Esportes Olímpicos Brasileiro que perdeu Mundial de canoagem ao cair na água sonha com ouro nas Olimpíadas

Brasileiro que perdeu Mundial de canoagem ao cair na água sonha com ouro nas Olimpíadas

Isaquias Queiroz é uma enorme promessa do esporte brasileiro para o Rio 2016

Brasileiro que perdeu Mundial de canoagem ao cair na água sonha com ouro nas Olimpíadas

Isaquias se recuperou rápido da decisão e ganhou ouro em uma prova não olímpica no dia seguinte

Isaquias se recuperou rápido da decisão e ganhou ouro em uma prova não olímpica no dia seguinte

Divulgação

Era pra ser um momento histórico: durante a disputa do Campeonato Mundial de canoagem este mês, na Rússia, Isaquias Queiroz remava forte rumo à medalha de ouro na disputa dos C1 1000 m. Faltavam poucos metros para ele se tornar o primeiro brasileiro a conquistar um título tão importante na modalidade, especialmente porque se trata de uma prova que faz parte do programa olímpico. Eis que então que uma cena quase surreal aconteceu: ao errar um movimento, ele se desequilibrou e foi parar na água (veja no vídeo abaixo).

Por inércia, a canoa de Isaquias até chegou a cruzar a linha de chegada em segundo lugar, o que fez com que o sistema erroneamente o classificasse como vice-campeão. Logo, porém, os organizadores perceberam o equívoco e, como a regra determina que remador e barco precisam estar juntos toda a prova, ele acabou desclassificado.

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Tal situação é suficiente para marcar negativamente a carreira de qualquer atleta, além de abalá-lo psicologicamente. Mas não Isaquias, que rapidamente conseguiu dois “prêmios de consolação”: no dia seguinte ao incidente, ele se sagrou bicampeão mundial da prova C1 500 m e ficou com o bronze no C2 200 m, ao lado de Erlon Souza – nenhuma das provas é olímpica.

Mostrando enorme maturidade, especialmente quando se leva em conta que tem apenas 20 anos, Isaquias prefere olhar o lado positivo do ocorrido. Em entrevista ao R7, ele diz que a maior lição que tira da fatídica prova é a certeza que pode ganhar medalha de ouro nas Olimpíadas do Rio de Janeiro:

— Quando olhei a prova toda, vi que foi ótimo. Não ganhei, mas agora o Sebastian Brendel (alemão que se sagrou campeão mundial do C1 1000m) vai ficar com o pé atrás comigo. Ele ou qualquer outro sabem agora que não vai ser fácil vir aqui no Brasil e ganhar uma medalha na Olimpíada

O reconhecimento, inclusive, partiu do público e dos adversários:

— Todo mundo me deu os parabéns pela prova que fiz. Falaram que eu podia não ter ganhado a medalha de ouro, mas todo mundo sabia que eu era o campeão mundial

Isaquias revela que já havia passado por situação semelhante, mas a queda ocorreu após o fim da disputa. Ele ainda admite sua culpa no incidente:

— Eu olhei para o lado para dar a última remada e jogar o barco para frente. Quando fiz isso, joguei muito impulso no corpo, o peso foi para a perna de trás e não aguentei porque estava muito cansado, nem conseguia mais remar direito (...) Fiz o cálculo errado da chegada e acabei virando

Iniciado na canoagem através do programa governamental “Segundo Tempo”, Isaquias saiu de sua casa, na Bahia, com apenas 16 anos rumo a São Paulo para fazer parte da seleção brasileira. Meses depois, já mostrou seu potencial ao conquistar o título mundial júnior no C1 200 m. Agora, sonha uma medalha de ouro no Pan-Americano de Toronto, em 2015, e a consagração definitiva no Rio 2016:

— Quando subi no pódio da final do C 500 m no Mundial da Rússia, todo mundo estava gritando "Dos Santos", "Dos Santos". Se fora de casa já estava assim, imagino como vai aqui, com a arquibancada cheia. Em Londres eu vi toda a estrutura e acho que no Brasil será muito legal. Espero representar bem o país e ganhar a medalha de ouro