COB segue preparação, mas admite hipótese de cancelamento dos Jogos

Declarações do governo do Japão e do Comitê Organizador de Tóquio 2020 sobre coronavírus fazem entidade se reorganizar técnica e logisticamente

COB quer brasileiros em segurança e bem preparados para Jogos Olímpicos

COB quer brasileiros em segurança e bem preparados para Jogos Olímpicos

Issei Kato/Reuters - 22.3.2020

Seria o cancelamento até do adiamento. Diante das últimas declarações do governo japonês e do Comitê Organizador sobre a pandemia do novo coronavírus, o COB (Comitê Olímpico do Brasil) já trabalha internamente com a hipótese da não realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, hoje remarcados para de 23 de julho a 8 de agosto do ano que vem. A entidade se reorganiza técnica e logisticamente para que os preparativos aconteçam normalmente desde que garantida a segurança de todos os envolvidos.

A decisão foi consenso na reunião do Conselho de Administração da entidade, realizada por videoconferência na última quarta-feira (29). A maior preocupação neste momento é garantir a saúde dos atletas, comissões técnicas e dirigentes na preparação, aclimatação ou já durante as provas em Tóquio. Apesar do temor com uma nova onda de contaminados com a covid-19 e mesmo com a economia global, a ideia geral é para não deixar que falte nada aos envolvidos na disputa por medalhas.

Na última terça, o presidente do Comitê Organizador, Yoshiro Mori, disse que os Jogos Olímpicos serão cancelados se a pandemia não for controlada no mundo todo. “Pensando nos atletas e nos problemas que isso colocaria para a organização, é tecnicamente difícil adiar os Jogos em dois anos. A luta é contra um inimigo invisível”, disse Mori, ao jornal japonês Nikkan Sports.

O presidente da Associação Médica do Japão, Yoshitake Yokokura, já havia dito que a realização de Tóquio 2020 seria “praticamente impossível” se uma vacina não fosse desenvolvida até o próximo ano. A OMS (Organização Mundial da Saúde) trabalha para que uma vacina contra a doença fique pronta antes dos dez a 16 meses previstos regularmente.

Após a declaração de Mori, foi a vez do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, admitir que o cancelamento pode ser concretizado se a pandemia não for contida. A covid-19 já afetou mais de 3,17 milhões de pessoas, tendo matado 225 mil em todo o mundo. No Japão, são mais de 14 mil casos confirmados para 435 mortes.

“Acreditamos que os Jogos Olímpicos e Paralímpicos devem ser realizados em sua forma completa para que atletas e espectadores possam participar com segurança. Seria impossível manter os Jogos em uma forma completa se a pandemia não estiver completa”, disse Abe.

A questão do adiamento ou cancelamento, claro, não envolve apenas datas, mas custos. O COB já havia contratado passagens aéreas, hotéis e feito acordos para alimentação dos profissionais. Além disso, locais de treino já estavam reservados para as delegações verde-amarelo. Até mesmo um contêiner com materiais de treino estava preparado para ser enviado para a sede dos Jogos. Além da troca de informações com as federações, os adiamentos são renegociados caso a caso com cada fornecedor.

Por meio da Lei Agnelo/Piva, que destina um percentual da arrecadação bruta das loterias federais ao esporte, a entidade esperava receber R$ 312 milhões neste ano. Na segunda quinzena de março, no entanto, com o isolamento social, houve queda de 56% nas receitas por esse mecanismo. A expectativa é que o faturamento seja de 25% a 30% abaixo do usual.

O COB, em 21 de março, defendeu publicamente o adiamento dos Jogos Olímpicos e, dois dias depois, viu com alívio a decisão tomada. “Os atletas são o centro das preocupações do COB e do COI e, por isso, a comunidade olímpica do Brasil está bastante satisfeita com a decisão”, disse o presidente do COB, Paulo Wanderley Teixeira, na ocasião.

Curta a página de Esportes do R7 no Facebook

Fã de pet, corintiana e tiete: saiba mais sobre a skatista Letícia Bufoni