Esportes Olímpicos Rafaela Silva denuncia racismo sofrido durante intervenção no Rio

Rafaela Silva denuncia racismo sofrido durante intervenção no Rio

Por meio de suas redes sociais, judoca campeã olímpica relatou experiência vivida em abordagem da polícia militar, nesta quinta-feira (22)

Intervenção militar: Rafaela Silva denuncia caso de racismo

Judoca brasileira acusou abordagem da polícia do Rio de Janeiro

Judoca brasileira acusou abordagem da polícia do Rio de Janeiro

David Ramos/Getty Images - 08.08.2016

A judoca Rafaela Silva, medalhista de ouro nos Jogos Olímpicos Rio 2016, denunciou, nesta quinta-feira (22), por meio de suas redes sociais, um caso de racismo sofrido por ela em abordagem da polícia do Rio de Janeiro.

O caso ocorreu na Avenida Brasil, na capital fluminense, que, por questões de segurança pública, passa por intervenção federal há cerca de uma semana.

Rafaela relatou que estava em um táxi em direção à sua casa quando o veículo foi parado pela polícia, que a liberou apenas depois de perceber de que se tratava de uma atleta medalhista olímpica. 

"O taxista falou que o polícia perguntou de onde ele estava vindo e onde ele tinha parado pra me pegar. E o taxista respondeu: 'Essa é aquela de judô, peguei no aeroporto'. E o polícia falou: 'Ah, tá! Achei que tinha pego na favela", contou a judoca de 25 anos.

Confira o depoimento de Rafaela Silva na íntegra:

“Chegando hoje no Rio de Janeiro, peguei um táxi pra chegar em casa! No meio da av Brasil um carro da polícia passar ao lado do táxi onde estou e os policiais não estava com uma cara muita simpática, até então ok.

Continuei mexendo no meu celular e sentada no Táxi, daqui a pouco ligaram a sirene e o taxista achou que eles queriam passagem, mas não foi o caso, eles queriam que o taxista encostasse o carro.

Quando o taxista encostou eles chamaram ele pra um canto, quando olhei na janela outro policial armado mandando eu sair de dentro do carro, levantei e sai, quando cheguei na calçada ele outro pra minha cara e falou... trabalha aonde?

Eu respondi... não trabalho, sou atleta! Na mesma hora ele olhou pra minha cara e falou... vc é aquela atleta da olimpíada né? Eu disse... sim, e ele perguntou... mora aonde? Eu falei, em Jacarepaguá e estou tentando chegar em casa.

Na mesma hora o policial baixou a cabeça entrou na viatura e foi embora! Quando entrei no carro novamente o taxista falou que o polícia perguntou de onde ele estava vindo e onde ele tinha parado pra me pegar.

E o taxista respondeu... essa é aquela de judo, peguei no aeroporto e o polícia falou... ah tá! Achei que tinha pego na favela.

Isso tudo no meio da av Brasil e todo mundo me olhando, achando que a polícia tinha pego um bandido, mas era apenas eu, tentando chegar em casa.

Esse preconceito vai até aonde?”

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