'Homem do Ano', jogador que peitou Donald Trump é boicotado pela NFL

Kaepernick liderou protestos contra injustiças raciais e hoje é vetado em times

Kaepernick motivou demais jogadores a se ajoelharam contra injustiças raciais
Kaepernick motivou demais jogadores a se ajoelharam contra injustiças raciais Streeter Lecka/Getty Images - 18.9.2016

Por um gesto que dificilmente terá sua importância reconhecida nesta geração, Colin Kaepernick ganhou nesta segunda-feira (13) o prêmio de ‘Cidadão do Ano’, oferecido pela revista norte-americana GQ. O quarterback, hoje boicotado pela NFL, tomou a iniciativa de protestar contra as injustiças raciais nos Estados Unidos e pagou caro por isso em movimento que irritou até mesmo o presidente Donald Trump.

Principal jogador do San Francisco 49ers, um dos mais vitoriosos times do futebol americano, Kaepernick sentiu que precisava fazer alguma coisa contra a onda de violência policial em seu pais, ainda na pré-temporada de 2016. Aos 29 anos, o jogador queria mesmo protestar nas ruas de Atlanta ou Baltimore contra a violência contra os negros. Aproveitou sua exposição para inicialmente sentar-se no banco de reservas enquanto o hino nacional era executado.

A revista estampou o jogador na capa, com uma chamada para a matéria “Kaepernick não será calado”. A publicação também destacou a realização de projetos sociais do atleta ao redor dos Estados Unidos. Para a matéria, o jogador também esteve no Harlem, em Nova York, para uma sessão de fotos e bate-papo com crianças carentes.

Kaepernick se ajoelhou ao lado do companheiro Reid
Kaepernick se ajoelhou ao lado do companheiro Reid Thearon W. HendersonGetty Images - 12.9.2016

A opção por ajoelhar-se em campo durante o hino partiu por sugestão de um ex-militar. Combatente no Iraque e no Afeganistão, com breve passagem na NFL, Nate Boyer sugeriu ao amigo o gesto. Kaepernick acatou a ideia ao lado do companheiro Eric Reid e consequentemente catapultou os protestos ao redor do país. O gesto na partida contra o Los Angeles Rams foi assunto inclusive nos debates à presidência americana.

Trump usou sua conta no Twitter para criticar a atitude. Segundo ele, o gesto seria um desrespeito ao país, à bandeira e aos militares combatentes. O efeito foi justamente contrário. Logo na rodada seguinte, os jogadores aderiram em massa aos protestos e irritaram ainda mais aquele que viria a ser o presidente meses depois. O tema até hoje gera polêmica na NFL. A liga inclusive ameaçou a punir jogadores e clubes que insistissem com as manifestações — movimentação semelhante aconteceu também na NBA.

“Há muito racismo neste país disfarçado de patriotismo e as pessoas querem sempre falar da bandeira, mas não é disso que estamos falando. Estamos falando de discriminação racial, desigualdades e injustiças que acontecem em todo o país”, pontuou o jogador, depois de sofrer ameaça de morte na internet.

Não curiosamente, Kaepernick, tecnicamente melhor que tantos outros atletas da posição na principal liga de futebol americano. O jogador não teve seu contrato renovado com os 49ers e também não encontrou espaço em outros clubes.

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