25 de Maio de 2012
Personagens da utilização do “Fielzão” no Mundial adotam cautela ao comentar o assunto
No último sábado (30), o prefeito Gliberto Kassab e Alberto Goldman, governador de São Paulo, estiveram ao lado de Andrés Sanchez, presidente do Corinthians, no terreno em Itaquera onde será erguida a nova arena do Corinthians. Durante o encontro, Kassab foi taxativo em relação à questão da Copa.
- Não será apenas um grande estádio para o Corinthians, mas para também para a abertura da Copa em São Paulo.
Só que a certeza do prefeito ainda não tem fundamento. Isso porque a construção do estádio do Corinthians não está diretamente ligada à Copa do Mundo. O próprio Andrés Sanchez faz questão de deixar isso claro. Tanto é que o presidente do clube paulista não mencionou em seus discursos que o Mundial está nos planos do Corinthians. Diz que “se quiserem que o Corinthians faça a abertura da Copa, que venham conversar conosco”. Apesar de toda a cena e os encontros, portanto, pode-se concluir que nenhuma reunião sobre o assunto foi feita.
Outro corintiano que diminui as expectativas em relação à abertura da Copa do Mundo é Luiz Paulo Rosenberg, diretor de marketing do clube e responsável pelo projeto do estádio, que explica melhor a posição dos corintianos.
- Nunca falamos de Copa. Sempre dissemos que o Morumbi seria o palco ideal, depois se viu que não é rentável. Agora a abertura caiu como um meteorito. Nosso estádio nasceu sabendo que poderia chegar a 70 mil lugares, mas o planejamento era que isso aconteceria apenas em 2033. Não vou tomar um empréstimo para fazer a abertura da Copa. É um problema da Fifa, do governo paulista e da CBF, não sei como farão isso.
Mesmo que não tenha a garantia de que fará a abertura, o Corinthians construirá o estádio nos padrões da Uefa. Dessa forma, estaria pronto para receber jogos da Libertadores e até da Copa do Mundo, caso seja necessário.
Só que estar nos padrões não significa ter a aprovação da Fifa. A entidade precisa avaliar o projeto completo e dar o aval para a construção. Só o São Paulo, por exemplo, teve que se reunir mais de 20 vezes com representantes da Fifa, e mesmo assim não conseguiu fazer um projeto que se adequasse completamente às exigências.
No caso do estádio em Itaquera, o estádio do Corinthians está sendo projetado para 48 mil pessoas. Para o jogo de abertura do Mundial, a Fifa exige capacidade mínima de 65 mil torcedores. A ampliação pode ser feita de maneira provisória ou definitiva. Depois de afirmar que não vai gastar um centavo para aumentar a capacidade, o clube paulista ainda não sabe também como irá pagar o custo de manutenção desses 22 mil lugares a mais.Nem mesmo o Cori (Conselho de Orientação e Fiscalização do Corinthians) viu o projeto. A reunião acontecerá no próximo dia 9, e caso os conselheiros não aprovem a obra ou queiram fazer ajustes a construção fica paralisada.
De qualquer forma, nas palavras de Alberto Goldman, “o Corinthians salvou São Paulo na Copa do Mundo”. Só que essa salvação pode virar decepção caso a Fifa resolva parar o projeto corintiano em uma de suas milhares de comissões, que pedem detalhes sobre cada etapa da construção ou reforma dos estádios. Ou seja: apesar de todas as promessas, mesmo com o apoio do presidente Lula o “Fielzão” ainda não está garantido na Copa.
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