Após Muricy Ramalho em 2015, São Paulo não mantém técnico no cargo por 50 jogos

A saída de Cuca mantém uma rotina de técnicos com poucos jogos no São Paulo. Desde Muricy Ramalho, ainda em 2015, um treinador não completa 50 partidas no comando da equipe tricolor. De lá para cá, passaram pelo clube Juan Carlos Osorio, Doriva, Edgardo Bauza, Ricardo Gomes, Rogério Ceni, Dorival Júnior, Diego Aguirre, André Jardine e agora Cuca, além dos interinos Milton Cruz, Pintado e Vagner Mancini. Fernando Diniz foi confirmado na noite de quinta-feira como treinador substituto de Cuca e estreia neste sábado contra o Flamengo, no Rio de Janeiro.

Neste período de mais de quatro anos, Edgardo Bauza foi o mais longevo: comandou o São Paulo em 48 jogos até ser seduzido por um convite para treinar a seleção da Argentina em agosto de 2016, quando foi embora. Doriva teve a passagem mais breve, com apenas sete partidas à frente da equipe. Aguirre foi o treinador são-paulino em 43 ocasiões; Dorival Júnior em 40; Rogério Ceni fez 37 partidas; Osorio, 26; Ricardo Gomes comandou o time 17 vezes; e André Jardine, apenas 15. Cuca pediu demissão com 26 partidas disputadas nesta sua segunda passagem pelo clube. Não suportou a pressão.

Dos nove treinadores pós-Muricy Ramalho, atualmente comentarista de TV, seis foram demitidos pela diretoria. Além de Bauza e Cuca, o outro a pedir demissão foi Osorio, que recebeu convite para treinar a seleção do México em outubro de 2015 e não pensou duas vezes. Pediu desculpas e foi embora.

Além do número alto de trocas no comando, chama a atenção também os diferentes perfis de treinadores escolhidos. O São Paulo já apostou em estrangeiros, medalhões e novatos. Ninguém deu certo. Uns pregaram estilo de futebol mais ofensivo e outros apostaram em armar suas equipes de forma reativa. Nenhum vingou.

Da lista de treinadores que passaram pelo Morumbi nos últimos quatro anos, o único que não fez parte da "era Leco", o presidente do clube, foi Osorio. Os outros oito foram contratados e demitidos pelo atual presidente do São Paulo, que tem mandato até o final de 2020. Ele não esteve na entrevista de despedida de Cuca, nesta quinta-feira. O treinador falou ao lado do diretor-executivo de futebol Raí na sala de imprensa do CT.

Raí, aliás, evitou analisar as constantes trocas de técnicos do São Paulo. "Não dá para definir em poucas palavras de uma entrevista coletiva. Estamos analisando tudo isso, não é o ideal. Obviamente, assumimos parte da responsabilidade disso. Em um clube grande, que fica muito tempo sem vencer, acaba passando por isso", afirmou o dirigente, que está no cargo desde o final de 2017.