Futebol Benfica nas mãos de Jesus para romper a maldição de Guttmann

Benfica nas mãos de Jesus para romper a maldição de Guttmann

"Nem em cem anos o Benfica vai conquistar outra taça europeia". Esta frase pronunciada em 1962 pelo ex-técnico húngaro Bela Guttmann persegue o clube de Lisboa, que desde então amargou nada menos de sete vice-campeonatos em competições continentais.

O Benfica, hoje comandado por Jorge Jesus, terá a oportunidade de romper esta maldição na próxima quarta-feira em Turim, quando enfrentará o Sevilla na decisão da Liga Europa.

Técnico dos 'encarnados' no início da década de 60, Guttmann levou o time ao bicampeonato europeu em 1961 e 1962.

O húngaro, porém, acabou sendo demitido antes de tentar conquistar o tri por não conseguir entrar em acordo com os dirigentes para um aumento salarial. Furioso, ele 'amaldiçoou' o clube, que continua alimentando a fama de 'vice eterno'.

O Benfica viveu um verdadeiro pesadelo na reta final da temporada passada, deixando escapar o título português na última rodada, antes de ser derrotado nas decisões da Taça de Portugal e da Liga Europa.

Neste ano, porém, a sorte parece ter mudado de lado. O time da capital portuguesa sagrou-se campeão português com duas rodadas de antecedência há três semanas e já conquistou a Taça da Liga portuguesa no dia 7 de maio, ao derrotar por 2 a 0 o modesto Rio Ave.

Um anos depois de perder a 'tríplice coroa', o Benfica pode encerrar a temporada com quatro títulos se não vacilar nesta semana decisiva.

Depois da Liga Europa, na quarta-feira, voltará a enfrentar o Rio Ave no domingo, na final da Taça de Portugal.

Embora seja mais lembrado hoje pela sua famosa 'maldição', Guttman marcou a história dos clubes por onde passou.

Formado em psicologia, professor de balé, ele chegou ao Benfica em 1959 e reformulou totalmente o elenco, contratando jovens das colônias portuguesas da época como Moçambique, de onde trouxe o lendário Eusébio.

Conquistou o primeiro título da Copa dos Campeões da Europa (antiga versão da Liga dos Campeões) em 1961, com vitória por 3 a 2 sobre o Barcelona. No ano seguinte, repetiu a dose ao superar outro 'gigante' do futebol espanhol, o Real Madrid, por 5 a 3.

Poucas semanas depois da final contra os 'Merengues', disputada em maio de 1962, ele acabou sendo demitido por pedir mais dinheiro e soltou a famosa frase que assombra o clube desde então.

O Benfica sofreu as consequências em setembro do mesmo ano, quando amargou o vice na Copa Intercontental ao ser superado pelo Santos de Pelé, com derrotas por 3 a 2 no Maracanã e 5 a 2 no estádio da Luz de Lisboa.

No ano seguinte, veio o primeiro fiasco em finais de competições europeias depois da maldição de Guttmann, com revés diante do Milan, em Wembley (2-1).

O mesmo ocorreu em 1963 (derrota por 1-0 para a Inter de Milão, em San Siro), 1968 (4-1 para o Manchester United, novamente em Wembley), 1988 (0-0 e derrota nos pênaltis para o PSV Eindhoven, em Stuttgart) e 1990 (1-0 para o Milan, em Viena).

Também houve dois vice-campeonatos na Liga Europa, em 1983 (1-1 e 1-0 diante o Anderlecht, quando a competição ainda se chamava Liga Europa e dois jogos para decidir o título) e no ano passado (derrota por 2 a 1 para o Chelsea, em Amsterdã).

Antes da sua passagem pelo Benfica, Guttmann chegou a treinar o São Paulo, em 1957 e 1958. Ele teve uma papel importante no primeiro título mundial da seleção brasileira por ter implementado no país seu revolucionário esquema tático em 4-2-4, com o qual foi campeão paulista em 1957. No total, o húngaro treinou em 12 países.

Para tentar romper a sina, o Benfica colocou em 28 de fevereiro deste ano uma estátua de bronze de dois metros de altura do ex-técnico na frente do portão 18 do estádio da Luz.

"O embaixador da Hungria em Portugal, Norbert Konkoly, pensou em uma solução par ao problema. Conversou com o presidente do Benfica e resolveram colocar no estádio uma estátua de Guttmann carregando as duas taças dos títulos europeus. Assim, ele está de volta ao Benfica e a maldição desaparece", declarou na inauguração do monumento o secretário de Estado do ministério de Assuntos exteriores da Hungria, Zsolt Nemeth.

A torcida 'encarnada' espera que a estratégia dê certo, para finalmente soltar o grito de campeão numa competição continental.

psr/mcd/lg

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