Copa 2018 Jogador do Peru diz que Brasil ofereceu suborno na Copa de 1978

Jogador do Peru diz que Brasil ofereceu suborno na Copa de 1978

Após 40 anos de polêmico jogo, Leguía diz que oferta brasileira foi recusada; já Velázquez acusa 6 colegas de se venderem para Argentina

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O lateral-esquerdo Tarantini festeja o 2º gol da Argentina

O lateral-esquerdo Tarantini festeja o 2º gol da Argentina

Reprodução/YouTube

A polêmica goleada da Argentina sobre o Peru, por 6 a 0, na Copa do Mundo de 1978 ganhou contornos ainda mais controversos nesta semana. German Leguía, meia daquela equipe peruana, afirmou que o Brasil teria oferecido suborno para que o time não perdesse para os argentinos por mais de 3 a 0. O resultado classificaria a seleção brasileira para a final.

“Houve uma oferta do Brasil para não perdermos por mais de três gols contra a Argentina. Mas muitos não deixaram porque diziam que não podíamos nos vender, mesmo sendo um bom dinheiro para todos”, afirmou o jogador, dizendo que a oferta brasileira foi rejeitada.

Coisas estranhas

Em entrevista ao programa “Fútbol como Cancha”, da emissora RPP Notícias, Leguía afirmou que coisas estranhas aconteceram na concentração do Peru.

“Em nossa concentração, em Rosario, houve de tudo. Tudo muito estanho. Até desfilavam prostitutas”, afirmou Leguía, apelidado de Cocoliche.

Estranheza que se tornou ainda maior quando Leguía soube da escalação para a partida decisiva contra os argentinos. Apesar de ser um jogo importante, o técnico Marcos Calderón resolveu deixar de fora os atacantes Guillermo La Rosa, Hugo Sotil e Percy Rojas.

“Se olharmos a história, nas eliminatórias, nos amistosos e na Copa nunca jogamos sem um [camisa] 9. E Percy Rojas não foi usado”, contou Leguía.

“Outra coisa estranha foi que Roberto Rojas foi escalado na direita, onde atuava o melhor jogador da Argentina [Daniel Bertoni]. O Rojas não havia aparecido nem no banco de reservas durante todo o torneio”, acrescentou o meia.

Pela avenida criada no setor direito da defesa peruana saíram o quarto e o quinto gol argentinos, marcados respectivamente pelos atacantes Luque e Houseman.

Argentina na final

A goleada que colocou a Argentina na decisão para enfrentar a Holanda, ainda é uma história mal contada no Peru. Em entrevista ao site Trome, do Peru, José Velázquez, apelidado de “El Patrón”, garantiu que seis jogadores se venderam.

“É uma realidade que dirigentes se venderam e muitos foram investigados. Há até livros escritos. Como não tenho provas, não quero dizer que não tenha acontecido. E seis jogadores também se venderam. Só posso apontar quatro, porque há outros dois que são famosos e posso atrapalhar suas carreiras”, afirmou Velázquez.

Jogadores comprados

Rodulfo Manzo, Raúl Gorriti, Juan José Muñante e Ramón Quiroga são os atletas apontados por El Patrón como participantes do esquema. O meia, que havia jogado os 90 minutos em todas as partidas, foi substituído no segundo tempo justamente por Gorriti. Irritado, questionou o técnico Calderón sobre as razões de ter sido tirado de campo.

“Me respondeu [que saí] porque tinha cartão amarelo. Qual é a importância disso, já que era nossa última partida e estávamos perdendo?”, questiona.

Velázquez conta que, antes do jogo, o ditador argentino Jorge Videla apareceu no vestiário peruano acompanhado de Henry Kissinger, ex-secretário de Estado dos EUA, supostamente para desejar boa sorte à equipe.

“O que ele tinha que fazer lá? Foi uma maneira de nos pressionar para ver os que tinham se vendido. A corrupção sempre existiu”, comentou El Patrón.

Há versões de que a derrota no jogo teria sido um acordo entre as ditaduras de Argentina e Peru

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