O que faz o Brasil ter tantos nomes famosos no vale-tudo, como Royce Gracie, Pedro Rizzo, Anderson Silva e Antônio Rodrigo "Minotauro" Nogueira, entre outros? Para Lyoto Machida, campeão dos meio-pesados do UFC (Ultimate Fighting Championship), a mistura racial e a tradição do país nas lutas o consolidaram no cenário do MMA (Mistura de Artes Marciais, na sigla em inglês que identifica o vale-tudo).
Membros da família Gracie tiveram papel essencial na criação dos campeonatos de vale-tudo. Já na década de 90, Royce Gracie, com formação no jiu-jitsu, venceu a primeira disputa do UFC - foi campeão em três das quatro primeiras edições.
Atualmente, além de Machida, o Brasil conta com outro campeão do UFC: Anderson Silva, dono do cinturão dos médios desde 2006. Invicto no UFC, Silva tem um cartel de 25 vitórias e quatro derrotas como profissional.
- O Brasil teve a maior imigração japonesa que já existiu, que trouxe o jiu-jitsu, judô, caratê. Eles vieram para cá e trouxeram sua técnica, cultura, artes, que foram passadas de geração para geração. Temos também tradição no boxe, muay thai, que vieram de outros países. E o Mixed Martial Arts [MMA] nada mais é que a mistura de tudo isso. Ninguém melhor do que o brasileiro para falar em mistura, porque mistura o africano, o índio, o português, o japonês. O melhor MMA é o brasileiro.
Apesar da popularidade dos combates, o vale-tudo ainda é malvisto por algumas pessoas. Segundo Machida, essa postura diminui na medida em que o profissionalismo invade o esporte.
- Acho que o preconceito ainda vai durar algum tempo, mas isso vai se extinguindo. É como o boxe, que era marginalizado, e hoje não.
Identificação com outras artes
De acordo com o brasileiro, a formação no caratê faz com que seu estilo represente no vale-tudo, de forma indireta, outras artes marciais de técnica semelhante, como o kung fu e o tae kwon do, ao contrário do jiu-jitsu e do boxe, por exemplo, que são mais difundidos entre os outros lutadores do MMA.
- Essas artes - caratê, kung fu, tae kwon do - são um pouco desacreditadas. Com esse treinamento que eu faço, desenvolvendo a técnica para o MMA, a gente começou a ganhar um pouco de crédito. Cada arte tem o seu lugar e não deve ser desmerecida. Toda arte, se você voltar à origem, foi criada para uma guerra, um combate real.