Especiais Com Galeano e Oséas, palmeirenses exaltam heróis em bandeirões

Com Galeano e Oséas, palmeirenses exaltam heróis em bandeirões

Grupo de amigos se uniu para confeccionar bandeiras com as imagens dos craques e levá-las aos jogos. A primeira homenagem foi para o atacante Evair

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Ídolos do Palmeiras são homenageados por grupo de torcedores nos estádios

Ídolos do Palmeiras são homenageados por grupo de torcedores nos estádios

Cesar Rosa/Arquivo Pessoal

O amor por um clube de futebol pode unir pessoas em qualquer parte do mundo. São comuns os relatos de grupos que se conheceram em uma arquibancada - ou nos arredores de um estádio - e se tornaram amigos para a vida toda.

Este é a história da amizade entre o empresário Cesar Augusto Rosa, o engenheiro Bruno Veitonis e o comerciante Thiago Assafe. Os três se encontraram em um bar nas proximidades do Allianz Parque, no início de 2017.

Dos encontros na porta do estádio, regados a cervejas, refrigerantes e lanches, surgiu o desejo de devolver o colorido das bandeiras aos estádios, algo perdido nas últimas décadas com as proibições impostas pelo Ministério Público e a Polícia Militar nos jogos em São Paulo.

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"A ideia surgiu porque resolvi assistir aquele jogo contra o Peñarol, em Montevidéu, pela Libertadores do ano passado. Aí, com os amigos, veio a ideia de fazer uma bandeira para levar. E, com isso, pensamos em fazer de um ídolo", explicou Cesar Rosa.

O escolhido para a primeira homenagem foi Evair, autor do gol decisivo na final do Campeonato Paulista de 1993 contra o Corinthians, conquista que quebrou um jejum de 16 anos sem títulos.

"Por ser no Uruguai, resolvi criar a bandeira como 'Evair El Matador'. E o fiz usando aquela foto dele correndo com os braços abertos após o pênalti em 1993", complementou Cesar — nome dado pelo pai em homenagem ao centroavante César Lemos, o César Maluco, ídolo do clube que atuou nas décadas de 1960 e 1970.

'El Matador' Evair, no Centenário, em Montevidéu

'El Matador' Evair, no Centenário, em Montevidéu

Cesar Rosa/Arquivo Pessoal

No entanto, a homenagem quase foi perdida logo na estreia nos estádios. Por causa da confusão nas arquibancadas do Estádio Centenário naquele dia, os amigos tiveram que sair correndo e a bandeira ficou pelo caminho.

"Quando tudo acalmou, voltei para pegar a bandeira que já não estava mais lá", contou o torcedor. Felizmente para eles, o "Evair El Matador" foi encontrado e devolvido aos donos.

Novas homenagens

A vontade de lembrar outros ídolos palmeirenses — do passado e também do presente — fez a iniciativa crescer. Depois de Evair, foram reverenciados: Rivaldo, Edmundo, Zinho, Oséas, Clebão, Ademir da Guia, Galeano, Felipão, Cesar Sampaio, Alex e Fernando Prass.

"Já tem uma do Arce no forno também", revelou o palmeirense.

E São Marcos?

Curiosamente, um dos maiores ídolos da história do clube não está representado. O goleiro Marcos, herói do título da Libertadores de 1999, teria sido esquecido pelos amigos? Cesar Rosa garante que não.

"Já tem uma arte pronta, mas ainda não fizemos porque, normalmente, já tem pelo menos duas do Marcão que o pessoal leva para o estádio em outros setores. Mas tem do Sérgio, que tem muita importância também. O pessoal não valoriza tanto, mas foi muito importante até em 93", defende o torcedor.

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Na verdade, a intenção é criar uma bandeira com os principais nomes da reconhecida escola de goleiros do Palmeiras: Oberdan Catani, Valdir Joaquim de Moraes, Leão, Velloso, Marcos, Fernando Prass e Jaílson. " O problema é que tem tantos bons que não cabem em uma só bandeira", festeja.

O ídolo Marcos, já homenageado por outros grupos, também terá a sua bandeira

O ídolo Marcos, já homenageado por outros grupos, também terá a sua bandeira

Cesar Rosa/Arquivo Pessoal

Confecção e custos das bandeiras

As bandeiras medem 1,5 m por 2 m e são desenhadas pelos próprios amigos — Cesar já trabalhou como designer — e confeccionadas em uma gráfica que recebe os projetos via aplicativo de mensagens de celular. Cada unidade custa R$ 150.

Para ajudar nas despesas, os três palmeirenses passaram a confeccionar bonés com a inscrição "Febreverde", escolhida por eles para representar o grupo. As peças saem por R$ 50. "A gente vende mais por contato. Se alguém se interessa, levamos para o jogo ou enviamos por correio", explica Cesar Rosa.

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Dificuldades e apoio da torcida

Estender as bandeiras na arena não é tão simples. Requer esforço, porque não há um local determinado para colocá-las e, às vezes, a Polícia Militar barra a entrada do material. Porém, o auxílio de outros palmeirenses ajuda a superar as eventuais dificuldades. "Hoje, se a gente não leva as bandeiras, o pessoal briga, pega no pé. A torcida fala que temos que colocar pra dar sorte", destacou.

Os amigos vão a quase todos os jogos do time alviverde. Mas, de vez em quando, acontecem falhas ou esquecimentos.

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"O Bruno, que é de Rio Claro, saiu correndo por causa do jogo. Quando, se deu conta, tinha esquecido as bandeiras e já estava na metade do caminho", lembrou Cesar. "Só não matei ele porque não fui ao jogo", brincou.

A homenagem, que começou com uma bandeira do ídolo Evair, está ganhando repercussão. O trio criou páginas da "Febreverde" nas redes sociais (Instagram e Facebook). Para tanto, eles têm recebido a ajuda de um amigo de infância, o estudante de gastronomia Bruno Baungartner.

Promessa

Diante da ótima temporada do Palmeiras, que luta pelos títulos do Brasileirão e da Copa Libertadores, é bem possível que o atacante Deyverson, novo xodó da torcida, tenha a imagem impressa em um novo bandeirão.

"Isso é promessa. Se ele fizer o gol do título", finaliza o palmeirense Cesar Rosa.

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Veja quem já foi homenageado pela torcida do Palmeiras em bandeirões:

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