Advogado muda estratégia e sugere senilidade para defender Marin

Em prisão domiciliar nos EUA, ex-presidente da CBF está com 85 anos

Um senhor senil, ingênuo e incapaz de pedir propinas em troca de favores. Os advogados de José Maria Marin, 85 anos, adotaram nos últimos dias uma nova estratégia para defender o ex-presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) no julgamento do Caso Fifa, que acontece em Nova York, Estados Unidos. Depois de alegarem que quem tomava as decisões na entidade nacional era Marco Polo Del Nero, então vice-presidente, os defensores de Marin apelaram para a idade avançada do réu em busca de convencer o júri de que seu cliente é inocente.

De acordo com informações do jornalista Ken Bensinger, que cobre in loco o processo no Tribunal do Brooklyn, Charles Stillman, um dos advogados de Marin, questionou o delator brasileiro J. Hawilla, dono da empresa de marketing esportivo Traffic, sobre o comportamento do ex-presidente da CBF durante as supostas negociatas. Stillman teria perguntado se José Maria Marin por vezes "parecia confuso" ou "dizia coisas sem sentido".

Duas semanas atrás, ainda nos primeiros dias do julgamento, o advogado já havia comparado a corrupção no futebol internacional a uma partida entre crianças na qual Marin não participou. "Ele era como o jovem do lado de fora do campo, colhendo margaridas e olhando ao redor enquanto outros estavam correndo a pleno vapor", disse Charles Stillman.

Na delação de J. Hawilla, o empresário apresentou gravações que indicam o pagamento de subornos para José Maria Marin e o atual presidente Marco Polo Del Nero, além de Ricardo Teixeira. Após o suposto pagamento da uma das propinas, Marin teria agradecido ao próprio J. Hawilla em jantar nos Estados Unidos: "Foi muito bom".

 

'Ele era como o jovem do lado de fora do campo, colhendo margaridas e olhando ao redor'

 

Além de José Maria Marin, estão sendo julgados Juan Ángel Napout, ex-presidente da Conmebol e da Associação Paraguaia de Futebol, e Manuel Burga, ex-presidente da Federação Peruana de Futebol. Os três são os primeiros dos 42 réus a serem julgados desde que procuradores norte-americanos revelaram o caso de corrupção há mais de dois anos.

O procurador-assistente dos EUA, Keith Edelman, disse a membros do júri que Marin, Napout e Burga foram parte de uma conspiração para aceitar propinas de empresas de marketing em troca de lucrativos direitos de transmissão de torneios de futebol, incluindo a Copa América e a Libertadores.

Em contato com o R7, José Roberto Batochio, que defende Del Nero no caso, afirmou que no período compreendido pela investigação seu cliente não era presidente da CBF e, portanto, não assinou os contratos sob suspeita. Ricardo Teixeira diz serem inverídicas as acusações contra ele, mas não descarta comparecer à Corte caso seja formalmente intimado.

Del Nero e Teixeira não saem do Brasil desde a eclosão do escândalo de corrupção no alto escalão do futebol, em maio de 2015. Enquanto isso, José Maria Marin cumpre prisão domiciliar em seu apartamento na 5.ª Avenida, no arranha-céu Trump Tower, em uma das regiões mais valorizadas de Nova York.

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