Especiais Espaço mantém viva a tradição do futebol de botão em São Paulo

Espaço mantém viva a tradição do futebol de botão em São Paulo

Bar na zona oeste da capital paulista é ponto de encontro e de confraternização entre amantes do jogo de botão e fanáticos por futebol

Espaço mantêm tradição do futebol de botão em São Paulo

O Arquibancada Bar, na Pompeia, reúne praticantes de futebol de botão

O Arquibancada Bar, na Pompeia, reúne praticantes de futebol de botão

Edu Garcia/R7

Você, amante de futebol e que curte os campeonatos internacionais, não precisa ir até a Europa para acompanhar um jogo do Italiano, Alemão, Espanhol ou Francês.

Os craques de Juventus, Milan, Roma, PSG, Bayern de Munique, Real Madrid e Barcelona podem estar bem mais próximos do que se imagina. Ídolos como Cristiano Ronaldo, Messi e Neymar estão em campo no imaginário dos jogadores de futebol de botão em um bar no bairro da Pompeia, na zona oeste de São Paulo.

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O Arquibancada Botões Clássicos, na Rua Raul Pompeia, atrai gerações apaixonadas pelos botões, brincadeira que une crianças e adultos, pais, filhos, primos e amigos, preservada há décadas por amantes do jogo.

"Jogo desde moleque com o meu pai. Ele ensinou todos os meninos, meus irmãos mais velhos. Gosto de jogar até hoje", conta o jornalista Breno Benedito, de 33 anos.

"Também faço campeonatos em casa, sozinho. Não favoreço nem o Corinthians", brinca o torcedor do time alvinegro enquanto faz uma partida "amistosa" com o garoto Théo, de 7 anos, filho de um dos fregueses do bar.

Breno e Théo, de 7 anos, se divertem com os botões

Breno e Théo, de 7 anos, se divertem com os botões

Edu Garcia/R7

Profissionais das mais diversas áreas, jovens, pessoas de meia idade, grupos de amigos ou mesmo aqueles que se conheceram há pouco tempo se divertem juntos por horas nas mesas instaladas no estabelecimento em torneios bem organizados e disputadíssimos.

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O professor de História Luis Carlos Miranda do Nascimento, de 58 anos, conhecido pelos amigos como Schalke, é um dos fanáticos pelos botões e também colecionador: tem mais de 230 times de botão.

Schalke escolheu um time com história no futebol paulista para se apresentar. "Sou santista. Mas a Ferroviária me marcou muito. Vi pela televisão os jogos de 1968. Curto o futebol fantasia", explica o jogador, que sustenta a liderança da principal divisão do campeonato disputado pelos frequentadores do bar.

Liga

Todos os campeonatos são muito bem planejados, rendem troféus para os campeões e medalhas para os mais bem colocados. A tabela é pensada por uma comissão e publicada com antecedência. Eventuais faltas são computadas e os jogos remarcados.

"A liga é um campeonato semestral de pontos corridos. São 56 times neste ano e o tema é Brasileirão. Tem Série A, B e C. Muita gente quer entrar, mas não cabe mais", contou o empresário Luciano Araújo, proprietário do bar e fabricante dos modelos de botões. "Criamos Copas, Recopas e Supercopas. São torneios para estimular os competidores", complementa.

Luciano Araújo (esq.) é o idealizador do bar e da empresa dos botões clássicos

Luciano Araújo (esq.) é o idealizador do bar e da empresa dos botões clássicos

Edu Garcia/R7

No entanto, existem ainda as competições com apenas um dia de duração para aqueles que não têm condições de comprometer a agenda pessoal em uma disputa tão longa.

"São torneios com no máximo 32 participantes. No formato da Copa do Mundo", explicou o empresário.

Para ingressar na liga, é preciso se inscrever com antecedência, pagar uma taxa de R$ 90 — mas o competidor ganha dois jogos de botão no ato da inscrição — e mensalidades de R$ 25,  dinheiro utilizado na compra de material e prêmios para os vencedores.

Diversão e terapia

Além de ser uma grande oportunidade de interagir com amigos, os encontros entre os amantes do futebol de botão no Arquibancada Bar podem se tornar um refúgio para uma rotina profissional estressante. Foi o caso do oncologista Thomás Giollo Rivelli, de 35 anos.

O médico — um palmeirense que disputa a liga do bar com o time do Juventude —, que na infância brincava no quintal da casa da família, em Jundiaí, onde nasceu, voltou a jogar depois da mudança para São Paulo, em 2016, e aproveita os encontros com os novos amigos para aliviar a tensão da profissão.

"Cuido de pacientes com câncer. É desgastante. Aqui, esqueço de tudo. Mais do que praticar um esporte, é uma terapia. Consigo me desligar e pensar em outras coisas", revela o médico, que trabalha no Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo) e no Centro de Oncologia do Hospital Santa Catarina.

Médico Thomás Giollo Rivelli (à dir.) aproveita o jogo e os encontros para relaxar com os novos amigos

Médico Thomás Giollo Rivelli (à dir.) aproveita o jogo e os encontros para relaxar com os novos amigos

Reprodução/Facebook Arquibancada Botões Clássicos

Ambiente propício

A decoração do Arquibancada Bar tem vários componentes que deixam os fãs de futebol boquiabertos. As paredes estão repletas de fotos dos proprietários e frequentadores com grandes nomes do esporte, além de dezenas de camisas, flâmulas de clubes e outros objetos de colecionadores.

O cardápio com lanches tradicionais de porta de estádio (pernil, calabresa e carne louca, entre outros), salgados, refrigerantes e cervejas é um item convidativo para manter os jogadores alimentados e satisfeitos enquanto se enfrentam em clássicos do futebol mundial.

Times de botão

Os botões dos clubes são um capítulo à parte. Na prateleira do bar, são centenas de opções que deixam qualquer um em dúvida na hora de escolher um time para comprar. Parece difícil ficar com apenas um. Cada jogo, feito artesanalmente, custa R$ 60 em média. Os modelos também são vendidos no site www.botoesclassicos.com.br.

Palmeirense Francesco (à di.) representa a nova geração de jogadores de botão

Palmeirense Francesco (à di.) representa a nova geração de jogadores de botão

Reprodução/Facebook Arquibancada Botões Clássicos

Nova geração

O interesse pelo futebol de botão não se restringe aos mais velhos. A criançada adora acompanhar os pais nos campeonatos e também se empenham nas competições.

A empolgação dos meninos demonstra que aquela brincadeira — iniciada no Brasil há quase 100 anos— terá vida longa.

Francesco, de 9 anos, que aprendeu a jogar com o pai, Rodrigo, de 45, está cada vez mais animado com o jogo.

"Gosto muito. É legal. Tenho um monte de times", diz o garoto, que conta com orgulho já ter vencido o pai algumas vezes. "Melhoro mais a cada dia, porque estou treinando bastante", completou Francesco.

Times, seleções e bandas de rock: Veja modelos de jogos de botões:

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