Atletas de time no epicentro do coronavírus podem pedir rescisão

Wuhan Zall, time onde atuam dois brasileiros, está sediado na cidade com mais casos da nova doença. Início do Campeonato Chinês está suspenso

Léo Baptistão, com boa passagem pela Espanha, atualmente joga no Wuhan Zall

Léo Baptistão, com boa passagem pela Espanha, atualmente joga no Wuhan Zall

Reprodução/Instagram @leobaptistao

Há alguns anos, o futebol chinês se tornou um grande atrativo para jogadores em busca de altos salários. Nomes como Renato Augusto, Hulk e Oscar estão entre os mais bem pagos do país.

Porém, esse cenário pode sofrer alterações com a chegada do coronavirus, que já contaminou mais de 28 mil pessoas pelo mundo, matando 565 ao todo, a maioria deles na China.

Em Wuhan, epicentro da doença, as mudanças podem ser drásticas. Segundo o advogado Dyego Tavares, os atletas do Wuhan Zall, time que conta com dois brasileiros, os atacantes Rafael Silva, ex-Corinthians e Coritiba, e Léo Baptistão, que defendeu Espanyol e Atlético de Madri, podem entrar com uma ação na Fifa pedindo a rescisão contratual.

"Não existe uma norma que permita a quebra do contrato em caso de calamidade de saúde pública, mas neste caso os jogadores podem alegar que não é possível exercer a profissão em uma região que passa por um surto de doença grave e que sua saúde pode ser severamente afetada", explicou o jurista. Vale lembrar que a cidade de Wuhan está fechada para entradas e saídas de pessoas para evitar que o coronavírus se espalhe.

Por se tratar de uma novidade, em caso de sucesso na formalização da rescisão contratual, a Fifa criará uma jurisprudência.

"O julgamento deste caso seria uma novidade. Houveram algumas situações de desastres naturais, mas a entidade não entendeu que a quebra de contrato caberia ali. Então o corpo jurídico da Fifa avalia o que é cabível nesta situação."

Para o advogado, o ideal é buscar um entendimento amigável com o clube antes de buscar uma ação na justiça: "Isso serve em qualquer caso. Antes de buscar a Fifa, o melhor é sentar com a diretoria e tentar um acordo. Pode ser uma negociação temporária, definitiva ou até mesmo a rescisão. Mas por se tratar de um caso grave, de uma doença se espalhando rapidamente, acredito que o melhor é decidir isso o quanto antes", completou Tavares.

A Associação Chinesa de Futebol suspendeu todos os jogos domésticos e adiou o início da Superliga, a elite local. A competição estava marcada para começar dia 22 de fevereiro.

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