Atletas pedem investigação para que esporte olímpico não esmoreça

Rio 2016 foi acusada de compra de votos para receber Jogos Olímpicos

Rio 2016 não acabou com apagar do fogo olímpico na cerimônia de encerramento
Rio 2016 não acabou com apagar do fogo olímpico na cerimônia de encerramento Eduardo Anizelli/Folhapress

Diante da falta de credibilidade do olimpismo brasileiro mesmo após a Rio 2016, atletas na ativa e aqueles que já escreveram sua história nas ricas páginas da memória esportiva verde-amarela pedem profunda investigação dos fatos. O temor unânime é que o esporte perca sua força atolado em esquema de corrupção.

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A operação Unfair Play (tradução livre para “jogo sujo”), desdobramento da Lava Jato, promoveu no início do mês ações de busca e apreensão para apurar suposta compra de votos para que o Rio de Janeiro fosse sede dos Jogos Olímpicos. O presidente do Comitê Olímpico do Brasil e do Comitê Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, foi convocado a depor na Polícia Federal.

Os atletas ficaram assustados ao ver uma pessoa que desde 1995 está à frente do esporte brasileiro sendo conduzido para prestar esclarecimentos. Mais do que isso, acreditam que ele também merece a oportunidade de se defender, do mesmo modo que tudo tem de ser investigado.

COB deveria ajudar atletas
COB deveria ajudar atletas Antônio Gaudério/Folhapress

“Como ex-atleta e ligado ao esporte, vejo com tristeza profunda o que veio à tona sobre o COB e as Olimpíadas. O cargo do Carlos Arthur Nuzman deveria ser para ajudar o esporte. Esse é o princípio. Então, se tem algo estranho, como tudo indica que tem, é preciso punir muito bem. Mas, mesmo que eu seja um combatente do Nuzman, é preciso que fique claro que ele tem o direito de se defender, como qualquer pessoa”, disse Fernando Meligeni, tenista profissional por 13 anos, dono de uma medalha de ouro pan-americana.

Uma das vozes mais ativas entre os atletas da atualidade, Joanna Maranhão vai além. A nadadora de quatro Olimpíadas e oito medalhas de Pan-Americanos diz que, sem inclusive o COB, os ateltas ficam de mãos vazias diante de acusações de corrupção e casos de má gestão esportiva.

“Espero que a investigação prossiga e que todos que tenham envolvimento nisso sejam expostos. É sempre a mesma situação. Estamos começando esta faxina no Brasil, que acaba criando este clima de polarização”, disse Joanna. “A vida de um atleta olímpico é uma doação sobrenatural. Físico e mentalmente muito exaustivo. A gente acaba virando uma máquina e todo esse sistema se alimenta dessa alienação nossa em busca de rendimento para ter esse poder em cima da gente. ‘Cuida da sua carreira de atleta, cala a boca e treina, e eu tomo conta do resto’, pensam alguns dirigentes. E são pessoas que não estão cuidando da nossa carreira. Só estão botando dinheiro no bolso.”

No início da semana, os advogados disseram que Nuzman passou por medidas “absolutamente ilegais e injustificadas”. O dirigente pediu o desbloqueio de seus bens e alegou que os R$ 500 mil encontrados em espécies de diferentes moedas são para despesas de recorrentes viagens a trabalho. Além do dinheiro, chamou a atenção também um passaporte russo encontrado. Existe a suspeita de que esse possa ser um presente para a escolha de Sochi como sede dos Jogos Olímpicos de Inverno, em 2014.