força do futebol brasileiro

Episódio colocou Brasil de lado de maneira velada, mas ao mesmo tempo proposital, em uma situação que é apoiada por muitos setores na Europa

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Real Madrid não é maior do que Fla ou Corinthians

Real Madrid não é maior do que Fla ou Corinthians

Reprodução/Flickr

A transferência da final da Libertadores, entre River e Boca, para a Espanha, encheu de orgulho a já inflada presunção que existe entre muitos dirigentes e torcedores fanáticos argentinos quando o assunto é futebol.

O Brasil, neste caso, foi colocado de lado por eles, de maneira velada, mas ao mesmo tempo proposital, em uma situação que é apoiada por muitos setores na Europa, sempre resistentes em admitir o poder do futebol brasileiro e do maior ídolo da história deste Esporte no mundo, o negro Pelé.

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Vários jornalistas espanhóis insistem em fingir que se esquecem do Brasil, ao enaltecer com insistência Messi e Maradona, por exemplo, como os maiores da história.

Em vez de ser visto como uma qualidade, o fato de o Brasil ter uma riqueza étnica e uma população diversificada, leva ao país o estereótipo da falta de planejamento e seriedade, o que em parte é verdade, mas em outra está longe de ser.

Grêmio desrespeitado

De certa maneira, o brasileiro acabou aceitando esse delírio e esse falso papel de coadjuvante, imposto com a manobra de setores argentinos de elevar o clássico Boca x River a patamares estratosféricos.

Impossível, mesmo admitindo que uma final nunca reuniu tamanha rivalidade, não sentir que tal tentativa, por outro lado, parece elevar as duas equipes a níveis superiores ao do Santos de Pelé; do Flamengo de Zico; do São Paulo de Raí e Telê Santana e do Grêmio, de Renato Gaúcho.

Até mesmo o Grêmio, uma força poderosa, pelo menos dentro de campo, no cenário sul-americano, foi desrespeitado por uma pretensão cega do River, que para muitos passou como um trator por valores éticos, apenas porque se achava no direito de fazer a final com o maior rival. Não deixa de ser uma afronta passar a impressão de que River x Boca seria um jogo maior do que Grêmio x Boca.

Acredito que o fato de o Brasil não ser um país hispânico também tem contribuído para que a CBF fique aparentemente isolada dentro da Conmebol. 

Ao longo da história, tal isolamento foi algo comum, interrompido apenas no período em que Ricardo Teixeira e José Maria Marin foram presidentes da CBF, época em que os negócios das duas confederações tiveram mais afinidade.

Poder econômico

Nelson Rodrigues dizia que há no Brasil "um complexo de vira-latas." Ele parece estar de volta em meio a esta inegável crise que vive o futebol do país. Potencializada, no entanto, pela própria subserviência e baixa autoestima da sua população, muitas vezes influenciada por parte da imprensa.

Jamais o Real Madrid será maior do que o Corinthians, Flamengo, Palmeiras ou qualquer clube grande, ou melhor, gigante, brasileiro. Não importa se, do ponto de vista econômico, a distância entre o futebol europeu e o brasileiro seja enorme.

Se fosse por isso, não haveria como comparar também os clubes argentinos com os brasileiros, já que, no continente sul-americano, os maiores faturamentos ainda estão no Brasil. Não é essa questão, portanto. Mesmo que ela seja aceita de cabeça baixa por muitos brasileiros.

Boca x Ríver é um grande jogo, histórico até. Mas não tem uma dimensão maior do que Corinthians x Palmeiras ou Flamengo x Vasco ou Grêmio x Inter. Fica até menor em função da maneira com que o River chegou à final, após o seu técnico ter deliberadamente desrepeitado o regulamento e, mesmo suspenso, ter ido dar instruções no vestiário.

Neste sentido, para esses fanáticos, cujos gritos de superioridade têm se encaixado em muitos discursos segregacionistas na Europa, o ato brutal dos torcedores do River, antes da segunda final, que culmimou com a transferência do jogo para o glamouroso Santiago Bernabeu, serviu apenas para inflar ainda mais essa sensação de onipotência. Que, na verdade, está além do futebol e simboliza uma espécie de guerra fria entre sociedades.

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