Esportes Olímpicos Chefe do rúgbi no país quer seleção forte pelo sonho da Copa do Mundo

Chefe do rúgbi no país quer seleção forte pelo sonho da Copa do Mundo

Agustin Danza, dono da bola oval no país, trabalha para criar base sólida de fãs e jogadores. Partida contra All Blacks Maori é no sábado (10), no Morumbi

Brasil x All Blacks

Brasil e All Blacks Maori se enfrentam no sábado, no Morumbi, em São Paulo

Brasil e All Blacks Maori se enfrentam no sábado, no Morumbi, em São Paulo

João Neto/Divulgação/Fotojump - 6.11.2018

“Rúgbi? Conheço. É igual ao futebol americano”, diriam alguns mais desavisados. Quase. Apesar do crescimento nos últimos anos, ainda não é todo mundo que entende o esporte que também tem extremo contato físico e utiliza uma bola oval. No que depender de Agustin Danza, CEO da Confederação Brasileira, o rúgbi terá uma base sólida de fãs e jogadores rumo ao sonho de disputar pela primeira vez uma Copa do Mundo.

Mais um passo para o crescimento do esporte acontece no sábado (10), a partir das 19 horas (de Brasília), no estádio do Morumbi. A seleção brasileira enfrenta os All Blacks Maori, um conhecido selecionado da Nova Zelândia, um dos países mais tradicionais no esporte.

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Danza explica que o objetivo do rúgbi verde-amarelo não é exatamente se tornar o segundo esporte do país — posição que já se alternou entre automobilismo, basquete, vôlei, lutas etc. Os atuais campeões sul-americanos querem fortalecer os clubes e conquistar resultados ainda mais importantes com a seleção nacional. O investimento passa inclusive pela capacitação de auxiliares-técnicos.

Danza: 'Pacaembu era nossa casa'

Danza: 'Pacaembu era nossa casa'

Reprodução/Facebook

Veja a seguir os melhores pontos da entrevista ao R7:

R7 - Como está o rúgbi brasileiro na sua visão?
Agustin Danza - Ainda é um esporte novo. Estamos começando a demonstrar que existe um potencial para ser um esporte relevante no Brasil. Claro que ainda precisamos trazer mais resultados para conseguirmos consolidá-lo. Nos últimos quatro anos, conseguimos formar uma seleção competitiva, campeã sul-americana agora, que teve vitórias que ninguém imaginava antes e que por isso os Maori estão vindo para o Brasil.

R7 - Quais são os resultados esperados?
AD - Existe um círculo virtuoso que temos que ser bem sucedido em todos os componentes. É importante ter resultado nas seleções porque é o chamariz. Se tem resultado, começa a ser mais atrativo. Mas, junto com isso, temos que ter bom resultado na imprensa, no impacto com as redes sociais e com os patrocinadores. Isso tem nos permite atrair mais rendimento e assim investir nos clubes e competições nacionais.

R7 - Existiu um momento de dificuldade financeira no rúgbi?
AD - Pós-Rio 2016, conseguimos renovar todos os nossos patrocínio e ainda somamos outros mesmo em meio à crise. Claro que tivemos alguns atrasos, algum impacto financeiro, mas neste ano começamos a superar. Neste ano, no primeiro semestre conseguimos apresentar um superávit de quase R$ 1,5 milhão, nosso maior superávit na história da confederação.

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R7 - O rúgbi pensa em ocupar o espaço de segundo esporte do brasileiro?
AD - Não... Ou melhor, sonhar não custa nada. Concordo que a posição de número dois tem mudado, mas não é o nosso objetivo. Queremos ter uma base de praticante relevante e estável, que comece a praticar desde jovem.

R7 - Qual a experiência que você traz dos países vizinhos?
AD - Quando a Argentina foi terceira do mundo em 2007, tinha 40 mil jogadores cadastrados. Hoje, temos cadastrados 18 mil, mas mais de 60 mil pessoas jogando. O Uruguai tem 10 mil jogadores e participa das Copas do Mundo. Isso é algo que ainda estamos buscando. Já temos números relevantes. O nosso desafio é fazer com que nossos jogadores hoje comecem a jogar não aos 17, 18 anos, mas aos 9, 10, 11 anos e de uma forma consistente. Que o rúgbi seja parte da vida desde jovem. Ser o número dois vai ser consequência, mas não é o objetivo que corremos atrás.

R7 - A base do rúgbi ainda é de universitários?
AD - Mudou. Era no passado. Há uma participação grandes das universidades, mas o que elas produzem são fãs. O menino e a menina que começam a jogar rúgbi na universidade é pouco provável que joguem em clube porque o nível no clube já é mais avançado. Mas essa pessoa se torna interessada no esporte e quem um dia vai colocar seu filho em um time mais jovem. Hoje diria que a maioria dos jogadores começa a jogar com 15 ou 16 anos.

R7 - Em outros anos, diferentes esportes optaram por estrangeiros. O rúgbi conta também com esse movimento?
AD - Com não temos uma liga profissional, não temos jogadores vindo de fora para os clubes. Existem alguns argentinos, uruguaios, mas poucos. Temos repatriados muitos jogadores que estavam no exterior.

Seleção brasileira mudou postura e conseguiu título sul-americano neste ano

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Diego Padgurschi/Folhapress - 12.4.2015

R7 - Qual foi o grande chamariz para repatriar os jogadores?
AD - Quando criamos o sistema de alto-rendimento, a seleção passou a ter mais resultado e os clubes começaram a ter jogos regulamente, conseguimos oferecer algo atrativo aqui. Trouxemos vários treinadores do exterior porque o conhecimento de um profissional desses em nível de seleção é muito maior. Trouxemos treinadores de fora, mas com assistentes todos brasileiros para que a próxima leva de treinadores já seja brasileira.

R7 - Qual a importância de jogar em um grande palco como o Morumbi?
AD - É importante para nós valorizar o jogo. O Pacaembu era nossa casa, fizemos muitos jogos lá, mas ele ainda tem uma estrutura antiga. Esse jogo precisava de uma infraestrutura mais moderna. E o Morumbi também entendeu na hora o potencial do evento e também abraçou a causa.

R7 - É exagero de dizer que é uma vitória para o Brasil trazer os All Blacks Maori para o país?
AD - A vitória já é que eles tenham aceitado vir aqui jogar contra o Brasil. Faz um ano que os convidei. Antes, ligava e eles davam risada. O fato deles terem aceitado é um sinal de que eles começam a ver o Brasil com outros olhos no mundo do rúgbi. Isso nos deixa muito felizes.

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