Arthur Nory começa 2020 com sonho do ouro olímpico em Tóquio

Ginasta volta ao treinos no segundo dia do ano disposto a empurrar para longe a pressão após conquista título mundial na barra fixa em 2019

Arthur Nory chega a Tóquio visado após ouro em Mundial

Arthur Nory chega a Tóquio visado após ouro em Mundial

Divulgação Confederação Brasileira de Ginástica

As férias foram curtas, só o tempo de comemorar o Natal e o Ano-Novo com a família. Vida de campeão do mundo não é fácil! Já no dia 2 de janeiro, Arthur Nory estava de volta ao clube Pinheiro, em São Paulo, para começar um dos anos mais importantes de sua carreira, o ano das Olimpíadas de Tóquio 2020.

Depois de terminar 2019 com o ouro na barra fixa no Mundial de Ginástica de Stuttgart, na Alemanha, Nory agora sonha com a medalha olímpica dourada. Mas, tanto ele quanto Cristiano Albino, seu treinador desde os 11 anos, sabem que hoje o brasileiro é um dos adversários a ser batido no Japão.

“Hoje eu vou ser o estudado, mas ainda não caiu a minha ficha disso. Tenho noção porque sei o que representam para mim os campeões mundiais. Eu vou atrás deles e vejo muito o que fazem. Eu acho legal ser uma referência”, comemora Nory.

“Os medalhistas do mundial que antecede a Olimpíada são mais acompanhados, observados. Eles chegam com uma carga de responsabilidade muito maior. É uma responsabilidade e um peso”, explica Cristiano.

Nory foi bronze no solo no Rio e Hypólito ouro

Nory foi bronze no solo no Rio e Hypólito ouro

Reprodução Instagram

O que faz o ginasta ter a confiança de que vai segurar a onda de ser o centro das atenções são os cerca de 15 profissionais que cuidam do campeão. Ele é quase uma empresa: são treinadores, fisioterapeutas, nutricionista, psicóloga, médicos, assessores de imprensa e de redes sociais em função da preparação do brasileiro.
“Tudo é novo para mim, meu treinador e meu psicólogo. É trabalhar para tirar o melhor proveito. Mas, tenho muito claro qual é o meu foco, é Tóquio e a busca do ouro olímpico. Tracei essa reta e tudo o que vier de pressão, nós vamos empurrar, chutar para o lado, para não sair do meu foco”, afirma o ginasta.

O torneio olímpico de ginástica começa no dia 25 de julho. Até lá, Nory tem um caminho logo de preparação, feito exclusivamente para ele. 

Com 26 anos e algumas lesões no currículo, Cristiano decidiu que mudaria a rotina de treinos do ginasta. O treinador trocou intensidade por regularidade.

“Quando o atleta é mais novo, é possível exigir mais, buscar mais repetições. Pensamos não dá para fazer a preparação em três meses, precisa de mais tempo. É o devagar e sempre. Prefiro que ele esteja seis dias no ginásio, fazendo alguma coisa. Pontuamos o dia do treino mais intenso, da carga média e treino mais leve. Dosamos a semana para que ele treine a semana inteira, com foco mais no descanso e na recuperação”, conta o treinador.

Nory e Cristiano Albino estão juntos há 15 anos

Nory e Cristiano Albino estão juntos há 15 anos

Reprodução Instagram

Paralelo à preparação, Nory tem de participar de algumas competições importantes até os Jogos Olímpicos para aprimorar a sua apresentação.
Na barra fixa, o ginasta tem duas rotinas montadas: uma com dificuldade menor, que gerou o ouro mundial, e outra com maior grau de dificuldade, que ele ainda não apresentou em nenhuma competição internacional. A intensão é fazer a apresentação mais difícil no Japão, mas para isso ela tem de ser testada antes.
“Ele precisa executar a série mais difícil em competição forte. Já fez bem em treino, mas não é a mesma coisa. Ele precisa chegar nesses torneios com o mesmo nível ou um pouco melhor que no Mundial, para chegar forte na olimpíada”, planeja o técnico.

E o solo

Tóquio tem tudo para ser a segunda participação olímpica de Arthur Nory. Logo na estreia, no Rio 2016 ele ficou com o bronze no solo, quando Diego Hypólito foi ouro. Por isso, existe a expectativa dele competir bem também nesse aparelho.
Quase quatro anos após o pódio, ele desenvolveu um problema crônico no joelho, o que coloca em dúvida a apresentação em Tóquio.

“Adoro treinar solo, fazer solo, mas sei da minha limitação, por causa do meu joelho. Vou fazer tudo o que precisa ser feito para poder melhorar minha nota de partida, que hoje ela é baixa. Tenho execução boa no solo, mas minha partida é baixa, para disputar é muito difícil. Para disputar medalha tem de dificultar e continuar com essa execução. Vou trabalhar nisso, de repente podem vir duas medalhar”, projeta Nory.

Nory e Rebeca Andrade já com o sorriso no rosto desde novo

Nory e Rebeca Andrade já com o sorriso no rosto desde novo

Reprodução Instagram

Quando o brasileiro começou no esporte, aos 11 anos, tudo o que ele vive hoje eram apenas sonhos. De lá para cá, aconteceram conquistas importantes, sete cirurgias, ele se tornou famoso nas redes sociais e é ídolo para as crianças que sonham com a ginástica.

A vida de Nory sofreu mudanças importantes, mas uma característica segue a mesma desde pequeno e ele conta orgulhoso.  “A felicidade! Estar com um sorriso no rosto e ser feliz, independentemente de qualquer coisa. Algo ainda maior me espera!”

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