Comunidade do polo aquático critica postura racista de jornalista

‘Trata-se de uma das formas mais perigosas de racismo’, disse Rudá Franco, atleta que representou o Brasil na Rio 2016 sobre episódio com Leonel Diaz

Diaz, do polo aquático do Pinheiros, foi confundido com pegador de bolinhas

Diaz, do polo aquático do Pinheiros, foi confundido com pegador de bolinhas

Reprodução/Instagram @leoneldiazwp12

O comentário feito pelo apresentador Rodrigo Bocardi, da TV Globo, revoltou a comunidade do polo aquático brasileiro. Atletas da seleção e o presidente da PAB (Liga Brasileira de Polo Aquático) criticaram o profissional nesta sexta-feira (7) por fala considerada racista.

Em uma reportagem no Bom Dia São Paulo, o jornalista perguntou se o entrevistado era catador de bolinhas no Esporte Clube Pinheiros. Leonel Diaz, que é negro, é atleta do polo aquático do tradicional clube. Mais tarde, Bocardi disse que não foi racista e foi mal-interpretado.

Para Gustavo Guimarães, o Grummy, um dos principais atletas do time verde-amarelo, a postura do apresentador foi lamentável com relação a uma jovem promessa do esporte. Diaz é cubano de nascimento e sobrinho de Bárbaro Diaz, técnico do Club Athletico Paulistano, outro tradicional formador de talentos em São Paulo. 

Grummy lamentou episódio

Grummy lamentou episódio

Reprodução/Instagram/@grummy11

“Preconceito em pleno 2020. O moleque é superesforçado, universitário, jogador de polo aquático e ainda tem que passar por isso. Muito triste”, escreveu Grummy nas redes sociais, medalha de prata (Toronto 2015) e bronze (Lima 2019) nos Pan-Americanos.

“Trata-se de uma das formas mais perigosas de racismo. O estrutural. Esse tipo de prática, hábito e falas embutidas em nossos costumes e que promove, direta ou indiretamente, a segregação ou o preconceito racial”, completou Rudá Franco, que disputou os Jogos Olímpicos Rio 2016 pela seleção.

O presidente da PAB, Alessandro Moscal Checchinato, foi além e disse que conversou com Bocardi após o episódio. Na conversa, a entidade convidou o jornalista e sua produção a conhecer mais sobre o polo aquático e seus vários projetos sociais.

“Nossos atletas, toda comunidade e imprensa estão amplamente repercutindo o fato negativo, que em nada engrandece o esporte e o polo aquático. Nós repudiamos qualquer manifestação preconceituosa, seja de classe, gênero, credo ou raça”, disse o presidente.

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