Esportes Olímpicos 'Sonhos concretos' mostra olhar dos skatistas para obras de Niemeyer

'Sonhos concretos' mostra olhar dos skatistas para obras de Niemeyer

Pedro Barros e Murilo Peres andam de skate sobre criações do arquiteto em curta-metragem lançado nesta quarta-feira: ‘Ele andava de skate e não sabia’

Barros e Peres desceram rampa do Museu de Arte Contemporânea, em Niterói (RJ)

Barros e Peres desceram rampa do Museu de Arte Contemporânea, em Niterói (RJ)

Marcelo Maragni/Divulgação/Red Bull Content Pool

Skatistas em geral enxergam um prédio administrativo, um museu ou um teatro como partes de uma pista que só existe em sua imaginação. Pedro Barros e Murilo Peres colocaram esses pensamentos antes retraídos sobre rodinhas e apresentaram o olhar do skatista em “Sonhos Concretos”, um curta-metragem que mostra os dois amigos andando nas obras do arquiteto Oscar Niemeyer.

O Palácio do Congresso Nacional (em Brasília), o Museu de Arte Contemporânea, o Teatro Popular (esses dois últimos em Niterói, no Rio)… Algumas das principais obras do maior nome da arquitetura brasileira foram revisitadas pela dupla, desta vez, de skate nos pés. Se isso ainda hoje é visto com certo receio e temor de depredação, os skatistas não só obtiveram a autorizações como descobriram que o concreto armado de Niemeyer é o mesmo material utilizado atualmente para a construção de pistas de skates.

“Se eu fosse um arquiteto, e pudesse desenhar coisas para a cidade, só iria desenhar tudo que fosse ‘skatável’ para você sair andando de skate em tudo. Oscar Niemeyer fez isso”, diz Barros, ao longo do filme. “Parece que ele andava de skate e não sabia.”

As obras que chamavam a atenção dos atletas pelas linhas curvas ganharam os sons característicos das rodinhas e dos eixos de metal sobre a estrutura de concreto e armações de aço. A flexibilidade permitida com o material inspirou Barros e Peres a traçarem seus próprios caminhos com o skate, enquanto os prédios funcionavam naturalmente, em uma verdadeira harmonia e fluidez dos espaços públicos assim mesmo projetados.

Rolê dos amigos sobre obras de Niemeyer teve transição em cúpula do Congresso

Rolê dos amigos sobre obras de Niemeyer teve transição em cúpula do Congresso

Marcelo Maragni/Divulgação/Red Bull Content Pool

“A arquitetura que fez o skate tomar novos rumos e expandir. O skate descobriu que era legal andar depois”, conta Peres.

Niemeyer desenhou mais de 600 projetos e tem obras espalhadas em 25 países pelo mundo. Arquiteto da fundação de Brasília, a capital federal é o local com mais obras de quem tinha paixão pela inovação e não se contentava com tijolo sobre tijolo em linhas retas. O artista da mão livre, que nasceu em 1907 e trabalhou ativamente até meses antes sua morte, em 2012, aos 104 anos, emprestou sua voz ao documentário com uma entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura, em 1997. A impressão bem criada é como se o autor estivesse contextualizando a aventura de dois garotos.

O filme, de direção de Hugo Haddad e produção da Red Bull TV, conta com cenas em alta definição e imagens captadas por drone, mas também respeita a cultura de vídeos do próprio skate, acessível a quem está no dia a dia com uma câmera de celular ou outro equipamento não profissional em mãos. Por vezes, Barros e Peres filmam um ao outro, captando imagens livremente em perseguição às linhas do companheiro, que entregam naturalidade a um ‘rolê de amigos’. 

Se em 1960, na criação de Brasília, Niemeyer tivesse conta de que dali a só mais alguns anos existiria o skate, talvez tivesse incluído ainda mais curvas na capital federal.

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