Corrupção na Fifa
Futebol Autoridades americanas investigam Copa de 2014 e prometem acabar com a corrupção no futebol 

Autoridades americanas investigam Copa de 2014 e prometem acabar com a corrupção no futebol 

Representantes do FBI garantiram ainda que Copa de 2014 já está sendo investigada

FBI diz que investigações estão apenas no início e promete 'erradicar' corrupção do futebol

Crédito: EFE/Justin Lane

"Nós vamos erradicar a corrupção do futebol mundial. Eles corromperam o sistema para enriquecer a si mesmos". Foi com esta frase que a procuradora-geral de justiça dos Estados Unidos, Loretta Lynch, iniciou nesta quarta-feira (27), no FBI, a coletiva de imprensa sobre o escândalo de corrupção na Fifa. Ao lado de James Comey, diretor do FBI, Loretta Lynch, procuradora de justiça dos EUA, e Richard Weber, da Receita Federal dos Estados Unidos, a representante explicou como tudo aconteceu naquele que pode ser um dos maiores escândalos do futebol mundial.

— Estamos falando de crimes que ocorrem no âmbito da Fifa. Houve responsabilidades apuradas em diferentes níveis. A Fifa é conhecida por ajudar no desenvolvimento social de muitos países e sociedades, mas alguns altos executivos e outras empresas representando a entidade se envolveram em esquemas de pagamentos de propinas, esquemas de fraudes, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo milhões de dólares por décadas. A Fifa faz parte disso vendendo direito de transmissão de torneios e essas empresas vendem para canais e outras empresas interessadas que pagam grandes quantias em dinheiro, disse Lynch, ao falar da investigação que está sendo trabalhada há três anos.

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— Hoje as autoridades suíças prenderam sete pessoas, inclusive o presidente atual da Concacaf. Estamos procurando, inclusive, outras pessoas. Todos serão acusados por crimes financeiros. Muitos dos acusados fazem parte do esquema e tem atividades, inclusive, aqui nos Estados Unidos. Eles usavam interferências e banco dos Estados Unidos. Parte desse dinheiro foi aproveitado para patrocínios e outros direitos televisivos, explicou a procuradora.

Sobre a escolha do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014, Lynch garantiu que as autoridades americanas também irão investigar, assim como nas eleições das sedes das Copas de 2018 e 2022, cujos documentos já foram recolhidos nesta quarta na sede da Fifa, em Zurique, para dar continuidade ao processo de investigação.

— Nenhuma conduta imprópria relacionada a 2014 (foi encontrada), mas faz parte do processo de investigação. Já o processo de candidatura do Brasil para a Copa está sendo investigado. No entanto, não posso dar mais detalhes sobre isso no momento. As investigações vão continuar e abordar todos os aspectos do jogo, disse Loretta Lynch.

Loretta Lynch também explicou que os casos de corrupção vão além dos acordos televisidos e de marketing. “Os pagamentos não envolvem só o marketing esportivo. Com a oportunidade de receber a Copa de 2010, a primeira na África, alguns executivos da Fifa se aproveitaram para oferecer propina e suborno, entrando assim em acordos e patrocínios, e isso envolveu um representante brasileiro e uma empresa de marketing esportivo”, completou a procuradora.

Diretor do FBI responsável por liderar as investigações, James Comey também participou da coletiva e explicou que o número de acusados pode aumentar nos próximos dias. “Os 14 acusados têm diferentes níveis de atividade no mundo do futebol. São responsáveis também por diferentes atividades nos campeonatos do mundo. O que foi feito foi uma atividade gananciosa entre eles. Nós sabemos que outras pessoas, assim como os já acusados, se envolviam em prática de corrupção”, disse.

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Assim como Loretta Lynch, Comey prometeu não descansar até varrer a corrupção que está sendo investigada pelo FBI. “Houve também tráfico de influência na confederação asiática, com dirigentes que receberam e pagaram propinas nas eleições da Fifa. Esse é o começo do nosso esforço e não vamos parar por aqui. Vamos continuar com o apoio de outras organizações do mundo, para limpar o futebol”, finalizou.

Richard Weber, representante da Receita Federal dos Estados Unidos, garantiu que as autoridades americanas estão apenas iniciando o trabalho de investigação no esquema de corrupção no futebol. “Esse trabalho é um trabalho que não acabou. Hoje é um dia muito importante ao amante do futebol. Aqueles que adoram esse esporte não devem se procurar, pois nós queremos que todos estejam ciente de que estão aqui para ajudar”, afirmou.

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Diversos países estão na mira das investigações do FBI e Weber revelou na entrevista que não há um prazo para o fim dos trabalhos. “As pessoas mais especializadas da receita dos Estados Unidos já estão atrás de todos os tipos de esquemas em países como Hong Kong, Suíça e Ilhas Cayman. Hoje, a Fifa levou um cartão vermelho. Nós continuaremos trabalhando com todos os investigadores para poder levar a justiça ao poder financeiro e jogar as regras do jogo”, finalizou.

Blatter é 'esquecido'

Atual presidente da Fifa e candidato a reeleição da entidade, o suíço Joseph Blatter não foi citado durante a entrevista coletiva em Nova York. Fora da lista dos primeiros 14 nomes investigados pelo FBI e pelas autoridades americanas, o dirigente. contudo, não está imune ao processo. Segundo James Comey e Loretta Lynch, as investição estão em fase inicial e eles nãa podem falar do assunto.

Situação de José Maria Marin

Preso juntamente com outros seis dirigentes do auto-escalão da Fifa, o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, que atualmente ocupa o cargo de vice-presidente da entidade máxima do futebol brasileiro, foi preso e escoltado por autoridades suíças na saída do hotel Baur au Lac Hotel, em Zurique. Não há informação, contudo, para onde os presos foram levados. A informação oficial das autoridades da Suíça é que os acusados detidos serão extraditados para os Estados Unidos.

Lembrando que as penas para os acusados que participaram do esquema de corrupção da Fifa podem chegar a até 20 anos de cadeia, mas depende de cada um dos acusados e do grau de participação de cada um deles.

Veja no vídeo abaixo o momento que José Maria Marin é preso na Suíça: