Esportes Ativista relata perseguição após denúncia contra Neymar

Ativista relata perseguição após denúncia contra Neymar

Áudio vazado de Neymar e amigos mostra ataque homofóbico e ameaças a ex-namorado da mãe do jogador do PSG

  • Esportes | Kaique Dalapola e Guilherme Padin, do R7

Agripino levou caso de Neymar à polícia

Agripino levou caso de Neymar à polícia

Divulgação/Instagram

O ativista e suplente de deputado estadual em São Paulo Agripino Magalhães afirma que vem sendo perseguido e ameaçado desde junho do ano passado, quando levou à Polícia Civil um áudio que seria uma gravação vazada do jogador Neymar e um grupo de amigos com falas homofóbicas e ameaçadoras contra o ex-namorado da mãe do atacante do PSG.

Agripino relata que desde junho do ano passado, quando o áudio veio à tona e ele resolveu denunciar a postura de Neymar e dos amigos, diversas pessoas vão às suas redes sociais para atacá-lo. Segundo ele, as mensagens ameaçadoras se intensificaram depois que o Ministério Público de São Paulo entrou no caso. 

“Desde então, eu não tive mais sossego. Um monte de ataque, ameaças de morte, tudo via direct no Instagram. No começo, eu avisei ao meu advogado que tinha ameaça de morte, mas depois apaguei tudo. Agora eu guardo os prints [capturas de tela] mais recentes”, conta o ativista.

Em um dos piores episódios que Agripino acredita ter relação com a denúncia que fez contra o Neymar, aconteceu na saída do Metrô Sé, no centro de São Paulo. “Assim que eu pisei na rua, saindo da estação, dois rapazes se aproximaram de mim, sendo que um deles passou de bicicleta com muita velocidade na minha frente, querendo atropelar”.

O caso é investigado por meio de Inquérito Policial do 15º DP (Itaim Bibi).

Ao Balanço Geral, Agripino relatou que também sofreu uma tentativa de suborno de R$ 350 mil de um suposto representante de Neymar para apagar todas as publicações relacionadas ao atleta e não avançar com a denúncia.

“Uma pessoa chamada ‘Laranjo’, se passando por representante do jogador, me ofereceu dinheiro para que eu ficasse calado. Eu não aceitei e continuei com as denúncias. Irei até o fim”, afirmou.

O caso

Nadine Gonçalves, a mãe de Neymar, e Tiago Ramos, modelo e seu então namorado, foram à delegacia de Santos em junho do ano passado após um suposto acidente doméstico envolvendo o casal.

O caso veio à tona porque, durante uma gravação quando jogava com amigos pela internet, Neymar teve um áudio vazado pelas redes sociais, no qual que ofendeu Tiago de maneira homofóbica enquanto comentava que o acidente seria, na verdade, uma briga do modelo com Nadine.

“É, então, mano. Teve lá uma discussão com o namoradinho dela, que dá o c*. E ele tá indo pro hospital, lá, ser operado. Ela falou que ele tropeçou. Não tem como, isso aí é soco”, relatou o atacante no áudio, se referindo a Tiago como o “viadinho que ela (Nadine) tá pegando”.

O atleta do PSG ainda disse que enviaria um amigo próximo para descobrir se houve indício de alguma pancada em Nadine. Em um trecho do áudio, um dos amigos do jogador disse que eles deveriam colocaram um cabo de vassoura no ânus de Tiago Ramos e ainda sugeriu que matassem o jovem.

Dias após o caso ganhar repercussão, Agripino Magalhães decidiu denunciar Neymar por crime de homofobia, discurso de ódio e ameaça de morte de uma pessoa LGBTQ+, já que Tiago Ramos é bissexual. Magalhães relatou que, após a denúncia, as ameaças se iniciaram, bem como a tentativa de suborno.

A reportagem não conseguiu contato com o jogador.

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