O que russos precisam fazer para competir nos Jogos Olímpicos

País foi suspenso pela Wada dos principais torneios esportivos nos próximos quatro anos. Mecanismo de 'atletas neutros' pode benificiar atletas 'limpos'

Delegação russa de atletismo já havia sido banido dos Jogos Olímpicos Rio 2016

Delegação russa de atletismo já havia sido banido dos Jogos Olímpicos Rio 2016

Sergei Ilnitsky/EFE - 2.8.2016

Uma das maiores potências esportivas, a Rússia foi banida das grandes competições nos próximos quatro anos. Ainda assim, isso não significa que o atletas russos fiquem de fora, por exemplo, dos Jogos Olímpicos Tóquio 2020. Um mecanismo de “atletas neutros” pode beneficiar quem for confirmado livre do suposto esquema nacional de dopagem.

Na última segunda-feira (9), a Wada (Agência Mundial Antidoping) declarou a Rússia suspensa dos próximos torneios – que envolve os Jogos Olímpicos e os Paralímpicos Tóquio 2020, os Jogos Olímpicos e os Paralímpicos de Inverno Pequim 2022 e a Copa do Mundo de Futebol Qatar 2022 – por detectar a falsificação de dados e controles antidopagem.

Desde 2015, a Wada impõe sanções ao esporte russo, no que resultou do relatório de Richard McLaren. Segundo as investigações, o doping era institucionalizado, inclusive com o apoio do governo local. O presidente Vladimir Putin e demais autoridades sempre negaram o escândalo. Mais tarde, a Rússia teve a oportunidade de recuperar a confiança da Wada mas, segundo a própria entidade, não seguiu por este caminho com o restabelecimento da Rusada (Agência Antidoping da Rússia).

"A Rússia optou por continuar na sua posição de fraude e negação", disse um comunicado assinado pelo presidente da Wada, Craig Reedie. "A Wada respondeu nos termos mais fortes possíveis, protegendo o direito dos atletas russos, que podem provar que eles não estavam envolvidos e não se beneficiaram desses atos fraudulentos."

O país tem 21 dias para se defender em recurso no TAS (Tribunal Arbitral do Esporte). Na instância máxima  da justiça desportiva, a Rússia terá de se defender da manipulações dos exames. A julgar pelas afirmações do primeiro-ministro, Dmitry Medvedev, o caso promete ser acirrado.

"Todas as decisões são repetidas, em muitos casos em relação a atletas que já foram punidos de um jeito ou de outro, em outros momentos", começou Medvedev. "Isso me leva a acreditar que se trata de mais histeria anti-Rússia, que já se tornou um problema crônico".

Como foi na Rio 2016?

Na Rio 2016, o atletismo russo estava suspenso pela Iaaf (Federação Internacional de Atletismo) e alguns dos grandes nomes do país tentaram o recurso de se apresentar como atletas neutros. Em princípio, essa seria a primeira alternativa para atletas limpos que queiram competir caso a Rússia seja realmente banida.

Ainda nos Jogos no Brasil, O COI (Comitê Olímpico Internacional) entregou a decisão de aceitar ou não os novos atletas neutros para as federações internacionais e por isso o atletismo não competiu no Brasil. Demais federações aceitaram atletas russos, sob a bandeira oficial, tanto que o país terminou na quarta colocação geral, com 56 medalhas (19 ouros, 18 pratas e 19 bronzes).

Ainda na Rio 2016, pela primeira vez atletas refugiados puderam competir sob a bandeira olímpica. A eles foi dada a designação ROA (Atletas Olímpicos Refugiados), justamente por conta da imensa crise migratória na Europa e na África, o que leva a acreditar que uma outra solução pode ser criada para os russos. 

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